Cap - 13

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📞 Georg: — Alô?
📞 Eu: — Oi, Geo…
📞 Georg: — S/n? Mudou de número?
📞 Eu: — Mudei. Faz um mês mais ou menos. Liguei pra você salvar… como estão as coisas aí?
📞 Georg: — Tudo normal. A banda, a família… nada de novo. Quando você volta?
📞 Eu: — Foi por isso que liguei…
📞 Georg: — Como assim? O pai disse que dia 5 de dezembro você encerrava o intercâmbio.
📞 Eu: — Encerrei. Mas vou ficar. Consegui estágio na Galeria Século 21.

Silêncio do outro lado.

📞 Georg: — Sério? Caramba… não esperava por isso.
📞 Eu: — Decidi ontem à noite. Liguei porque não tinha mais ninguém com quem eu quisesse compartilhar. Vou morar em um apartamento incrível… quero que venha me visitar.
📞 Georg: — Claro que vou, sua boba! Ah, vi a postagem do seu namorado no Instagram. Quem diria que você teria “tipo” pra um cara daqueles.
📞 Eu: — É… ele é legal. Parceiro. Gosto dele.
📞 Georg: — Então não sente mais nada pelo Tom, é?
📞 Eu: — … Bom, eu liguei só pra contar a novidade. Ah, ouvi a música de vocês no rádio esses dias. Estão demais, maninho!
📞 Georg: — Valeu, S/n. A Lanis sente sua falta. Se esforça um pouco mais pra responder.
📞 Eu: — Eu sei. Mas é tão cansativo… lutar por espaço na arte é mais louco do que imaginei. Ainda assim, vou ligar pra ela.
📞 Georg: — E por que sua voz tá tão caída?
📞 Eu: — Saudades… cansaço. Enfim, amo você, mano. Manda um beijo pra galera.

Chamada encerrada.

Decidi ficar. É triste me despedir da vida que deixei, mas o salário é bom e, acima de tudo, chegou a hora de amadurecer.

— Amor, os caras da esgrima marcaram um jantar. Só os homens. Nenhuma namorada gosta, então eu entendo se quiser ficar. — Eric entra no quarto, ajeitando o paletó.

— Vou ficar em casa. Amanhã é meu primeiro dia na galeria. Se diverte lá. — beijo-o de leve.

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Dois anos depois

Já são dois anos de estágio. Três anos em Nova York, se contar o intercâmbio. Nada do que ficou na Alemanha permaneceu de pé. Meus amigos agora são daqui. Meu namorado, meu trabalho, minha casa, meu chefe. Tudo o que construí foi longe de lá.

Não carrego mais ninguém. Incluindo eles.

Não me culpo. Nem os culpo. A vida é assim: pessoas incríveis aparecem em momentos incríveis. Mas o “pra sempre” nem sempre se refere a pessoas — às vezes, só às memórias.

— Tá no mundo da lua, Listing? — Osmar me interrompe. — Uma semana atrás você foi promovida a artista oficial da galeria. Não vai me dizer que já está sem ideias?

— Claro que não! — sorrio. — Pensei em algo sobre memórias. Pintar lembranças. O que acha?

— Tudo que você faz encanta. Só não esquece de pegar a correspondência pra nós, hoje é sua vez. — ele beija minha cabeça de leve e se afasta. Osmar é mais que chefe: mentor, amigo, conselheiro.

Na recepção, pego as cartas. Entre elas, uma no meu nome. Subo até minha mesa, abro o envelope e… quase caio da cadeira.

— Um convite de casamento. — murmuro.

Eric se aproxima. — O que houve, amor?

— A Lanis e o Doff vão se casar! — digo, a mão na boca. — Quem diria que aqueles adolescentes de 17 anos chegariam até aqui.

À noite, em casa, ligo para ela. Confesso que fui péssima amiga. Quase um ano sem falar nada. E mesmo assim, ela me convidou.

📞 Lanis: — Só assim pra você me ligar, hein?
📞 Eu: — Oi, Lanis. Recebi seu convite hoje! Surpresa é pouco. Finalmente aconteceu!
📞 Lanis: — Quero saber se você vem. Ou tá ocupada demais pra prestigiar seus velhos amigos?
📞 Eu: — Fala como se tivéssemos quarenta anos! Eu vou, claro que vou. Sei que não tenho ligado, mas você sabe… tenho 21 anos agora, e desde os 18 luto por espaço. Consegui. Finalmente sou pintora contemporânea. Foi você quem desejou isso pra mim, lembra?
📞 Lanis: — Fico feliz, de verdade. Mas sinto sua falta. Os meninos mudaram. Tenho mais contato com o Bill do que com qualquer outro. Gostava mais de quando tínhamos 16 anos.
📞 Eu: — Não foi a melhor fase da minha vida. Recém tinha descoberto o que era se apaixonar. Foi doloroso. Agora é tudo mais tranquilo. Experiência é boa, mas a primeira vez de qualquer coisa… é sempre ruim.
📞 Lanis: — Sempre achei que você e o Tom ficariam juntos. Errei feio. Parece até que nunca se conheceram. Ele nunca fala de você. E você, então… argh! Vocês tinham tanta química no olhar. Agora, o dele é vazio. Sem graça. Ele cresceu e ficou resmungão. Quando cortou os dreads, cortou junto a leveza.
📞 Eu: — Tá detonando o Tom pra mim, é sério? Talvez só não fosse pra ser. Ele foi um bom amigo, afinal. Mas olha só onde ele está… e olha onde eu estou.
📞 Lanis: — Bem a verdade, quem foi embora foi você. Ele não ficou esperando na janela a luz do seu quarto acender.
📞 Eu: — Chega. Ele provavelmente tem alguém, assim como eu. Nós somos passado. Um passado que nunca chegou a acontecer. Te vejo mês que vem no casamento. Beijo, tchau.

Chamada encerrada.

Deito no sofá. Lembranças vêm. Momentos em que ainda éramos jovens. Como será que vão me reconhecer depois de quase quatro anos?

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Dia do casamento

— Você tá linda. Mas vai se atrasar se continuar se namorando no espelho. — Eric me abraça por trás.

Olho meu reflexo. O nervosismo é quase palpável.

— Eu só tô nervosa. — admito.

— Nervosa por quê? Não é você quem vai casar. — ele pergunta, confuso. Responder de verdade poderia colocar tudo a perder.

— Faz quase quatro anos que não vejo a Lanis. É estranho aparecer assim, no casamento dela. — disfarço, pegando a bolsa.

— Vamos logo, S/n. Hoje não é sobre você. — ele sorri, tentando ser leve.

E eu respiro fundo, sabendo que a noite será mais difícil do que ele imagina.

A irmã do meu melhor amigo -Tom kaulitzHistórias para pegar e não largar. Descubra agora