CAP - 26

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Alemanha.
1 de setembro de 2018

Faz uma semana desde a noite em que os meninos passaram aqui em casa... Eu e Tom nos vimos algumas vezes ao longo da semana, mas encontros rápidos, por conta do trabalho dele na gravadora e dos possíveis shows do mês.

—Bom dia, mi amore... já sabe o que vai comprar para os gêmeos? —Lanis diz entrando, eram quase nove da manhã. Acabo de acordar e não sei se consigo aguentar a empolgação sem fim dela.

—Não faço ideia... sei que ainda não estou pronta para conhecer os amigos deles fora da nossa bolha. —Respondo, bebendo minha xícara de café.

—Bom... tenho certeza que você vai gostar! Eu e o Doff vamos ao shopping à tarde. Se quiser, buscamos você para ir conosco. —Ela diz animada.

—Claro... claro, me tornei a filha do casal, que legal. —Digo com sarcasmo.

—Isso porque você e Tom são dois enrolados. —Ela revirou os olhos. Fico em silêncio.

Talvez não tenha mencionado a eles que, na noite que fui lá, acabei jogando muitas verdades na cara de Tom e que talvez estejamos começando a ficar juntos...

—A porta estava aberta... então entrei! —Ouço a voz vindo da sala. Reconheço imediatamente, arregalo os olhos sutilmente, não era um bom momento.

—Tom?... o que está fazendo aqui às nove da manhã? —Lanis pergunta, sorrindo com malícia. Muito chato.

—Você é casada com o Doff, não comigo. Então... não devo satisfação a você. —Ele responde, cruzando os braços.

—Uau... credo, que babaca! —Lanis diz, socando o peito dele.

—O que veio fazer? —Pergunto, sorrindo.

—Vim só... sei lá. Passava por aqui e pensei em ver como você estava. —Ele responde sem jeito, mas era uma mentira por causa da Lanis.

—Para ela você dá satisfação... hum, acho que entendi então. —Ela ri.

—Se fode, Lanis. —Tom retruca.

—Você é um babaca, caraca, Tom. —Ela insiste.

Tom apenas aponta o dedo para ela, e eu sorrio vendo os dois discutirem.

—Tá bom... Lanis, passa aqui mais tarde. E Tom... estou muito bem, obrigada! —Digo, puxando os dois pelo braço para fora da casa.

—Tá nos expulsando? —Lanis pergunta confusa.

—Estou. Você é metida demais, e você é estúpido demais... são nove da manhã, estão me dando dor de cabeça. —Digo, fechando a porta na cara deles.

Subo para o quarto e vou direto para o banho. Quando termino, saio enrolada na toalha e levo um susto: Tom está sentado na minha cama.

—Céus... o que está fazendo aqui?! —Seguro a toalha com mais firmeza.

—Bateu a porta na minha cara... sério? —Ele me olha de cima a baixo.

—Parece que eu deveria ter trancado... —Respondo, rindo.

—Vai à porcaria da festa de aniversário do Bill? —Muda de assunto.

—A festa de aniversário de vocês... vou! —Digo com ênfase.

—Que horas? —Pergunta.

—Sei lá... umas nove? Não é a hora que começa? —Enquanto procuro uma roupa no armário.

—Vai antes... —Ele se aproxima.

—Por quê? Tenho que ir ao shopping com a Lanis comprar seu presente inclusive. Sei exatamente o que dar ao Bill, mas você... não faço ideia! —Viro-me para ele. Nossos corpos quase se grudam, ele coloca as mãos na minha cintura e me encara de forma apaixonante demais para querer sair dali.

—Se for mais cedo, sabe exatamente o que me dar. —Diz com um sorriso que denunciava sua completa falta de vergonha.

—Você não presta, nem um pouco, Tom Kaulitz! —Digo sorrindo, ficando na ponta dos pés para alcançar um beijo rápido em sua boca. Dou um selinho e vou até minha cama com um vestido nas mãos. O modelo é solto, com cordas entrelaçadas nas costas.

—Pode amarrar pra mim, por favor? —Olho para ele por cima do ombro.

—Posso tirar se quiser... —Ele se aproxima.

—Não! Tenho algumas coisas para fazer hoje. Não posso perder tempo, ainda mais com você... —Digo enquanto ele ajusta o vestido.

—Doeu... —Ele se afasta.

—Tom, você é muito diferente comigo... podia se esforçar mais com a Lanis ou seu irmão... pelo menos hoje! —Sento-me à frente da penteadeira, procurando minhas maquiagens.

—Eles já estão acostumados comigo, você que não estava aqui para se acostumar... —Ele me encara pelo espelho.

—Ninguém precisa se acostumar a ser pisoteado. Admiro seu esforço, mas caramba, foi estúpido demais com a Lanis. Precisa estar mais animado hoje ou vai magoar o Bill... —Digo, preparando a pele. Ouço apenas seu suspiro, como alguém de saco cheio.

—Meu pai decepcionou o Bill algumas vezes quando você foi embora. Ele ficava esperando o babaca vir nos visitar feliz como uma criança, e sempre se frustrava. Era óbvio que queria se aproximar porque tínhamos feito “sucesso”. Minha mãe começou a falar muita besteira pra mim, tentando que o Bill não escutasse. Isso foi me fechando... Bill tem amigos que só se importam com o dinheiro dele, por isso não quero essa festa idiota... e a Lanis só é chata ou legal demais... me irrita. —Tom começa a falar, caminhando até mim. Agora fazia sentido sua frieza: pais babacas, amigos interesseiros...

—Estarei lá com você... ignoramos eles só essa noite. Quanto ao resto... bom, damos um jeito depois, ok? —Digo sorrindo, sentindo uma pontada de dor.

—Não precisa fazer nada, S/n... só quis contar. Te vejo às oito! Se comprar algo pra mim, devolvo. —Beija meu ombro e sai do quarto.

—Nove! —Grito, mas não obtenho resposta.

Termino de me arrumar pensando nas palavras dele. Seu jeito fechado e sem emoção é para proteger Bill de ouvir coisas ruins da própria mãe. A falta de confiança vem do pai otário e da frieza diante de amigos interesseiros. Faz sentido que tenha se tornado tão diferente em alguns anos.

Está sarcástico e gélido, quase um personagem de assassinato: sem sentimentos, mas com olhar sexy, impaciente e provavelmente possessivo. Me intriga.

Somos opostos: eu me importo, ele ignora.

Sei ouvir, ele não dá brecha.

É como sol e lua...

Ou algo tão idiota quanto essa comparação, só para dizer: ele é tristeza, eu sou alegria.

O frio e o calor.

O gato preto e o Golden.

Enfim, espero quebrar essa pedra do seu coração antes que ele me machuque por ser tão frio.

A irmã do meu melhor amigo -Tom kaulitzHistórias para pegar e não largar. Descubra agora