TOM KAULITZ
02 de setembro, 2018.
Fecho a porta do quarto sentindo uma angústia que nunca havia experimentado antes. Deixar a S/n deitada sozinha, depois de chorar por mais de uma hora, me enche de raiva de mim mesmo por não conseguir conter suas lágrimas.
Tenho sido frio demais ao longo desses anos, e ela tem sido a única que me aquece. Não é algo que contaria para ela, mas desde que voltou à minha vida, sinto uma felicidade que nada mais conseguiu preencher.
Georg tem seus motivos óbvios... me conhece desde pequeno, sabe que nunca tratei uma mulher como única — sempre descartáveis... até que ela chegou e mudou tudo.
Mas eu não aguento mais ficar preso entre os Listing. Decidir entre ouvir meu melhor amigo e ignorar o amor, ou ouvir o amor e ignorar o melhor amigo... é um peso insuportável.
Sinto-me um desgraçado cada vez que a toco, por saber que Georg odiaria. Mas, ao mesmo tempo, sinto-me o homem mais feliz do mundo. Sou completo com ela, mas ela parece cada vez mais vazia. Sempre conseguem arrancar lágrimas dela, mesmo quando está feliz... isso me deixa furioso.
—Ae, Bill, manda esses caras embora agora! Já tá tarde. —Coloco a mão nos bolsos da calça.
—Ah, qual é, maninho... só tem umas quinze pessoas ainda. Vamos curtir! —Bill apoia a mão no meu ombro, seu hálito exalando álcool.
Vou até a caixa de som e desligo, depois acendo as luzes da sala.
—A festa acabou! Podem parar de fingir que se importam com a gente e ir embora. Agora. —Abro a porta e recebo alguns olhares carrancudos e murmúrios, mas pouco me importo.
—Tom! —Lanis se levanta com dificuldade do sofá.
—Nem começa, Lanis. Vai pra casa! —Respondo ao ver seus lábios prontos para destilar palavras de ódio.
—Babaca! —Murmura esbarrando em meu ombro.
—Alguém viu o Georg? —Pergunto, observando Bill e Gustav conversarem.
—Acho que tá no quarto dele... —Gustav responde.
—Você me paga, Gustav! Boca grande demais. Se quiser, vou fechá-la. —Digo antes de subir as escadas novamente.
Entro no quarto dele sem bater.
—Uou... que foi? —Ele se levanta perto da janela.
—Não precisa esconder um baseado quando entro... não sou seu pai! —Sorrio sarcasticamente.
—Quer? —Ele devolve o sarcasmo.
—Vim falar sobre sua irmã. —Sento na cama. Não quero mais me afastar dela. Já chega desse ciúme de irmãos. Não vou machucá-la, e provavelmente mataria quem tentasse.
—O que ela fez agora? Ainda no seu pé? —Georg se senta novamente.
—Estou com ela, Georg. Ela precisa de mim, assim como eu sempre precisei dela. Sei que acha que sou uma criança sem caráter, mas independente do que você diga, não vou me afastar. —Vejo o brilho nos olhos dele sumir.
—Sério? Vai jogar toda nossa amizade fora por uma mulher? —Ele provoca.
—Não é qualquer mulher. Talvez seja por isso que você fica tão recuado... Amo você, meu irmão, meu melhor amigo. Mas você não pode escolher quem eu devo amar. Achei que teria seu apoio, mas sua visão some quando se trata de minha metade. Isso já me encheu. —Sinto a raiva crescer.
—Faz o que quiser, irmão. Quer ser um filho da puta e ficar com minha irmã... que seja. —Ele se irrita.
—Fala como se ela fosse qualquer uma, Georg. Quem precisa crescer é você! Ela não precisa que você decida quem namorar.
—E você é o dono dela? Responde por ela agora? —Provoca, tirando-me do sério.
Nosso momento é interrompido pelo toque do celular dele. Quando vejo o nome, já sei do que se trata. Levanto-me para sair do quarto.
—Sinto muito por você, Geo. Procure-me depois de receber a notícia do seu pai. Mesmo sendo um cuzao, ainda é meu melhor amigo! —Digo, saindo do quarto.
Abro a porta do meu quarto lentamente. A luz do banheiro acesa evita que o quarto fique totalmente escuro. Vejo S/n deitada, agarrada ao cobertor, olhos molhados, travesseiro úmido. Soluços escapam inconscientemente.
Paro diante dela, passando o dedo levemente em sua bochecha, ajeitando uma mecha de cabelo atrás da orelha. Apenas admiro seu rosto perfeito e delicado.
—Porque me fez decidir entre você e seu irmão, amor. —Sussurro perto do seu ouvido, beijando seu rosto antes de ir tomar um banho.
Sinto-me quebrado. Sempre pensei que teria os dois. Desde que conheci S/n, sabia que seria minha mulher e imaginei ter Georg ao meu lado.
Aparentemente, não posso ter os dois. Escolher S/n pode ser arrogante, mas estou perdendo meu melhor amigo por birra.
Não sei o que dizer amanhã. Não consigo ver suas lágrimas; é como se ouvisse seu coração desmoronar. É horrível.
Deixo a água correr sobre meu corpo, fecho o punho na parede, pensando em tudo.
Termino o banho e deito ao lado dela. S/n se vira para mim, seu braço sobre meu abdômen, a perna entrelaçada à minha. Fico imóvel, esperando que se aconchegue. Então a envolvo com meus braços, acariciando seus cabelos.
—Tom... —sua voz meiga e sonolenta.
—Sim. —Respondo.
—Você não vai me deixar também, né? —Diz, com voz trêmula, partindo meu coração.
—Nunca mais, S/n. —Aperto mais meus braços ao redor dela. Ouço seu suspiro de alívio.
—Eu te amo, Tom. Me desculpa por ter ido embora. —Uma lágrima escapa. Quero destruir esses pensamentos que a fazem sofrer.
—Eu fui primeiro. Estamos quites. Dorme um pouco. —Ela concorda, balançando a cabeça. O silêncio se instala no quarto, e meu único pensamento é protegê-la mais que qualquer coisa. Mais que qualquer um.
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A irmã do meu melhor amigo -Tom kaulitz
Fanfic🍒HISTÓRIA FINALIZADA🍒 Aos 16 anos, S/N vê sua vida mudar por completo. Irmã gêmea de Georg Listing, ela foi criada pela mãe no Brasil, enquanto o irmão cresceu na Alemanha ao lado do pai. Agora, forçada a conviver sob o mesmo teto que Georg, a con...
