CAP - 7

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Passou uma semana daquela noite, e tudo que eu queria era esquecer. Mas era impossível. Tom invadiu meus pensamentos tão rápido quanto qualquer outro.

Decido pintar para me distrair. Viro a tela e encontro o retrato que fiz dele na festa.

Ótimo... assim vou esquecer rapidinho, né?”

Penso, mas em vez de jogar fora, passo tinta preta por todo o desenho. Depois, com um estilete, vou raspando, deixando à mostra apenas um dos seus olhos, o nariz perfeito e o maxilar — ocultando o resto. Penduro a tela em um canto do quarto. Ficou incrível, mesmo escondendo quem está por baixo daquele preto.

📞 Ligação: mãe 🤍

— Oi...
— Ah, como é bom ouvir sua voz.
— Como está o voluntariado?
— Incrível... tantas almas carentes, crianças sem pais, bebês precisando de atenção. É triste, mas gratificante ver os sorrisos que a gente entrega.
— Uau... deve ser lindo. Por aqui, tudo normal. Eu e o Geo até que nos falamos bastante, não é tão estranho assim.
— E seu pai?
— Como você... ausente o bastante para dizer que já fiz algo legal com ele.
— Aff... fez amigos?
— Alguns. Tô com saudade...
— Eu também, filha. Vai passar rápido.
— É... te amo, mãe.
— Eu te amo, boo.

Ligação encerrada.

— E aí, quer dar um rolê? — Georg entra no meu quarto.

— Quem vai? — seco os olhos.

— Os meninos... Por que estava chorando? — seu tom mudou, agora preocupado.

— Uma ligação da minha mãe. Saudade, só isso. Não se preocupe.

Me sento na cama.

— Tom falou comigo. Disse que te beijou e tentou se declarar, mas como um idiota! Nunca quis enfiar na sua cabeça que ele não presta, mas... não sei se vou conseguir ver ele machucar seu coração. Ele é meu melhor amigo, sei que pularia numa bala por mim. Mas se ele te ferir, não vou conseguir tê-lo como amigo de novo. Talvez eu tenha pensado mais em mim do que na minha irmã.

— Cara... o que papai e mamãe fizeram com a gente? — encosto a cabeça no ombro dele.

— Boo, eu sempre quis ter você morando comigo, ainda mais depois que conheci o Bill e o Tom. A intensidade do amor deles, a forma como sabem o que o outro sente, aniversários... parecia tudo tão incrível. Mas é... o que nossos pais fizeram com a gente. — Ele desabafa. Será que todo mundo aqui não tem medo de mostrar o que sente?

— Eu sei o que fizeram... foram tão ausentes que uma migalha de atenção virou o suficiente pra sermos o porto seguro dos outros.

— No fim, eles são uns babacas.

— Mas tentaram se esforçar... Geo, eu não vou ficar com o Tom. Nem o conheço direito. Beijei, senti algo... mas não posso dizer que amo ele o suficiente pra deixar ele entrar na minha vida. Ele é seu amigo, só isso.

— Legal... só não deixa de conhecer porque eu falei algo ruim. Talvez ele seja bom pra você.

— Talvez... vou me arrumar e já desço.

Caminho até a porta, fecho-a após ele sair.

Não quero apressar nada, muito menos me machucar. Talvez me permita conhecer o Tom melhor e depois decida. Tenho tempo.

Desço para a sala, os meninos já estão ali. Olho para o Tom e desvio o olhar rapidamente. Ainda lembro da conversa da sexta, aposto que ele está se revirando de vergonha.

Fomos para um fliperama, jogamos vários jogos e rimos muito. Me aproximei dos meninos nesse encontro. Nunca tinha rido tanto — eles falam besteira o tempo todo, mas são divertidos. Depois comemos numa lanchonete, e agora estamos num mirante da cidade, com uma vista incrível.

Escorada, admiro a paisagem e penso em algumas coisas.

— E aí... — Tom se aproxima.
— Oi.
— Você está meio distante hoje — escora ao meu lado, olhando a vista.

— Cresci achando normal ter um irmão e vê-lo uma vez por ano, um pai a cada quinze dias no ano... Hoje ouvi minha mãe falar sobre ajudar almas carentes, crianças sem pai ou mãe. Ah... é bobagem, tô triste porque crianças passando fome recebem mais atenção da minha mãe do que eu. Que tolisse, S/n.

Baixo a cabeça sobre os braços. Alguns segundos em silêncio, e sinto a mão dele acariciando minha cabeça.

— Você tá dodói da cabeça, né, arisca? Deve ser saudade do Brasil, sei lá.

Ergo a cabeça, absorvendo o que ouvi.

— Sério? Só isso? — pasma.
— Não sei dar conselhos, mas... você tem que perceber que, mesmo com pai, mãe, irmãos, família grande, no fim é só você por você. Aprende a lidar com sua companhia, porque é tudo o que vai ter.

Ele me encara nos olhos, como se falasse por experiência própria.

— Entendi... prefiro choques de realidade do que conselhos. Valeu, Tom! — sorrio, mudando a aura depressiva.

— Aliás, me senti pressionando você por ter dito coisas que talvez fossem só de momento. Não nos conhecemos, errei falando aquelas bobagens.

— É... Bom, eu sou S/n Listing, irmã gêmea do Georg. Acho que você é meu vizinho. Prazer em te conhecer num lugar tão bonito.

Estendo a mão. Ele me olha confuso, alternando os olhos entre minha mão e meu rosto.

— Dodói mesmo da cabeça... adorei te conhecer, Listing. Espero te ver mais vezes. Boa noite.

Aperta minha mão e sorrimos, nos olhando nos olhos. Parece mais fácil fingir que nada do que aconteceu aconteceu.

— Aê dupla de dois! Corre que tá chovendo! — Gustav grita. Olhamos para o céu, as gotas começam a aumentar.

E assim decido virar a página com o Kaulitz... começar do zero.

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A irmã do meu melhor amigo -Tom kaulitzHistórias para pegar e não largar. Descubra agora