Passou uma semana daquela noite, e tudo que eu queria era esquecer. Mas era impossível. Tom invadiu meus pensamentos tão rápido quanto qualquer outro.
Decido pintar para me distrair. Viro a tela e encontro o retrato que fiz dele na festa.
“Ótimo... assim vou esquecer rapidinho, né?”
Penso, mas em vez de jogar fora, passo tinta preta por todo o desenho. Depois, com um estilete, vou raspando, deixando à mostra apenas um dos seus olhos, o nariz perfeito e o maxilar — ocultando o resto. Penduro a tela em um canto do quarto. Ficou incrível, mesmo escondendo quem está por baixo daquele preto.
📞 Ligação: mãe 🤍
— Oi...
— Ah, como é bom ouvir sua voz.
— Como está o voluntariado?
— Incrível... tantas almas carentes, crianças sem pais, bebês precisando de atenção. É triste, mas gratificante ver os sorrisos que a gente entrega.
— Uau... deve ser lindo. Por aqui, tudo normal. Eu e o Geo até que nos falamos bastante, não é tão estranho assim.
— E seu pai?
— Como você... ausente o bastante para dizer que já fiz algo legal com ele.
— Aff... fez amigos?
— Alguns. Tô com saudade...
— Eu também, filha. Vai passar rápido.
— É... te amo, mãe.
— Eu te amo, boo.
Ligação encerrada.
— E aí, quer dar um rolê? — Georg entra no meu quarto.
— Quem vai? — seco os olhos.
— Os meninos... Por que estava chorando? — seu tom mudou, agora preocupado.
— Uma ligação da minha mãe. Saudade, só isso. Não se preocupe.
Me sento na cama.
— Tom falou comigo. Disse que te beijou e tentou se declarar, mas como um idiota! Nunca quis enfiar na sua cabeça que ele não presta, mas... não sei se vou conseguir ver ele machucar seu coração. Ele é meu melhor amigo, sei que pularia numa bala por mim. Mas se ele te ferir, não vou conseguir tê-lo como amigo de novo. Talvez eu tenha pensado mais em mim do que na minha irmã.
— Cara... o que papai e mamãe fizeram com a gente? — encosto a cabeça no ombro dele.
— Boo, eu sempre quis ter você morando comigo, ainda mais depois que conheci o Bill e o Tom. A intensidade do amor deles, a forma como sabem o que o outro sente, aniversários... parecia tudo tão incrível. Mas é... o que nossos pais fizeram com a gente. — Ele desabafa. Será que todo mundo aqui não tem medo de mostrar o que sente?
— Eu sei o que fizeram... foram tão ausentes que uma migalha de atenção virou o suficiente pra sermos o porto seguro dos outros.
— No fim, eles são uns babacas.
— Mas tentaram se esforçar... Geo, eu não vou ficar com o Tom. Nem o conheço direito. Beijei, senti algo... mas não posso dizer que amo ele o suficiente pra deixar ele entrar na minha vida. Ele é seu amigo, só isso.
— Legal... só não deixa de conhecer porque eu falei algo ruim. Talvez ele seja bom pra você.
— Talvez... vou me arrumar e já desço.
Caminho até a porta, fecho-a após ele sair.
Não quero apressar nada, muito menos me machucar. Talvez me permita conhecer o Tom melhor e depois decida. Tenho tempo.
Desço para a sala, os meninos já estão ali. Olho para o Tom e desvio o olhar rapidamente. Ainda lembro da conversa da sexta, aposto que ele está se revirando de vergonha.
Fomos para um fliperama, jogamos vários jogos e rimos muito. Me aproximei dos meninos nesse encontro. Nunca tinha rido tanto — eles falam besteira o tempo todo, mas são divertidos. Depois comemos numa lanchonete, e agora estamos num mirante da cidade, com uma vista incrível.
Escorada, admiro a paisagem e penso em algumas coisas.
— E aí... — Tom se aproxima.
— Oi.
— Você está meio distante hoje — escora ao meu lado, olhando a vista.
— Cresci achando normal ter um irmão e vê-lo uma vez por ano, um pai a cada quinze dias no ano... Hoje ouvi minha mãe falar sobre ajudar almas carentes, crianças sem pai ou mãe. Ah... é bobagem, tô triste porque crianças passando fome recebem mais atenção da minha mãe do que eu. Que tolisse, S/n.
Baixo a cabeça sobre os braços. Alguns segundos em silêncio, e sinto a mão dele acariciando minha cabeça.
— Você tá dodói da cabeça, né, arisca? Deve ser saudade do Brasil, sei lá.
Ergo a cabeça, absorvendo o que ouvi.
— Sério? Só isso? — pasma.
— Não sei dar conselhos, mas... você tem que perceber que, mesmo com pai, mãe, irmãos, família grande, no fim é só você por você. Aprende a lidar com sua companhia, porque é tudo o que vai ter.
Ele me encara nos olhos, como se falasse por experiência própria.
— Entendi... prefiro choques de realidade do que conselhos. Valeu, Tom! — sorrio, mudando a aura depressiva.
— Aliás, me senti pressionando você por ter dito coisas que talvez fossem só de momento. Não nos conhecemos, errei falando aquelas bobagens.
— É... Bom, eu sou S/n Listing, irmã gêmea do Georg. Acho que você é meu vizinho. Prazer em te conhecer num lugar tão bonito.
Estendo a mão. Ele me olha confuso, alternando os olhos entre minha mão e meu rosto.
— Dodói mesmo da cabeça... adorei te conhecer, Listing. Espero te ver mais vezes. Boa noite.
Aperta minha mão e sorrimos, nos olhando nos olhos. Parece mais fácil fingir que nada do que aconteceu aconteceu.
— Aê dupla de dois! Corre que tá chovendo! — Gustav grita. Olhamos para o céu, as gotas começam a aumentar.
E assim decido virar a página com o Kaulitz... começar do zero.
____________🍒
Texto passando
Por revisão
VOCÊ ESTÁ LENDO
A irmã do meu melhor amigo -Tom kaulitz
Fanfiction🍒HISTÓRIA FINALIZADA🍒 Aos 16 anos, S/N vê sua vida mudar por completo. Irmã gêmea de Georg Listing, ela foi criada pela mãe no Brasil, enquanto o irmão cresceu na Alemanha ao lado do pai. Agora, forçada a conviver sob o mesmo teto que Georg, a con...
