CAP 41

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Entro no restaurante junto com Georg. Ele abre a porta e estende a mão para que eu passe primeiro. Vasculho as mesas com os olhos e logo encontro meu pai em pé, sorrindo de forma ansiosa. Fazia um bom tempo que não o via.

—Está pronta para encarar a pergunta que ele vai fazer? —Georg sussurra próximo ao meu ouvido. Respiro fundo e sorrio.

—Seja um bom ator e talvez eu consiga. —respondo.

—Olhem pra vocês! Dois adultos… —papai diz nos abraçando.

—E aí, pai… —Geo responde.

—Você está ótimo… —digo sorrindo, observando suas rugas.

—Sentem-se. Já pedi os pratos favoritos de vocês. —Ele puxa a cadeira.

Sentamos, e os assuntos surgem naturalmente. Ele começa pelo Georg — graças a Deus — perguntando: “E a banda? Como está a vida amorosa?” Georg precisou contar tudo sobre Yana.

Ele falava dela com gosto, admiração e muito amor na voz. Sorrio ouvindo suas palavras sobre como Yana é uma ótima namorada. Ela tem sorte…

—E você, filha? Achei que o Tom estaria aqui. Reservei quatro lugares… teria reservado cinco, mas soube de Yana hoje. —Ele pergunta, limpando a boca com um guardanapo.

—Ah… o Tom… bom, ele… —começo a procurar palavras, mas a cada minuto me complicava mais.

—Ele está resolvendo muitas coisas. A banda quer voltar, mas precisamos procurar gravadoras, patrocinadores, casa para shows. Ele escolheu lidar com isso. Né, S/n… —Geo me salva.

—É… isso. Não o vi nos últimos dias. —respondo.

—Mal tocou na sua comida… está ruim? —meu pai pergunta.

—Não, é só que… não estou com fome.

—Você parece triste, filha.

—Porque não falamos de você? Como está o trabalho, as viagens? Tem tempo para aproveitar? —Geo se intromete novamente, me salvando.

Logo papai fala sobre sua carreira, o incrível momento que atravessa.

O almoço durou pouco mais de uma hora. Mas, para mim, foram anos… tentei esconder o choque da gravidez, a dor do término e a raiva da traição. Meu sorriso era tão forçado que até a garçonete perguntou se eu precisava de algo.

Me sinto idiota. Difícil abandonar uma vida dedicada a algo que não faz mais sentido para você.

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—São três da tarde. Já decidiu o que vai fazer a respeito da Yana? —Geo pergunta enquanto voltamos para casa. Desvio a atenção da paisagem e fecho o cenho.

—Sobre o quê?

—A festa irá começar daqui a cinco horas. Você sabe como vai escapar dessa? —Geo pergunta. Droga… ela não desistiu da festa.

Fico em silêncio, olhando ele dirigir. Mordo os lábios, suspiro e…

—Georg, eu tô grávida. —solto a bomba como se fosse algo normal do dia a dia.

—O QUÊ?! —ele desvia o carro rapidamente. Ouço a buzina e ele encosta.

—Você é maluco?! —digo assustada.

—Você tá grávida? S/n? Do… do…

—É claro que é do Tom, droga! Eu estou segurando isso o dia todo. Precisava contar. Me desculpa… deveria ter esperado estarmos em casa.

—Não, está tudo bem… quer dizer, você está bem? —ele apoia a mão sobre a minha, meus olhos se inundam de lágrimas.

—Preciso estar, não é? —sorrio cansada. Como se fosse forte e não estivesse caindo de um penhasco sem fim.

—O que você decidir… eu vou estar aqui. Não vai precisar passar por isso sozinha. Tá? —ele aperta minha mão com conforto.

Apenas concordo, segurando o choro preso na garganta.

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—Boa tarde, amor. S/n. —Yana diz, passando com um vaso de flores pela sala.

Nos olhamos e entramos.

—Ia fazer uma festa sem ao menos perguntar pra nós? —digo, seguindo-a.

—Perguntei… Geo disse “faça o que quiser, amor”. Você disse “ah… sei lá…” —ela responde.

—Não foi bem assim, Yana!

—Cunhadinha… já mandei os convites, contratei os garçons e estão decorando o espaço. Vai mesmo querer cancelar? O dinheiro é do seu irmão. —Yana faz um beiço de choro. Reviro os olhos e subo para meu quarto.

Me deito e pego o celular. Tantas ligações do Tom… mensagens, áudios, posts de aniversário. Entre elas, notificações desesperadas do Bill, Lanis e Tom. O celular vibra de novo.

📳 TOM 🖤

Encaro o nome na tela e ignoro.

Ele toca novamente. Dessa vez, escolho atender.

O que você quer?

T: —Porra… finalmente, S/n! Onde você se meteu?

—O que você quer, Tom?

T: —Você. Precisa me escutar… me deixar entender o que está acontecendo.

—Acha engraçado? Me manipular… me ligar como se não soubesse de nada!

T: —Já tivemos tantas brigas… mas nenhuma foi realmente significativa. O que fez você ir embora… não me deixe confuso. Onde eu errei? Me faça entender e eu a deixo em paz.

—Aonde você errou?…

T: —Eu te amo, S/n…

—Ama?

T: —Seu irmão esteve aqui… estou perdido. Não sei que porra tá acontecendo.

—Tom, por favor… me deixe em paz. Vamos ficar bem sem você. Pode ser feliz com a Lanis.

T: —Vamos? Quem?

Chamada encerrada

Jogo o celular no chão. Lágrimas e raiva me tomam. Ele age como se fosse inocente. Como se eu fosse errada por apenas ir embora.

Que babaca!

Me ama? Eu o odeio!

Odeio tudo que ele faz!

Odeio seu cabelo!
Odeio seu nariz!
Odeio sua voz rouca pela manhã!
Odeio o jeito que ele toca guitarra e me encara!
Odeio tudo nele!
Odeio ter conhecido…
Ter voltado…
Ter ficado.

Porra!

Porque escolhi atender o celular… eu devia ter apagado todas as memórias com ele. Esquecer tudo que ele já fez. Seria menos doloroso do que ouvir sua voz preocupada e triste.

A irmã do meu melhor amigo -Tom kaulitzHistórias para pegar e não largar. Descubra agora