Termino minha taça de vinho e pego a bolsa. Quando abro a porta para ir embora, é como se o mundo tivesse desabado lá fora: a chuva caía pesada, encharcando a rua em segundos.
"Ótimo... perfeito." — penso, amarga. Talvez preferisse me molhar inteira a passar mais um minuto ali.
—O que você vai fazer? — Tom pergunta, fechando a porta atrás de mim.
—O que você acha? Ficar relaxando na sua casa depois do discurso medíocre que fez? — disparo, cheia de raiva.
—Medíocre? — ele ergue as sobrancelhas, confuso.
—É! Não aguento mais você. Sabe o que eu disse pra Lanis? Que alguma coisa dentro de mim mantém uma paixão por você desde os meus dezesseis anos. Nem um namoro foi capaz de apagar isso. Eu gostei do Eric, mas nunca consegui amar ele do jeito que amo você. E pra quê? Pra ouvir que eu não posso ter você só porque decidiu virar esse badboy sem alma?
Ele apenas me encara em silêncio, braços cruzados, aquele olhar frio e superior que me consumia por dentro.
—Se queria me afastar porque acha que não combinamos, ou porque tem medo de me machucar... parabéns. Não está sendo nada divertido lutar por você. Já partiu meu coração tantas vezes que nem todas as versões de você juntas conseguiriam juntar os cacos. Sabe o que é pior? Disse pra um cara que eu era doce demais pra chorar. Mas adivinha só? Foi você quem mais arrancou lágrimas de mim. No dia em que voltar a sentir algo além de rancor... espero que entenda o que fez com os meus sentimentos.
Abro a porta e saio sem pensar. A chuva me engole por inteira. A água fria escorrendo pelo meu rosto se mistura com minhas lágrimas quentes — mas essas não eram de tristeza, eram de raiva. Meu cabelo colado na pele, meus pés encharcados... cada passo me parecia um peso.
De repente, sinto uma mão firme me puxar pelo braço. Viro o rosto e quase caio contra o peito de Tom. Ele também estava encharcado, a chuva escorrendo em seu rosto. Seus olhos me atravessam.
—Você disse que me ama. — Sua voz é grave, quase um sussurro. — Se me ama, por que foi embora?
Fico sem ar. — Eu disse?
—Disse que não conseguiu amar o Eric como me ama. Então, por que me deixou? — havia dor em sua voz.
Meu peito aperta. — Porque amar você não é o bastante pra você.
Ele baixa os olhos por um instante. — Você estava infeliz em Nova York, queria voltar a algo que já não existe. Eu não queria frustrar você, não queria fazer você acreditar que ainda sou aquele garoto que deitava no arame farpado só pra você passar. Eu não sei se consigo te dar felicidade. Não mais...
Ele ergue a mão e toca meu rosto, delicado, limpando o rímel borrado pela chuva.
—Se tem tanto medo de me machucar, Tom... então muda. Eu não preciso de um guarda-costas, não preciso que deite em arames. Eu só preciso de você. Desde o primeiro beijo, desde a primeira noite... eu sempre corri atrás de você. Será que não percebe? Eu só quero encontrar você.
Seus olhos brilham, marejados. — Por que alguém como você tentaria salvar alguém como eu?
—Porque eu amo você. É simples. Mesmo que me rejeite, não vai mudar.
O silêncio entre nós pesava mais que a chuva. Eu podia sentir o quanto ele lutava contra si mesmo. Suas mãos seguravam meu rosto, uma deslizando até minha cintura, a outra afastando meu cabelo molhado da minha face. Ele inclinou-se, prestes a me beijar.
—Não, Tom... não me beija só porque parece cena de filme. — respiro, segurando sua mão. — Amanhã você pode dizer que me quer longe de novo.
Ele aproxima ainda mais seu rosto do meu. — Eu nunca quis você realmente longe, Boo.
E então me beija.
Fecho os olhos. A chuva cai forte sobre nós, mas o mundo para. O beijo tem gosto de desejo, mágoa e esperança. Uma lágrima escapa dos meus olhos no instante em que ele me ergue pela cintura, me pegando no colo, me beijando como se tentasse recuperar cada momento perdido. Eu o beijo de volta, mesmo tomada pelo medo — medo de me entregar outra vez e, no fim, ser descartada.
—Você quer voltar pra casa? — ele pergunta quando me coloca de volta no chão.
Eu sorrio, boba, apaixonada. — Antes que eu fique doente...
Seguro sua mão e corro, arrastando-o comigo pela chuva. Ele corre atrás, mas o que vejo no seu olhar faz meu coração disparar. Era como se, por um instante, os adolescentes que fomos estivessem vivos outra vez.
De volta à casa dele, tiro os sapatos molhados. Antes que eu diga qualquer coisa, Tom me beija de novo — dessa vez sem dúvidas, só fogo. Ele me ergue nos braços e me leva para o quarto.
—Vai molhar sua cama... — suspiro, entre beijos.
—Foda-se, S/n! — murmura contra meu pescoço.
E então não havia chuva, nem medo, nem mágoa. Só nós dois, nos entregando sem culpa, sem freios.
🌙🔞
Depois, no chuveiro, a água quente caía sobre mim. Tom afastou meu cabelo e beijou meu ombro, depois me abraçou por trás. Virei-me para ele, deitei a cabeça em seu peito e fechei os olhos. Só queria ficar ali, sentindo aquele momento... como se o mundo tivesse, enfim, parado para nós dois.
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A irmã do meu melhor amigo -Tom kaulitz
Hayran Kurgu🍒HISTÓRIA FINALIZADA🍒 Aos 16 anos, S/N vê sua vida mudar por completo. Irmã gêmea de Georg Listing, ela foi criada pela mãe no Brasil, enquanto o irmão cresceu na Alemanha ao lado do pai. Agora, forçada a conviver sob o mesmo teto que Georg, a con...
