Nova York
Suspirei ao sair do aeroporto. O ar de Nova York era diferente, inconfundível. Tinha um cheiro próprio, difícil de descrever.
Trazia algumas boas lembranças, mas as ruins eram muito maiores.
Solitárias...
Esquece. Foi horrível. Viver aqui nunca foi uma experiência agradável.
—Relembrando sua fase de artista mimada? —Tom provocou, encostando o ombro no meu, num gesto brincalhão.
—Apenas confirmando que não quero voltar pra cá. —apertei seu braço em resposta.
Georg havia desaparecido logo após quase confessar que era apaixonado pelo meu namorado. Sim.
Estávamos ali porque meu ex vinha me ameaçando. Sim.
Mas... eu estava com o Tom. E isso era o que realmente importava.
Só nós dois.
Sem irmãos, sem banda, sem amigos.
Uma viagem de casal.
Podíamos aproveitar esse momento juntos, encontrar graça e beleza até nas tempestades.
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—Oi, eu gostaria de falar com... —comecei a dizer à recepcionista, mas fui interrompida por um grito animado:
—Não pode ser! Alguém me belisca! S/n Listing... você voltou?! —a voz masculina, afeminada, ecoou pela sala.
Virei-me e lá estava Osmar.
—Oi... pelo visto você não mudou nada. —sorri.
—Garota! Você me deve tantas explicações! Vem, vem, vem, precisamos conversar. —disse, me puxando pelo braço sem me dar chance de recusar.
Olhei para trás, desesperada, mas Tom apenas sorriu, levantando os ombros como quem dizia que não havia nada a ser feito para me salvar. E assim, fui praticamente sequestrada para a sala de Osmar.
Sentei-me diante dele, enquanto seus olhos brilhantes me encaravam, ansiosos. Esperava um discurso? Um pedido de desculpas? Uma explicação? Talvez tudo isso.
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Tom:
Observei S/n sendo arrastada por Osmar. Seus olhos brilharam ao vê-lo, e percebi que, pelo menos dele, ela sentia falta. Recusei-me a interromper. Sei que falariam de coisas irrelevantes para mim. Eu estava ali por outro motivo: acabar com o ex playboyzinho dela.
E, de certa forma, Osmar se tornara um aliado — mantendo-a distraída.
Sentei-me na recepção, mãos no bolso da jaqueta, observando o movimento do estúdio. Jovens corriam de um lado para o outro carregando telas, pastas e pranchetas. Era um ambiente vivo, agitado. Imaginei S/n passando dias inteiros naquele ritmo frenético.
O tempo passou devagar. Dez minutos. A impaciência começou a me corroer... até que ele entrou.
Erick.
Pasta debaixo do braço, celular na orelha. No instante em que o vi, a raiva explodiu dentro de mim. Não era apenas desprezo. Era ódio.
Cerrei os punhos, levantei-me e o segui discretamente até sua sala.
—A exposição é daqui a dois dias! Vocês prometeram que a vistoria estaria concluída! —rosnou ele ao telefone, entrando.
Fechei a porta atrás de mim, sem que ele notasse. Sentado de costas, encarava a janela de Nova York, ainda discutindo. Esperei, imóvel.
Até que se virou.
—Porra! Quem é... Tom? —surpresa em sua voz.
Sorri de canto, levantei-me e caminhei até ficar frente a frente com ele.
Antes que tivesse chance de reagir, meu punho já havia acertado seu nariz. O estalo seco ecoou na sala. Ele grunhiu, cambaleando.
Tentou falar algo, mas outro soco veio em seguida. E mais um.
E outro.
Minha mão ardia, ossos latejando, mas eu não ligava.
Erick caiu no chão, rosto coberto de sangue, nariz quebrado, dentes espalhados pela boca.
—Talvez queira usar isso na sua próxima entrevista. —cuspi as palavras, limpando o sangue da mão na camisa dele.
—Você... desgraçado... —gemeu com dificuldade.
Inclinei-me sobre ele, a voz firme, cada sílaba um aviso:
—Esse foi só um recado. Mensagens não são meu estilo. Tente manipular a imagem ou os sentimentos da S/n novamente e juro que ninguém reconhecerá seu rosto depois de tantos ossos quebrados.
Ele apenas concordou com a cabeça, cuspindo mais sangue.
—Ela não tem mais um namorado que a ameaça e a tortura psicologicamente. Agora ela tem um marido. Um homem que destrói qualquer um que a faça chorar. —declarei antes de sair da sala.
Na recepção, encontrei S/n com o celular na mão. Escondi minha mão vermelha no bolso e sorri.
—Tom? Onde você estava? Liguei três vezes. —ela bufou.
—Fui ao banheiro. Você demorou, achei que ia passar a noite lá dentro. —menti.
—Pois é... mas já voltei. —sorriu, me abraçando. Apoiei o queixo em sua cabeça, observando a recepcionista me encarar com olhos curiosos.
—Que tal um jantar? Estou morrendo de fome. —propus.
—Vamos. —sussurrou contra meu peito.
E saímos dali como se nada tivesse acontecido.
Eu deveria contar a ela, claro. Mas preferi poupá-la da preocupação.
E me segurei para não matá-lo.
Nunca pensei que perderia o controle assim por alguém. Mas, por ela, me sentia capaz de tudo.
S/n era minha única prioridade.
E jamais aceitaria vê-la chorar sem que o culpado pagasse caro por isso.
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Nova York, 22h14 – S/n
—Nem acredito que estamos em Nova York. Juntos... —segurei a mão esquerda de Tom, sorrindo. Estávamos em um restaurante italiano, frente a frente, duas taças de vinho brilhando entre nós. Era exatamente o que eu precisava.
—Parece até a primeira vez que ficamos a sós. Não acha? —ele perguntou, me fazendo refletir.
—É verdade... finalmente temos um tempo só nosso. Não sei até quando, mas... —hesitei.
—Como assim? —seus olhos buscaram os meus.
—Ainda preciso resolver tudo com aquele idiota... e não sabemos como Georg está. Ele sumiu há tempo demais. —expliquei, apoiando o garfo no prato.
—Erick não será problema. E seu irmão, ah, ele logo aparece. É reservado, mas aparece. —respondeu, pousando a mão sobre a minha.
Meu olhar desceu para seus dedos. Estavam machucados. Hematomas escuros denunciavam algo.
Franzi a testa.
—Tom... o que você fez? —afastei minha mão da dele.
—Nada que eu não faria de novo. —disse, bebendo o vinho com naturalidade.
—Meu Deus, Tom! O que você fez?! —passei as mãos pelo cabelo, nervosa.
—Só cuidei de tudo. Não se preocupe, amor. —sua calma me deixava ainda mais aflita.
—Você... você matou ele? Vai acabar preso! —sussurrei desesperada.
Ele caiu na risada, rindo da minha reação.
—S/n, não seria tão maluco assim. Acho que não... não agora. —corrigiu, ainda divertido.
—Você não pode resolver um problema criando outro. —retrucquei, cruzando os braços.
—Eu cuido de você, Boo. Só isso importa, não é?
Suspirei fundo.
—Vamos pro hotel. Estou cansada. —peguei a bolsa, tentando encerrar o assunto.
Tom devia ter feito alguma loucura. Eu sabia.
Isso me deixava em pânico. Não que Erick não merecesse...
Mas por que sempre tão agressivo?
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A irmã do meu melhor amigo -Tom kaulitz
Fiksi Penggemar🍒HISTÓRIA FINALIZADA🍒 Aos 16 anos, S/N vê sua vida mudar por completo. Irmã gêmea de Georg Listing, ela foi criada pela mãe no Brasil, enquanto o irmão cresceu na Alemanha ao lado do pai. Agora, forçada a conviver sob o mesmo teto que Georg, a con...
