24 - Maurício

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O Frederico mal fechou a boca e já começo a orar pedindo a Deus forças para não pecar e esfolar o desgraçado! Ele tinha de falar!

Várias vezes já o vi chamá-la de Ati, mas não, o filho de uma égua tinha de chamá-la de mãe. Meus pais param o que estão fazendo e agora noto que fizeram a Aretha enrolar trança de rosca!

Eu vou morrer de vergonha! Esquece o fato de que ela tá linda de vestido rodado e com os cabelos trançados bem alto, que nem rainha de filme, eu não posso nem admirar porque meus pais já estão limpando as mãos.

- Você é filho da moça da foto?

- Da Ati Sales Furquim? - o pai pergunta.

- Somos – Frederico responde.

- Tu é amigo dos filhos da garota da rampa e nunca contou pra gente?

- Era sigiloso!

- Você não pode esconder uma coisa dessas de nós! - ganho uma lapada do pano de prato.

- Meu pai do céu, só ela pra ter uns meninos tão bonitos! - minha mãe afirma, com as mãos ainda sujas de farinha segura os braços de Aretha – e você tem os olhos dela! Sua mãe fez tanto pela gente, é uma honra receber vocês aqui em casa!

- Mãe, a senhora tá sujando a Aretha de farinha!

- Eu não sabia se tu era uma moça boa, o Maurício fala de ti o tempo todo, mas agora tô aliviada dele namorar a filha da Ati.

- Mãe! - acudo – nós não estamos namorando! Desculpa Aretha – me viro para ela – tudo que eu disse é que você é linda! Só isso!

- O que mais que precisa? - meu pai interrompe puxando o Fred pela mão. - tu é amigo do irmão dela também! Eles são filhos da garota da rampa! Não tem partido melhor!

- Pai, pelo amor de Deus!

- Pára de tomar o nome de Deus em vão! - minha mãe me bate com o pano de prato e tenta abraçar Aretha de novo. - Nós só estamos te ajudando a desencalhar!

Frederico gargalha e Aretha olha para baixo, é educada demais para sorrir desse circo.

- Quem disse que quero namorar?

- Como não quer! Que homem não gosta de namorar? - meu pai junta-se a esposa para me matar de vergonha. - Um rapaz bonito desse! Aretha o Maurício é bonito, não é?

- Pai!

- Ele quase estragou o corpo com essas tatuagens horrorosas, mas mesmo assim ainda tá bonito. - minha mãe interfere enquanto Fred apoia-se na parede, rindo às minhas custas.

- O Maurício é muito bonito. - Aretha diz na sua voz angelical e meus pais concordam agradecidos. - desculpa meu irmão, nós tivemos dias difíceis e ele precisava rir um pouco - ela olha o cara - mas agora já deu, né, Fred? Frederico! - ela vai na direção do irmão, mas ele não pára de rir - Frederico!

- Vou passar um café e enquanto as roscas crescem nós conversamos, vocês gostam de mangulão? É de cedo, mas ainda temos.

- Não! Eles já vão! - digo empurrando Fred rumo a porta.

-Mas vão sair sem um cafezinho? Pra que isso!

- Pra senhora não me matar de vergonha!

Aretha estende os braços para cumprimentar minha mãe, mas a impeço.

- Larga de ser fresco! - meu pai ralha, tomo Aretha pela mão e começo a puxar.

- Que falta de educação! - Aretha reclama se soltando de mim – seus pais foram super simpáticos conosco!

Fred 2.0Histórias para pegar e não largar. Descubra agora