- Eu não acho que seja boa ideia.
- Mau, eu só quero ver a garota.
- Ela sequer te ligou, tu não deveria nem se importar.
- Mano, por favor.
- A Cacá está na sua casa! - Maurício diz enquanto desliga o carro – A mulher é linda, peito, bunda, cabelo, boca, rosto, mãos, braços, linda, mas ao invés de estar na cama com ela tu tá atrás de uma garota que te deu um fora a troco de nada.
- Foi um mal entendido.
- Você chamou ela de namorada e ela deu um chilique! Não tem mal entendido.
- Eu deveria ter conversado.
- Droga nenhuma, isso já aconteceu comigo, eu tava ficando com uma garota, nós encontramos uns amigos por acaso, eu apresentei ela pelo nome, sem dar título nenhum, ela teve um chilique, até gritou comigo. Você somente foi simpático, se ela não queria namorar era só falar, ao invés disso ela te passou vergonha.
- Porra, meu, você tá mais zoado do que eu.
- Eu tô! - ele bate o polegar no volante como se acompanhasse uma música que ninguém mais pode ouvir – é por isso que a Aretha se sente sua protetora, tu é gente boa demais e deixa as pessoas te magoarem.
- Para de radiar drama! Ela não me magoou!
- Ela não te merece!
- Ok, então deixa eu trocar uma ideia com ela, antes de ficar com a Cacá! É uma questão de consideração.
- A gente só dá consideração pra quem nos considera primeiro.
- E por causa disso o mundo tá fodido. Não podemos pensar em dar só pensando em receber, nós fazemos a coisa certa porque é a coisa certa!
- Tá bom Santo Frederico, vai lá antes que eu te canonize! - Maurício revira os olhos e eu desço do carro.
Me deixam entrar sem muita dificuldades e uma pessoa de uniforme me acompanha até a pista de corrida. Mano, que massa! Seria tão massa se nosso relacionamento desse certo, a Fabrine é atleta! Imagina como deve ser esse estádio cheio e ela correndo? Tomara que ela vença, se minha namorada for medalhista olímpica eu vou ficar metido.
- Fabrine! - eu grito quando a vejo de longe.
As atletas têm um guizos e toda a equipe é cega, mas o treino deve ser de várias outras modalidades porque atletas com diferentes dificuldades motoras estão aqui e todos estão em algum tipo de uniforme, talvez hoje seja algum evento. Uma cadeirante se aproxima do meio do gramado na companhia do técnico.
- Fabrine! Sou eu, Frederico! Precisamos conversar. - Grito fazendo uma concha na mão, finalmente ela me vê.
- Oi. - Alguém me chama e eu quase tombo da mureta.
- Porra, como cê chegou perto de mim sem eu ver?
- Eu sou muito ágil. - a jovem responde.
- Opa, é por isso que você é a atleta, e não eu. - rio sem graça.
Ela sorri, abrindo a boca um pouco mais do que o normal, tem o cabelo num coque apertado e usa um daqueles colãs da ginástica artística com todo o gliter da mundo.
- Você tá procurando a Fabrine? nós somos amigas.
- Eu tô. - respondo e a moça vai chegando mais perto.
- Nós somos muito amigas. - ela explica de novo.
- Ok. - respondo tentando ir para trás.
- Não precisa ter medo. - ela diz e eu quase sorrio, mas quer saber? Acho que tô com um pouco de medo.
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Fred 2.0
RomantizmDepois de sobreviver a um atentado e descobrir desagradáveis verdades sobre a Família Frederico tenta se ajustar na companhia da irmã Aretha e um novo amigo. Multiplos pontos de vista narrativo, todos em primeira pessoa. O texto possui conteúdo adu...
