26 - Entre Ken e Max Steel

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Obviamente cada leitor imagina o personagem de um jeito, mas de vez em quando vou colocando as fotos de como já me disseram imaginá-lo.

Mau não responde, tem a boca a berta e cara de quem está prestes a explodir, está todo encharcado e com cheiro doce. Fico de pé e abro a boca para zoar, mas ele se adianta.

- Don't, don't say a word (1)!

Ele passa por mim pisando duro e escorrega no piso, mas consegue se amparar antes de cair no chão, seus primos gargalham e a sala vira uma algazarra. Parece muito massa ter uma família grande.

- Daqui a pouco ele volta. - alguém me diz.

-O Maurício tá mais abestado do que o costume, tá apaixonado pela tua irmã. - uma moça diz no mesmo sotaque de Maurício.

- Mesmo? - Pergunto ainda de pé, e sorrio.

Não sei exatamente como me sinto sobre o assunto. A Aretha é uma princesa e embora o Mau seja legalzinho não significa que está à altura dela.

- Vem, senta aqui de novo. - uma garota com cabelo vermelho de farmácia bate no assento do sofá.

Desde que entrei todos voaram em cima de mim, depois que toda essa galera se apresentou, me indicaram o sofá. Tá, eu sei que sou gato, e com frequência o centro das atenções, mas tô com medo.

Amontoaram-se ao meu redor e tem uma menina me assustando, ela trás o indicador ao meu braço e empurra, cutucando! Não sei se está tentando confirmar se sou real ou se está conferindo se eu tô no ponto, como fazia a bruxa com o Joãozinho, seja o for eu tô meio bolado.

- Senta aqui comigo, velho, elas agem como se nunca tiveram visto caras bonitos, como nós. - um jovem me diz, deve ter minha idade e usa um ridículo piercing na sobrancelha.

- Aloprou?! Seu sonho é ser bonito assim! - uma das meninas lhe responde e puxa minha mão.

- A tia disse que tu era um homão, mas ela gosta de todo mundo então não quisemos acreditar, mas tu é bonito rapá.

- Ele parece meu Max Steel – diz um garotinho na frente da TV.

- Não, ele pareceu meu Ken! - uma menininha de tranças responde, aliás muito fofa de porteirinha no sorriso.

- Ele é bonitão, óia gente! - outra pessoa acrescenta, mas não vi quem.

- Obrigada –agradeço quando outra delas me puxa pelo braço - vocês são muito gentis.

- Eita, óia, ele é bonito e educado. - uma senhora fala

Meu, o Mau não vai voltar? Eu tô começando a ficar com medo.

- Isso é conversa! - uma garota mais velha diz no sotaque de algum lugar do Norte, que ainda não sei de onde – Qual é teu defeito bichinho? Tu é perfeito demais pra ser de verdade! E homem é bicho infitético!

- Vocês é que são bonitas, eu sou normal. - digo tentando me esquivar da menina que, novamente, cutuca meu braço.

- Meu pai do céu! – a garota ao meu lado fala – olha a voz dele! Tem vozona de macho.

- Fala de novo! - uma senhora ainda de pijamas pede.

- Fala qualquer coisa, deixa a gente ouvir tua voz de novo.

- Tu tá noiva, praga! - um dos rapazes grita e joga uma havaiana na direção da moça, mas me vejo obrigado a aparar antes que acerte.

- Obrigada! - ela diz e puxa a manga da minha camiseta, muito claramente conferindo meus bíceps. - Eu sou noiva, mas não tô morta!

Fred 2.0Histórias para pegar e não largar. Descubra agora