Capítulo bobinho, feliz e engraçadinho porque infelizmente a vida de verdade não é leve assim.
- Pára com isso, toda vez é isso! - Xis nos chuta, mas é puxado por Jota e cai em cima da gente.
Ouvimos cadeiras arrastando, depois alguns pingos quentes queimam minha pele. Meu pai está com a garrafa de café aberta em cima de nós.
- No more browling, how many times have I said? Are you bloody deaf, boy (1)?
- Deixa os moleques, Alemão – minha mãe interrompe enquanto seguro a cabeça do Jota numa chave de braço. - daqui a pouco eles terão contas a pagar e dores nas costas, deixa os moleques se brincarem agora.
- They are breaking our home, love (2)!
- Better them than the terrorists (3). - Aretha intervem.
Jota agarra minhas pernas.
- Vocês estão atrapalhando meu momento com a Aretha. - Luiz reclama puxando minha perna.
- Não tem nenhum momento acontecendo! - Mau resmunga e Vi o agarra pelo braço.
Os pingos de café vão ficando mais perto e temendo pelo meu rosto bonito Cacá joga um copo d'água na gente, Aretha e Vi fazem o mesmo. Paramos.
- Você voltou a treinar! Tá mais rápido, porra! - Jota reclama ajustando a camisa de colarinho agora esfolado.
- Tive bastante prática. - resmungo lembrando de lutar na nossa sala destruída enquanto minha irmã e o ex-presidente da república tentavam salvar a própria vida.
É chato pra caralho, esses flashbacks aparecem pra lembrar que minha realidade é bem diferente da que eu imaginava.
Os péssimos waffles da Vi são substituídos pelos da mamãe que faz pelos menos uns dez. Thomas ajuda, mas claramente tá formando uma barreira para que os caras não confiram suas curvas na roupa de treino. Meu velho é doido varrido pela mulher.
Maurício tem hábitos alimentares normais, mas numa situação de ansiedade começo a notar um padrão, ele já comeu metade do açúcar mascavo que tínhamos na mesa com duas canecas de café.
Cacá sorri no meu colo, acaricia meu braço e ocasionalmente beija minha bochecha, como se o tempo não tivesse passado, como se ainda fossemos adolescentes.
Seu perfume continua adulto, notas de pimenta e um punhado de doçura, as pernas estão nuas na minissaia estilosa, na parte de cima um espartilho jeans e no pescoço o mesmo colar de pérolas, a Cacá sempre teve estilo, com o tempo acho que nós homens passamos a apreciar as roupas de uma mulher como não apreciávamos quando estávamos preocupados com o que tem por baixo.
Cacá sempre curtiu saltos vermelhos, acaricio sua perna e ela estende deixando minha mão deslizar por mais longe.
- Novos Mary Janes.
- É a marca? - pergunto.
- Não, é o tipo do sapato, em português chamamos sapato de boneca.
- Preparada para falar inglês 24 horas por dia? - respondo e beijo os lábios macios e hidratados.
- Mais ou menos, - ela descansa a testa no meu ombro – tô tentando focar só na parte boa.
- Quer praticar? Enquanto você estiver aqui podemos falar somente em inglês.
- Não! - ela responde – quero muito português, muito Brasil e muito de você, sabe lá que espécie de homem me aguarda em Nova York!
- Nenhum que te mereça, já digo logo. - Xis interfere.
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Fred 2.0
RomanceDepois de sobreviver a um atentado e descobrir desagradáveis verdades sobre a Família Frederico tenta se ajustar na companhia da irmã Aretha e um novo amigo. Multiplos pontos de vista narrativo, todos em primeira pessoa. O texto possui conteúdo adu...
