49 - Menos jururu

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Aquele capítulo sem drama, simples e engraçadinho pq o Fred merece uma paz e eu queria a mesma coisa pra minha vida.

- E você não vai ligar?

- A garota disse que nós não namoramos, me pediu uns dias, isso se traduz como fim.

- Como cê me dá tanto azar com mulheres?

- Não sei, talvez sua ruivisse seja mau agouro.

Vi joga em mim a toalha e eu me esquivo, subo na esteira e começo a correr. Maurício e Aretha estão juntos, recebi uma mensagem dos dois e pelas palavras inspiradas Thomas terá de dar a mão da Aretha ou o mano me tem um treco. 

Fabrine não me mandou sequer um emoji, em compensação minha caixa de notificação está pelas tampas com a Olívia.

Vi não estava brincando, a garota está na Itália, mas tem lido meus livros preferidos mandando e-mails, não tenho respondido porque não quero dar esperanças, mas tem sido difícil me conter. 

Olívia me mandou uma mensagem detalhada sobre suas impressões lendo Memórias de um Sargento de Milícias, curti muito ler o e-mail, amo aquele livro e sempre que estou pra baixo o exemplar passa a dormir debaixo do meu travesseiro.

Ela tinha muita coisa a dizer sobre Crime e Castigo, claramente não será fã dos clássicos russos, mas seus comentário foram pontuais e até relevantes, mas eu não deveria estar surpreso, Olívia sempre foi inteligente, só que vê-la empolgada com literatura me deixa contente.

Não sei por quanto tempo vou resistir às suas mensagens. E se começar a ler José de Alencar e Eça de Queiroz? Puta que pariu como eu gosto de um drama!

- Tá sorrindo por quê? - Vi pergunta e eu me fito no espelho, a esteira está em boa velocidade, meu corpo suado e eu sorrindo, dentes à mostra e tudo.

- Nada.

- Você tava pensando na Olívia?

- Garota, cuida da sua vida!

Minha irmã pisca e sai me deixando sozinho. Eu deveria ir atrás da Fabrine? O sexo é bom, mas isso tem a ver com sermos atletas, ela tem um corpo lindo, uma voz de atriz pornô e uma carinha fofa de desprotegida, parando pra pensar só fizemos sexo e nos abraçamos, não conversamos nada. 

Eu precisava de colo, e ela de sexo e afeto, curtimos as horas de silêncio nos braços um do outro, amei ter a respiração de uma mulher no meu pescoço novamente.

- Bom dia. - Ati entra vestida para o treino, o corpo ainda exibe um pouco das marcas do atentado.

- Good morning mama.

- Morning, lad! - Meu pai diz olhando para mim.

Entra sem camisa, exibindo seus oito gomos no abdômen. Reviro os olhos. 

Ele desce para o solo acolchoado e começa sua sessão de abdominais, se você acha que depois de ter um corpo trincado meu velho só quer manter está enganado, o cara treina como se quisesse dar para cada gominho um outro gominho. 

O aquecimento dele é 30 minutos de treino abdominal que deixaria qualquer um exausto.

Ati não tá muito atrás, mas sua sessão dura 15 minutos, depois agacha, alonga, pula corda e vai para o saco de pancadas. Às vezes tenho vívidas imagens na cabeça, acho que são lembranças: minha mãe batendo no saco de pancadas e eu observando, posso distintamente ouvir seus gemidos, urros e chutes, vejo seu rosto iluminado, me olhando, seu sorriso animado, na imagem o mundo parece grandão, deve ser lembrança de quando eu era pequeno.

Fred 2.0Histórias para pegar e não largar. Descubra agora