Capítulo II - O Motivo e o Caminho / Parte 8: James Morris

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O desgraçado ia perder a cabeça.

Do outro lado da rua, escorado em uma parede, eu observava a cena que se desenrolava dentro do escritório através da grande fachada de vidro. Todos olhavam para Edgar e um loirinho que o encarava. Traguei meu cigarro. O clima começava a mudar também fora da repartição e densas nuvens cinzas surgiam no céu.

Ao meu lado, duas mulheres conversavam e uma criança brincava com um pequeno gato malhado.

"Gatinha, gatinha, vem cá!" O animal evitava seus toques.

Edgar já não estava mais à vista, o que fez-me voltar a atenção ao menino. Com o cigarro na boca, sorria com a doce inocência da criança.

"Gatinha!", o menino de cabelos pretos começava a se frustrar com suas tentativas. "Vem aqui!"

O bichano correu para rua e a criança disparou atrás, chamando-o, sem perceber o carro que ia rapidamente em sua direção. Merda, menino.

Uma das mulheres – que pelo tom da voz parecia ser a mãe – gritou, deixando a bolsa cair de suas mãos.

"Luuuuke!"

Merda, menino.

Lancei o cigarro para o lado e corri em direção a criança. O carro começava a buzinar e o menino o encarava, imóvel. Todos que passavam próximos fecharam o cenho, boquiabertos, amedrontados com a notícia que seguiria o barulho dos pneus cantando sobre o asfalto.

Pulei sobre ele, agarrando-o. O carro subiu na calçada, desviando-se no último segundo.

"Luke!" A mulher disparou, saindo de sua posição estática.

"Você está bem, carinha?", perguntei. Ele balançou a cabeça, apontando que sim, e começou a chorar. A mãe aproximou-se, também em lágrimas, e o levou aos seus braços.

"Obrigada... Você salvou o meu filho!", disse, ao passo que eu me levantava, sorrindo.

"Não foi nada."

"VOCÊ ESTÁ LOUCO, GAROTO?", o motorista saiu do carro, gritando, mas percebendo o menino e a mãe aos prantos, ressentiu-se. "Você está bem?", aproximou-se de mim, perguntando.

Acenei que sim, desviando os olhos para o escritório. Não acreditava no que se passava. Edgar, Edgar, seu maldito desgraçado, você perdeu a cabeça.

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