Capítulo VI - O Epitáfio e o Espetáculo / Parte 11: Paul Thompson

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Caminhava para casa após divagar um tempo pela rua quando ouvi um disparo. Disparos. Não acreditava no que via. Tanto planejamento para cair nos braços da Dona Sorte; uma ironia do destino, talvez. Justo quando estava prestes a desistir, avistei o desgraçado empilhando seus corpos.

Gritei, institivamente, tentando sacar a arma, mas no nervosismo em que me encontrava, isto se tornava impossível. O magro homem de cabelos pretos e pele branca – como a descrição superficial da figura do Beco dos Ratos – começou a correr. Consegui ver o rosto, mas não gravar seus traços.

"PARE!", insisti, tentando sacar a arma e acompanhá-lo. Merda. Ao avistar os corpos mais de perto, não consegui desviar o olhar. A ânsia tomou minha garganta, forçando-me a vomitar.

O rapaz sumira de vista.

Olhei em volta, atordoado, segurando a segunda onda de vômito. O carro do maldito ainda estava lá, fato que me fez sentir melhor por tê-lo perdido de vista.

"Você já era, filho da puta", disse, sacando o celular. "Todas as unidades...", pedia.

Em meio aos corpos, senti um prazer egoísta de ter sido eu quem o encontrara, quem o avistara pela primeira vez, que capturara seu carro. Eu, não Edgar... EU!

Encaminhei-me em direção aos corpos, aguardando a chegada das viaturas.

Uma pequena vitória, entretanto maior do que todas outras que – não – tivemos.

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