Após ausentar-me o dia todo voltei para a delegacia, retornando de minha jornada espiritual. Adentrei o local mais tranquilo, convicto de que meu foco, concentração e trabalho duro trariam o merecido reconhecimento.
"Paul!", a primeira voz que ouvi era um bom começo: a linda ruiva que mexia com meu coração. Ela foi em minha direção. "Por onde você esteve? Sumiu o dia todo!".
"Você sabe, por aí, refrescando a cabeça", sorri. "Encontraram algo?"
"Sim", segurava uns papéis. "Olhe!"
"Puta merda! Quanta substância química!"
"Sim..."
"Sério, esse cara é uma farmácia ambulante! Já temos um rosto, então?". O sangue estava repleto de medicamentos contra ansiedade, depressão, psicose, pânico, distúrbios bipolares e o caralho a quatro! Não é à toa que o infeliz estava causando tanta merda na cidade. Seu lugar era em um...
Espere...
"Não... O DNA do sujeito não bateu com nada em nossa base de dados. Estamos na mesma", torceu a boca.
Deus... "Mas..." Merda. "MANICÔMIOS!", gritei, como alguém que pertencia ao lugar.
"Oi?", ela me olhou, não compreendendo.
"Deus!" Segurei-a pelos braços. "Olhe o tanto de merda no sangue desse rapaz! Não foi há muito tempo que fecharam aqueles malditos lugares para doidos, não é mesmo? O desgraçado devia residir lá! Eles devem tê-lo na base de dados! Conseguimos ter acesso a isso?". Estava eufórico; sentia que não havia erro.
Por baixo dos óculos, seus lindos olhos verdes brilhavam. Encarava-me, terminando de ligar todos os pontos e... "PAUL! Você é um gênio!" Ela me abraçou.... Beijando-me nos lábios.
Temo nunca ter corado tanto em minha vida. Aquilo havia mesmo acontecido? Fiquei imóvel, com os olhos arregalados.
"Venha!", ela ordenou. "Acho que posso dar um jeito nisso!"
Assim que me recuperei a segui. A seguiria até o andar mais baixo do inferno, se assim ela pedisse!
***
"Quando fecharam os hospícios, após a aprovação da lei que previa o fechamento de casas para doentes mentais", ela digitava, não tirando os olhos do computador, "por causa da alta pressão dos direitos humanos, o governo, entendendo que alguns que lá estavam poderiam dar algum trabalho, fez com que toda a base de dados, incluindo amostras de sangue, digitais e fichas sobre a vida de cada um, fosse enviada para um servidor", ela sorriu. "Merda, Paul! Você é mesmo um gênio!". Uma barra carregava na tela do computador. "Enfim, todos os laboratórios policiais tem acesso a esta base de dados e... Cruze os dedos, Paul!"
Cem por cento.
Ouviu-se passo. "Acreditam que em meio a tudo isto ainda recebo xingamentos por não correr atrás de um roubo de uma maldita caminhonete?", George sorria. "Onde está Edgar?"
Ignorei o comentário, olhando em direção ao tenente e voltando os olhos em seguida para a tela do computador.
Estava lá.
"O que está acontecendo, Rachel?", ele indagou.
"Bom...", ela abriu um enorme sorriso, esticando os braços. "Digamos que Paul Thompson desvendou nosso mistério!" Apontou para o computador.
Eu reconheci o desgraçado na tela. O cabelo estava maior, mas não havia dúvidas: era o desgraçado que eu havia visto duas noites antes.
Rachel Lull mantinha seu sorriso, sorriso de conquista e alívio, de quem tirara uma tonelada de suas costas. Somos ambos, Rachel!
"Paul...", George disse.
"Senhor?"
"Coloque todas as unidades na rua. Vamos pegar este desgraçado!"
"Senhor!"
Era hora. O maldito caso finalmente chegava ao fim. Paul Thompson, senhoras e senhores!!!!!
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Liberte-se
Mystery / ThrillerObra disponibilizada na íntegra para o Wattpad. Skoob: https://www.skoob.com.br/livro/511410ED517738 Para adquirir o livro pela Amazon: http://www.amazon.com.br/Liberte-se-Matheus-Mundim-ebook/dp/B00ZPSLZHE/ Convite: O passado nos constrói e nos co...
