Capítulo V - Um Espectro Ronda Circodema / Parte 6: Edgar Visco

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Chegando à delegacia, eu estava meio devagar, meio feliz, meio como não deveria estar – entenderia o porquê em seguida –, mas a dor de cabeça cessara. Graças a Deus! Ou melhor, ao santificado inventor daquelas pílulas e principalmente daquela bebida milagrosa; três vivas!

Antes de sair do carro, olhei as horas – a tarde já se esvaía – no celular e o deixei sobre o assento.

Adentrando o salão principal do recinto, notei muitos homens portando câmeras e gravadores.

"O que será que aconteceu?", questionei-me, levando a mão ao queixo. "Os assassinatos, Eddie!", outra voz respondeu em minha cabeça. "É mesmo, é mesmo...", respondi para esta, assentindo.

De forma sincronizada, após notarem minha presença, um a um, os portadores de câmeras, gravadores e os mais diversos meios de comunicação começaram a direcionar seus olhares em minha direção. Eu, claro, também me virei, curioso para saber o que ou quem diabos estava atrás de mim. Talvez fosse o grande Bob Seger, por Deus! Sempre quis conhecer o homem; como ele cantava bem!

"Mas não há nada, nem ninguém aqui...", indaguei-me. "O que eles estão olhando? Onde está o Bog Seger?"

"Edgar Visco?"

"Sim?", respondi, virando-me. Os vários homens começavam a me cercar. Estavam olhando para mim?

"É verdade que você está de volta?", ele retrucou.

"Já há pistas sobre o assassino?", outro.

"Há boatos sobre o que aconteceu com o tenente Hoff. Ele está bem?", outro.

"Ao que tudo indica, Edgar Visco está de volta para o caso...", uma mulher dizia em seu gravador.

A situação encaminhava-se para o caos; um insano coral de igreja com os membros tentando cantar um mais alto do que o outro. Deus... Eu começava a balançar a cabeça, positivamente, sem entender exatamente o que estava acontecendo – ainda estava pensando no boneco do posto –, sentido que alguma palavra estava faltando a mim.

"Eu... de volta?", pensava. "É... é... Eu acho que estou, sim, de volta... Porra, estou de volta!", comecei a sorrir. Podia ver a incerteza nos olhos dos que me cercavam. Não se preocupem, estou de volta! A voz aumentava em minha cabeça, proporcionalmente ao sorriso em meu rosto.

"ESTOU DE VOLTA!", gritei. Todos que estavam no local se calaram, me olhando, espantados. "Edgar Visco está de volta!", levantei os braços, tentando explicitar meu argumento. "E podem ter certeza, seus putos", apontei para cada um deles, "vamos pegar esse filho da puta!"

A confusão fora assentada. O coral agora nem se preocupava com sua melodia; eram apenas gritos. Os repórteres começaram a falar entre si, desculpando-se – não entendi o motivo – com as câmeras, boquiabertos como se estivessem constrangidos.

"Com a vossa licença." Desci os braços e passei por entre os repórteres, seguindo para a sala do tenente.

Liberte-seHistórias para pegar e não largar. Descubra agora