Capítulo IV - Charlie? / Parte 7: Linda Rivera

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A campainha ressoava de maneira insana, como se no decorrer da noite tivesse se transformado em um maldito alarme de incêndio. Eu – e provavelmente outras pessoas da vizinhança – acordei assustada com o intenso barulho. Com a vista ainda embaçada, busquei alguma coisa para me localizar no tempo, percebendo as luzes vermelhas do relógio ao lado da cama.

"Deus... O que será a uma hora dessas?". Ao despertar no meio da noite, nossos pensamentos saem em alto e bom tom.

Coloquei um roupão cinza que não estava muito longe do alcance das mãos e me coloquei a caminho da porta, sussurrando todas as palavras de baixo calão que conhecia enquanto a campainha continuava sua trilha sonora, me enlouquecendo.

A porta se abriu e por um momento achei que fosse o mais novo famoso de Circodema; por um momento achei que morreria, esboçando um grito quando a porta bateu e o intruso tomou seu lugar junto ao meu corpo. Reconheci, porém, o toque daquelas mãos, o que me fez recuar em minha primeira ideia.

Eddie...

"Eddie...", sua língua percorria meu pescoço; suas mãos tentavam abrir meu roupão, levantando-me e levando-me em direção ao quarto. "E... Eddie! Você está bem?". Os beijos insistiam, meus seios já estavam à mostra e eu já podia sentir meu sexo umedecendo, mas ele não dissera nenhuma palavra. "Eddie...". Finalmente entreguei-me.

Eddie jogou-me na cama, descendo as próprias calças à medida em que eu me despia totalmente. Ele não se incomodou em tirar a veste de seu tornozelo, ou mesmo a camisa que usava, atirando-se sobre mim, cobrindo-me com beijos e acariciando-me com suas quentes e fortes mãos de forma voraz.

Eu queria senti-lo; precisava senti-lo. Uma parte de mim sentia falta de uma noite como a que estava se construindo: um tipo diferente de amor – se é que assim pode-se dizer –, carnal, sedento, audacioso.... Desci a mão para o sexo de meu noivo e... nada.

Nada.

"Eddie...", tentava falar, mas ele parecia não ouvir; tive que segurá-lo. "EDDIE!"

Como que saindo de um transe, levantou-se, puxando as calças para si.

"Perdão", disse. "Merda, merda, merda!", repetia, abotoando a calça.

"Eddie, você está me assustando!", inclinei-me, postando minha mão sobre sua perna, mas ele se afastou. "Essas coisas acontecem, querido. Converse comigo...", esperei. Ele mal ouvia. "Eddie?"

"Me perdoe, Linda.". Deu-me as costas e saiu. Mal olhou nos meus olhos.

"EDDIE! Volte...". Ele não se virou. "Merda!". Vesti minhas roupas debaixo e, vendo que ele já saía, comecei a correr seminua pela casa. "EDDIE! Volte aqui!". A porta se fechou antes que eu pudesse alcançá-lo.

Despida, não tive a audácia de abrir a porta. Apenas coloquei minha cabeça contra ela, tateando-a, desejando que ele voltasse.

"Eddie...". Lágrimas surgiram em meus olhos. Levei a mão ao rosto, esvaindo-as, e voltei ao quarto, deitando-me e aconchegando-me embaixo do edredom.

Os piores pesadelos não ocorrem no sono profundo. Não... destes pode-se despertar. Os piores pesadelos são os que mantêm os olhos abertos mesmo após todas luzes se apagarem. O que aquilo significava? Deitada com o rosto molhado em lágrimas, era tudo o que eu desejava saber. Aquele não era meu Eddie.

Como uma criança tentando me convencer de que nada está debaixo da minha cama, dizia para mim mesma que o outro dia traria respostas. O outro dia traria ele de volta, o Eddie que eu conhecia e amava. A criança não consegue esquecer o monstro, mas adultos aprendem a acreditar nas próprias mentiras e por esse motivo, com os olhos ainda úmidos, mesmodesolada, me virou de lado e voltei a dormir.

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