"Eddie...", George disse, sentando-se à mesa. "O que se passa?"
"Temos de pegá-lo, George...", respondi, esfregando as mãos no rosto e me sentando no estofado.
"Sim, Edgar. Eu sei", ele respondeu com o desdém de quem responde o óbvio.
"Não, George... Temos de pegá-lo", enfatizei a última palavra, olhando-o fixamente.
Houve silêncio.
"Isto pode nos custar caro, Edgar", ele quebrou o gelo. "Especialmente para um cara como você. Ou se esqueceu das merdas nas quais se meteu? A merda que aconteceu nesse mesmo lugar...".
"Não há um dia que eu não me lembre", o interrompi. O que não era de todo verdade. "E não há um universo em que eu não tenha feito a mesma coisa". Esta afirmação, sim, era uma completa verdade.
"Sabe, Edgar... Lamentei sua saída desde o primeiro momento. Você parece mais maduro agora, não consideraria..."
"Não!", o interrompi pela segunda vez. "Não posso! Entenda... Preciso apenas resolver este caso. Apenas este! Deus... Mais casos como este e isso me consumiria de uma forma que eu não conseguiria explicar."
Percebi com alguns dias que se voltasse a trabalhar naquele local perderia tudo o que realmente importava em minha vida. Tudo. Apenas aquele caso e apenas por um motivo que não poderia dizer para ninguém. Segredos foram feitos para serem guardados; aqueles que contam seus segredos não desejam que estes se mantenham como tal. George já sabia o que precisava saber. Esperava que pudesse compreender que eu não pertencia mais àquele lugar.
"Entendo", ele balançou a cabeça.
"Entende mesmo, George?". Olhava-o nos olhos. "Mesmo?"
"Provavelmente mais do que você imagina".
O que provavelmente era verdade.
Houve um segundo momento de silêncio em seu escritório.
"Alguma notícia do laboratório?". Desta vez, eu quebrei o gelo.
"Rachel está desde a madrugada lá, mas ainda não tivemos nenhuma notícia concreta".
"Nos resta aguardar, então..."
"Suponho que sim", sorriu por um momento. "Edgar, eu já te contei a história de como conheci Gisele?"
"Por que isso agora, George?". Se eu tivesse ouvido a história alguma vez, não me lembraria.
"Em momentos difíceis como este que passamos... Como o que eu passei... São essas coisas que nos fazem seguir em frente. Já se passaram tantos anos, mas não há nada que me alegre mais do que o sorriso daquela mulher."
Sorri. Entendia perfeitamente como ele se sentia. "Conte-me a história, então, George".
Detalhadamente, mantendo um sorriso sincero e o olhar nostálgico, o velho tenente contou toda a história de como conhecera sua amada Gisele. Como um clichê clássico de cinema – e de onde os clichês vêm? Em momentos de romance, a maioria dos casais sucumbe aos clichês; mulheres sempre adorarão flores, meu avô dizia – socorreu a linda moça em apuros de um ladrão qualquer que – felizmente! – roubara sua bolsa. Era sua segunda patrulha e os dois se apaixonaram instantaneamente.
"Ah, os velhos tempos!", George se alegrava.
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Liberte-se
Mystery / ThrillerObra disponibilizada na íntegra para o Wattpad. Skoob: https://www.skoob.com.br/livro/511410ED517738 Para adquirir o livro pela Amazon: http://www.amazon.com.br/Liberte-se-Matheus-Mundim-ebook/dp/B00ZPSLZHE/ Convite: O passado nos constrói e nos co...
