Capítulo V - Um Espectro Ronda Circodema / Parte 1: James Morris

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Seguira Edgar por todo o percurso, guiado até os portões de um funeral que eu mesmo ocasionei; vivenciei uma sensação um tanto estranha por um momento. Mantive a discrição no trajeto, mas nada que beirasse o imperceptível. Dizem as más línguas que você já fora melhor, Sr. Visco.

Apesar das perseguições mostrarem-se gradativamente mais entediantes e cansativas, naquele momento faziam-se cruciais. Quem está fazendo o papel de detetive agora, Edgar? Minha espera, contudo, fora premiada, fazendo-me questionar por um momento se seria a paciência o maior mérito que um homem poderia alcançar.

Aguardava em meu carro, um cigarro aceso (como de praxe), quando o casal saíra do cemitério. A imagem dos dois desviara minha atenção, fazendo-me não notar as cinzas caindo sobre minha camiseta – não antes delas me queimarem.

"Porra!", disse eu espanando-as. O tecido ficara com alguns furos; malditos meteoros.

Voltei, então, os olhos ao par de pombinhos e, para minha alegria e surpresa, Edgar simplesmente empurrava um velho senhor ao chão. Inacreditável como o pobre desgraçado estava, de fato, perdido.

"Edgar, seu tolo infeliz!", o riso estampava meu rosto.

Acompanhei-o até que ele entrasse em seu carro e disparasse, sozinho, para qualquer lugar longe de sua vergonha e desespero. Tal acontecimento fazia jus a uma comemoração. Meu caro Edgar Visco estava na fronteira da insanidade; um brinde à vitória e à justiça. Um brinde ao bom rapaz, James Morris, por sua paciência e trabalho duro, pois não fora fácil chegar até tal momento, como todos sabemos!

Passava das quatro horas; algum bar deveria estar aberto.

"Eddie, Eddie...", liguei o carro, mantendo o riso.

Uma certeza pairava sobre mim: o fim estava próximo.

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