Minada 2

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Não sabia quanto tempo havia passado.

A primeira coisa que percebi ao abrir os olhos foi a claridade difusa, invadindo o cômodo através de uma janela parcialmente coberta por uma cortina escura. A luz não era forte, tampouco agressiva, mas ainda assim me obrigou a apertar as pálpebras como se meus olhos estivessem há dias imersos naquela escuridão.

O cheiro do ambiente era peculiar... uma mistura de madeira antiga, tecido limpo e algo sutilmente metálico, talvez esterilizado. Tudo ali parecia tão diferente alheio de tudo que até então conhecia.

Meus olhos percorreram lentamente os detalhe, absorvendo aquele espaço estranho. As paredes eram revestidas por uma tonalidade acinzentada, cortadas por linhas pretas que formavam estruturas reforçadas, como se aquele dormitório fosse, na verdade, parte de algum tipo de instalação militar, algo preparado para resistir muito mais do que o mundo comum oferecia. Havia uma pequena cômoda no canto, uma poltrona encostada na parede lateral e sobre ela, uma manta dobrada. Uma mesa simples metálica ocupava outro lado do quarto, com alguns papéis, um rádio desligado e o que parecia ser um kit médico fechado cuidadosamente.

O colchão abaixo de mim era firme, porém confortável, coberto por lençóis brancos e extremamente organizados. Meu corpo estava parcialmente coberto e só então percebi o quanto os músculos doíam, como se cada fibra estivesse tensionada. Havia um leve formigamento nos braços e nas pernas, quando tentei mexer a mão esquerda, senti imediatamente o tecido pressionando levemente, uma faixa cuidadosamente aplicada, não desconfortável.

Levei os olhos até ela observando com mais atenção... era limpa, sem sinais de sangue, o que de certa forma aliviou o aperto insuportável no peito. Provavelmente os cortes causados pelos estilhaços não haviam sido tão profundos, acho que superficiais, o suficiente para não deixar sequelas além daquela ardência incômoda que parecia pulsar junto das batidas do meu próprio coração.

Respirei fundo.

Ou melhor...tentei respirar fundo, porque o simples ato de encher os pulmões parecia exigir mais energia do que eu de fato possuía naquele momento. Havia um peso no peito, não físico, mas emocional, um aperto sufocante, angustiante, que se agarrava na garganta, impedindo qualquer tentativa de manter a calma.

Simon...

No instante em que aquele nome tomou forma no fundo da consciência, tudo ao redor pareceu vacilar, e o pavor percorreu minhas veias com tanta força que senti meu estômago revirar no mesmo segundo.

Onde ele estava?

Estava vivo?

Será que... será que tinha conseguido resistir?

Me forcei a erguer minimamente o tronco, apoiando os cotovelos contra o colchão, e uma leve tontura tomou conta dos meus sentidos, fazendo o quarto girar por alguns segundos até que tudo voltasse lentamente ao eixo.

Foi quando ouvi...

O estalo metálico que anunciou a chegada veio seguido por um caminhar decidido contra o piso polido, invadiu o cômodo e me fez imediatamente levar os olhos na direção da porta com o coração disparando de maneira tão absurda que parecia querer arrebentar as costelas.

A porta se abriu lentamente.

Algo vibrava por dentro, apertando o tecido do lençol quando minha mente oscilou entre a esperança e o medo, entre a possibilidade de que fosse ele... ou qualquer outra coisa que minha mente, absurdamente traumatizada, ousava imaginar.

— Ah… você acordou. — A voz masculina soou baixa de tom sereno.

Meus olhos buscaram desesperadamente o dono daquela voz, e foi então que ele surgiu por completo atravessando o batente da porta e se posicionando a poucos passos da cama.

Darkness - Tenente RileyHistórias para pegar e não largar. Descubra agora