Minada 1

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Meu nome é S/n Mikhailova, nascida e criada nos arredores de São Petersburgo, filha única de uma família que sempre acreditou na disciplina, na independência e na resiliência, cresci compreendendo que nada nesta vida seria entregue sem esforço, sacrifício e acima de tudo, sem uma dose generosa de renúncia.

Nunca fui o tipo de pessoa que acreditava cegamente na ideia do amor perfeito, desses que preenchem páginas clichês ou fazem parte de histórias que terminam com promessas vazias de felicidade eterna, sempre fui cética, desconfiada por natureza, talvez pela forma como a vida insistiu em me ensinar que tudo o que é belo também pode ser perigoso, que tudo o que brilha demais esconde sombras que poucos estão dispostos a enxergar. Passei tanto tempo acreditando que minha vida jamais ultrapassaria os limites de uma existência comum, que meus dias seriam apenas repetições previsíveis, preenchidos por rotinas que me mantinham em segurança, longe do inesperado, longe do desconhecido... até que ele apareceu, meus olhos cruzaram com alguém que, desde o primeiro instante carregava o tipo de presença que faz qualquer um questionar se está de fato preparado para o que está prestes a acontecer. Riley... nunca esquecerei seu nome nem o modo como ele soou da primeira vez que me foi apresentado. Conhecemo-nos em circunstâncias que muitos classificariam como improváveis, confesso que sequer deveria estar naquele lugar, muito menos naquele horário, muito menos cruzando caminhos com alguém como ele, alguém que não pertencia a este mundo comum.

Riley nunca soube ser gentil, nunca aprendeu a suavizar quem ele é, tampouco fingiu ser algo diferente pelo fato de ser soldado das Forças Especiais da Federação Russa, homem frio, calculista, estrategista, perigoso, e meu marido. Quase dois metros de pura ameaça, músculos tensos, ombros largos, braços tão fortes que poderiam, sem o menor esforço, partir qualquer coisa ao meio, sempre impecavelmente vestido naquele uniforme militar que já se tornou uma extensão do próprio corpo, botas pesadas, luvas negras, e o balaclava que raramente retira, mesmo dentro de casa, como se parte dele precisasse se manter escondida do mundo... ou talvez... de mim.

Durante anos construí uma vida simples, porém digna, trabalhando como tradutora na sede administrativa de uma empresa internacional que prestava serviços para o governo russo, meu trabalho, à primeira vista, parecia ordinário, traduzir documentos, contratos, comunicações oficiais, no entanto lidávamos frequentemente com conteúdos de caráter sensível, informações restritas, relatórios classificados, e foi exatamente nesse cenário em meio a protocolos de segurança e corredores silenciosos, que minha vida mudou por completo.

Lembro exatamente com absoluta nitidez do dia em que o vi pela primeira vez, não há sequer uma possibilidade de que alguém o veja e simplesmente o esqueça, sua presença impõe respeito de forma automática. Ele havia sido designado para uma reunião de caráter confidencial, representando um dos setores mais restritos das Forças Especiais, lembro-me de observar aquela figura atravessando os corredores da empresa, impondo silêncio absoluto por onde passava, vestindo aquele uniforme tático impecável.

Darkness - Tenente RileyHistórias para pegar e não largar. Descubra agora