A porta do quarto arrebentou contra a parede com tamanha brutalidade que a moldura pareceu estremecer inteira, um ruído seco que se espalhou pelo espaço estreito, atravessando o ar como uma onda que não me concedeu em nenhum momento a chance de compreender o que acontecia.
O impacto foi tão abrupto que minha coluna se chocou contra a parede áspera, esmagando-me entre a parede e o calor brutal dele. A lâmina de um coldre raspou minha cintura, mas não era a arma que me ameaçava.
— Você me sabotou. — Refletiu, pelo seu tom podia ter certeza que ele estava puto. E muito.
— Não foi intencional. — Mentira. Eu sabia exatamente o que tinha feito.
A pegada em meu maxilar forçou meus olhos a encontrarem os dele por trás da máscara. A escuridão naqueles olhos era um abismo, pensei que ele me jogaria lá dentro.
— Intencional ou não, você quase me matou.
— Você ia matá-lo. — Tentei me justificar, mas soou como uma acusação.
— Era a missão. — Outro avanço. Agora, eu sentia o calor do corpo quase em mim.
— Missão errada. — Retruquei, levantando o queixo com dificuldade pelo seu aperto. Quem ele pensa que é para me tocar desta forma!?
Ele parou. Apenas um pé de distância. Se eu esticasse a mão, poderia tocar no coldre, na faca, ou seu peito largo sob o colete tático.
Eu não ia ficar parada me deixando intimidar. num gesto rápido impulsionei meu braço contra o pulso que segurava perto do pescoço, quebrando o contato de imediato.
— Tira a mão de mim, Ghost. — Debati, esfregando a pele onde seus dedos tinham deixado marcas.
Ele não recuou. Ao invés de recuar, aproximou-se silenciosamente dobrando a distância entre nós.
— Ou o que? — Desafiou, um murmúrio escapava dos lábios.
— Ou você vai descobrir que não sou tão fácil de controlar quanto pensa!
As pálpebras dele se cerraram, concentrando toda atenção em mim, achei que ia me jogar contra a parede de novo. Porém, o ouço rir.
Um riso surgiu de sua garganta reverberando de um jeito que fez meu estômago apertar, uma sensação involuntária que me percorreu inteira.
— É por isso que você fez o que fez? — Falou. Desta vez calmamente sem qualquer emoção. — Para me provar alguma coisa?
— Não preciso provar nada pra você. — Mentira de novo. Toda a minha vida tinha sido sobre provar algo.