Na sombra dele 4

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O salão engoliu nossos passos, cada coluna projetando sombras longas que pareciam se mover sozinhas. Soap avançou pela direita com rifle colado à bochecha, Gaz cobriu a retaguarda sem perder o foco. Ghost permaneceu quase grudado em mim, como se quisesse impedir qualquer avanço que não fosse supervisionado por ele.

Minha irritação latejava a cada vez que percebia sua presença controladora atrás do ombro. Eu queria liberdade de ação, queria provar que podia sustentar o peso de uma linha de frente sem que alguém pairasse sobre mim feito carcereiro.

Um barulho seco, metal arrastando contra concreto quebrou o silêncio. Meus olhos dispararam para a esquerda, identificando movimento entre as caixas empilhadas. Inclinei o corpo para alinhar a mira preparada para disparar. Só que não tive tempo.

Algo surgiu rápido do meu ponto cego.

Um vulto avançou do corredor lateral e antes que eu pudesse reagir, a coronha de um fuzil atingiu minha têmpora com violência. O impacto explodiu em dor aguda até escurecer minha visão por longos segundos, um zumbido preenchendo meus ouvidos. O rifle quase escorregou da minha mão, mas apertei com força respirando pela dor, lutando para manter o equilíbrio.

Não bastou.

O agressor me agarrou por trás, braço grosso deslizando pelo meu pescoço até travar em volta dele.

Um mata-leão, pressão esmagando a traqueia, ar escapando como se alguém tivesse arrancado os pulmões de dentro do meu peito. Minhas mãos agarraram o antebraço que me prendia, unhas cravando na manga áspera, mas era inútil. Cada puxão só parecia apertar mais o laço.

Quis gritar, mas como, se a própria voz era sufocada? Eu me odiava por sentir ou por não ser rápida o suficiente. Era como se todas as provas que eu tentei dar a mim mesma se desmontassem em segundos. Eu odiava a sensação de perceber que não era indestrutível, admitir que naquele instante não era soldado, combatente, nem nada além de uma pessoa lutando para respirar. Estranho como o tempo se alonga quando a morte se insinua.

A respiração falhava, quebrada, engolida pela escuridão que se infiltrava nos cantos da visão. O coração martelava como tambor de guerra, sangue pulsando nos ouvidos, abafando tudo. A mente gritava ordens para reagir, ainda assim, um pensamento frio atravessou por dentro. É agora… minha hora.

Nenhuma brecha, nenhum erro do inimigo. Só o peso esmagador do braço contra minha garganta e a certeza de que meu corpo começava a desistir.

Não, não posso cair agora.

Vozes ecoaram ao redor. Desesperadas. Fragmentadas. Não consegui distingui-las de imediato. Um rugido abafado, talvez Ghost, talvez Soap. Depois outro som, mais perto o estalar de botas correndo no concreto, ordens cuspidas em estalos metálicos pelo rádio.

Um rugido cortou a penumbra dos meus ouvidos, forte, autoritário, carregado de desespero contido. Ghost. Eu reconheceria aquele timbre em qualquer lugar. Só que agora vinha distorcido.

O aperto no meu pescoço se intensificou até o ponto de não haver mais diferença entre dor e fogo. Era como se uma lâmina incandescente tivesse sido enfiada sob a pele e deixada para torturar. As pernas não sustentavam mais peso pois pendiam inúteis presas.

A escuridão veio com violência reduzindo a visão até eu enxergar apenas as manchas borradas, vultos indistintos. Eu acreditava já ter desmaiado, embora parte de mim ainda estivesse presa em um limbo estranho de nem viva, nem apagada por completo. Se isso era morrer, lento, cruel e inevitável.

Darkness - Tenente RileyHistórias para pegar e não largar. Descubra agora