Na sombra dele 2

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O primeiro raio de luz filtrando pelas persianas não despertou imediatamente. Um toque leve no meu ombro provocou um sobressalto, alguém me cutucava com insistência.

Girei o rosto, ainda coberta pelo lençol, tentando organizar pensamentos que insistiam em se atropelar. Cada músculo do corpo gritava de cansaço, e minha cabeça latejava levemente. Minha mente voltou automaticamente para Ghost, uma pontada de vergonha me queimou de novo.

— Ei. — A pronúncia familiar de Soap cortou a penumbra do quarto, carregada de preocupação e aquele toque de impaciência.

— Soap… — Murmurei de garganta seca, as mãos pressionando a cama. — Que horas…?

— Tarde demais para você dormir a noite inteira. — Cutucou novamente. — Já é hora de levantar..

O ar fresco entrando pela janela fez meus braços se arrepiarem. Tentei abrir os olhos, falhando, quase dormindo novamente.

— Você parece exausta. — Acrescentou, abaixando um pouco analisando meu estado, observando cada sinal de fadiga,

— Não… é nada, apenas… — Pausei, incapaz de formar palavras coerentes. — Uma noite difícil.

Notei o sorriso maroto dele, tentando parecer sério enquanto cutucava meu ombro novamente.

— Já chega, Soap… — Murmurei, arrastando os braços sob o travesseiro e tentando recuperar algum espaço de conforto. — Não precisava me acordar assim.

Inspirei profundamente, esticando os braços acima da cabeça, sentindo os músculos ainda doloridos da noite anterior, mas um corpo mais descansado.

— Eu insisto, garota. Levanta. — A cutucada final veio leve.

Afundei ainda mais no travesseiro, puxando o lençol até a altura do rosto. A cama estava gelada por baixo, mas o calor que tinha acumulado ao longo da noite parecia ter me grudado ali. O corpo simplesmente se recusava a obedecer.

— Mais cinco minutos… — pedi, meu murmúrio abafado contra o tecido. — Só cinco.

— Cinco minutos viram meia hora contigo. — Ele balançou a cabeça, e pelo jeito não tinha paciência para negociações.

Fechei os olhos, teimosa, tentando ignorar a presença dele. Quem sabe, se ficasse quieta, Soap desistiria. Quem sabe.

Não tive nem tempo de completar o pensamento: de repente, senti o peso dos braços dele me envolvendo, e em seguida o mundo girou.

— Johnny! — exclamei, agarrando o lençol instintivamente, quando percebi que estava sendo erguida. — Você não vai fazer isso…

— Ah, vou sim. — retrucou, divertido, a risada escapando fácil. — Se não levanta sozinha, eu levanto por você.

Me encolhi contra o peito dele, o calor da pele atravessando a camiseta. Era ridículo — eu treinava horas a fio, suportava marchas intermináveis, mas naquela manhã parecia não ter forças nem para brigar com Soap.

— Me coloca no chão! — protestei, batendo levemente no ombro dele, embora a vontade de rir começasse a me trair. — Eu consigo andar!

— Sei, sei… — murmurou, caminhando pelo quarto. — E daqui a pouco você voltava pra cama. Não caio mais nessa.

O corredor parecia maior do que o normal, ou talvez fosse só a sensação de estar sendo levada como uma criança de colo.

Como alguém podia ser tão forte e ainda carregar com tamanha naturalidade?

Darkness - Tenente RileyHistórias para pegar e não largar. Descubra agora