A consciência voltou pesada. Senti um latejar surdo e persistente na região lombar, consequência de horas entaladas no chão de concreto. Os músculos protestavam, travado numa posição desconfortável. Meus ossos pareciam ter fundido com a superfície gelada do depósito.
Um gemido escapou dos meus lábios antes que eu pudesse contê-lo. Abri os olhos. A escuridão absoluta tinha dado lugar a um cinza sujo, uma penumbra leitosa que se infiltrava pela fresta inferior da porta. Manhã. Ou algo parecido. As 24 horas tinham passado? Dormi?
Tentei me levantar com um movimento trêmulo e desengonçado. O mundo girou por um instante, minha visão escurecendo nas bordas. Apoio contra a parede áspera, ofegante.
A porta se abriu de repente sem dar tempo de organizar melhor meus pensamentos.
Não foi ele.
Era um soldado jovem de rosto cansado, segurando um rifle com desprendimento. Ele nem sequer olhou direito para o meu estado lastimável.
— Pode voltar pro seu alojamento. — A declaração foi burocrática. Ele fez um gesto vago com a cabeça, indicando o corredor.
Sai cambaleando, minhas pernas desacostumadas com a posição vertical. A luz fraca dos corredores do abrigo, mesmo fosca, arrancou lágrimas dos meus olhos.
Caminhei como um sonâmbulo, guiada mais por memória muscular do que por pensamento. A raiva que me sustentou antes tinha evaporado, deixando para trás um resíduo de embotamento e uma pulga atrás da orelha que não parava de coçar. O que realmente aconteceu?
Minha cabana surgiu à frente quando sai.
A base era imensa quando vista de dentro. Não parecia um “abrigo”, parecia uma cidade improvisada que alguém montou com o que sobrou do mundo.
Tudo era a céu aberto com barracas grandes de lona preta, ou um verde militar, algumas remendadas com fita adesiva e pedaços de tecido. Cabos passando por cima como cipós elétricos deixando algumas lâmpadas e luzes de decoração, porém era mais pra iluminação lugar.
Tinha fogueiras pequenas controladas em tambores cortados ao meio. Pessoas andando em grupos pequenos batendo papo, comendo ou apenas olhando em volta, aqui nunca tinha muito o que fazer mesmo.
Os guardas armados patrulhavam os corredores de terra batida entre as cabanas.
Eu caminho rápido de cabeça baixa, tentando parecer… normal. Só mais uma sombra cansada indo dormir. O chão ainda estava frio de noite. Meus pés doíam dentro do coturno. Meu corpo inteiro parecia um hematoma ambulante.
Chegando lá empurro o pano da minha cabana, o ar morno e parado do pequeno espaço envolvendo-me como um cobertor velho. Estava exatamente como deixei, o colchão no chão, o cobertor dobrado com um cuidado e minha mochila encostada na parede com meus poucos tesouros mundanos.
Fecho o zíper atrás de mim. O silêncio aqui era diferente. Deixei escapar um suspiro longo e trêmulo que parecia carregar consigo os últimos vestígios do pânico do depósito.
Havia chuveiros coletivos improvisados perto da ala norte. Às vezes tinha água quente ou só água gelada. Às vezes nada. Mas só a ideia de tirar aquela sujeira da pele… precisava tentar.
Peguei qualquer coisa pra trocar, uma camiseta escura, moletom largo, uma calça velha que não machucava tanto as coxas. Prendi o cabelo num rabo de cavalo malfeito. Antes de sair, abri a gaveta da caixinha. O chocolate ainda estava lá. Sorri de canto cansada. Não hoje.
O corredor até os chuveiros estava cheio. Um fluxo constante de gente, vozes baixas se embolando no ar, discussões sussurradas e, no meio de tudo, a risada estridente de sempre.
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Darkness - Tenente Riley
FanfictionMeu instinto é correr em direção ao perigo. Vou continuar observando e esperando. Até eu conseguir torná-la minha. E assim que ela for minha, nunca irei deixá-la ir. ﹌﹌﹌﹌﹌﹌﹌﹌﹌﹌﹌﹌﹌﹌﹌﹌﹌﹌﹌﹌ Copyright © [2022] por Nana. "Nenhuma parte desta obra pode se...
