sangue ferveu

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R7
Mano... meu sangue simplesmente ferveu.

Quando ouvi a Cláudia gritar "você tá grávida", meu corpo travou na hora. Senti como se o chão tivesse sumido debaixo dos meus pés. Meu coração começou a bater descompassado, minha mente tentando entender o que tava acontecendo, mas... nada fazia sentido.

Grávida?
A Morena?
Logo agora?

Olhei direto pra ela, e ela desviou o olhar. Aquilo me matou por dentro. E o pior... o Caveira tava ali do lado, também ouvindo tudo. Aí que a bomba pesou de vez.

"Se for dele..." — essa frase martelava na minha cabeça sem parar. Só de imaginar essa possibilidade, minha visão escureceu, minha mão fechou em punho sozinha.

Que ódio, mano. Que raiva da porra.

Eu, que tava aqui todo confuso com meus sentimentos, achando que ainda dava tempo de consertar as merdas que fiz, de falar o que eu realmente sinto por ela... recebo essa notícia como um tapa na cara.

Será que é dele mesmo?
Será que ela já tava com ele naquele tempo?
Ou será que é meu e ela nem quis me contar?

perdidão. Não sei se fico puto, se fico triste, se vou tirar satisfação agora ou se viro as costas e deixo tudo pra lá.

Mano, a vontade que eu tive foi de sumir dali.

MORENA

Na hora que a Cláudia gritou "você tá grávida!" pro pagode inteiro ouvir, eu perdi a noção. A adrenalina bateu, o desespero subiu, e sem pensar... dei um tapa nela.

— Tá maluca, fia?! — falei no impulso, com os olhos arregalados. — Agora fudeu tudo de vez...

Já era, geral ouviu. E como se não bastasse, o Caveira veio na minha direção igual um foguete. Me abraçou apertado, e ainda meteu um beijo na minha bochecha, olhando direto pro R7 com aquele olhar de deboche, tipo: "agora é minha."

Ele tava fazendo cena, óbvio. Queria provocar.

Tentou me beijar de novo, mas virei o rosto, fui me afastando, sem dar muita abertura. Só que ele tava todo feliz, com aquele sorriso largo no rosto, achando que o filho era dele. Já tava se sentindo o pai do ano, falando baixo no meu ouvido:
— Cê não sabe o quanto eu tô feliz com essa notícia, Morena…

Eu só balancei a cabeça, engolindo seco, sem conseguir falar nada. Por dentro, eu tava uma bagunça.

Não resisti… dei uma olhadinha rápida pro R7.

Ele tava parado, firme, com aquele jeitão marrento de sempre. Mas o olhar… ah, o olhar entregou tudo. Tava triste. Tava decepcionado.
Mas também tava com raiva.

A noite tava pesando, e o clima só piorava.

O Caveira já tava bêbado até a alma, gargalhando alto, abraçando a Morena como se fosse o rei da porra toda. Mas ela… ela tava esquisita. Olhos marejados, a mão no estômago, pálida. Tava nítido que o enjoo tava batendo forte.

Ela se inclinou perto dele e falou baixo:
— Tô passando mal, vou no banheiro rapidinho.

Ele, com o copo na mão e o juízo longe, só acenou com a cabeça.

A Morena saiu meio cambaleando, e o R7, que tava no canto observando tudo com os olhos de águia, sentiu na hora que tinha algo errado. Não pensou duas vezes e foi atrás, direto.

Ela entrou no banheiro, e ele esperou só uns segundos antes de entrar também, sem fazer alarde. Só que um dos vapores do Caveira, que tava de olho desde o começo, sacou rapidinho o movimento, já ficando alerta.

Lá dentro, R7 encontrou ela ajoelhada no chão, vomitando no vaso.
Na hora, ele se abaixou, segurou o cabelo dela com cuidado, passando a mão nas costas dela pra tentar acalmar.

— Morena... depois que cê melhorar, vamo trocar uma ideia? Preciso saber de tudo, sem enrolação — ele disse, com a voz mais baixa e sincera do que nunca.

Ela respirou fundo, ainda fraca, se apoiando na pia, os olhos nos dele.
— R7… o filho que eu tô esperando… é teu.

Silêncio. O tempo parou dentro daquele banheiro.
O coração dele disparou, o mundo pareceu girar mais devagar.
Ele travou. Piscou umas três vezes, tentando processar.

— O quê? — ele soltou, quase sem ar.

— É teu, caralho — ela repetiu com firmeza, mas a voz embargada. — Eu só não te contei antes porque tava com medo… medo de tudo, de você, do Caveira… de mim.

Mas nem deu tempo de continuar.

PÁ PÁ PÁ — batidas fortes na porta.
— Ô Morena! — era o vapor do Caveira — Desembola aí, o cara tá te chamando já!

Desesperada, ela ajeitou o vestido, limpou a boca com papel, e antes de sair, lançou um último olhar pro R7, cheio de culpa, dor e amor engasgado.

— A gente se fala depois… se der.

E saiu, deixando ele ali, parado, com a respiração travada e um turbilhão de sentimentos rodando dentro do peito.
Ele nem piscava.

Agora ele sabia a verdade.
Mas o mundo lá fora… não fazia ideia da bomba que tava prestes a estourar.

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