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R7
Mano… eu tô bugado.

Quando ela falou que o filho era meu, um bagulho estranho tomou conta de mim. Um misto de felicidade e pavor, tá ligado? Tipo, vou ser pai… isso me deu um baque. Nunca me vi nesse papel, mas saber que tem uma parte de mim crescendo dentro dela… mexeu com tudo aqui dentro.

Voltei pro pagode com o coração na boca, tentando disfarçar, mas tava tenso pra caralho. E como sempre, o Caveira já tava me encarando, com aquele olhar de desaforo. Sorte dele que o barraco é na quebrada dele... se fosse na minha favela, já tinha resolvido isso de outro jeito.

Ele tentava se encostar na Morena, sussurrando no ouvido dela, botando a mão na cintura, mas ela se afastava toda vez, com aquela cara de quem tá pegando nojo. Eu vi no olhar dela — não queria aquilo, tava desconfortável, quase forçando um sorriso pra não levantar suspeita.

E eu ali, me segurando no limite, com a mão fechada no bolso e o coração pedindo pra ir até ela, tirar ela dali, falar que ela não precisa mais fingir nada. Porque mesmo com tudo o que rolou… mesmo depois de toda a merda… eu ainda amo aquela mulher.

Mas não tenho sangue de barata, parça. Ela tá esperando um filho meu, e ver aquele cara achando que tá por cima, me embrulha o estômago.

Na hora que eu ia colar de vez, tirar satisfação, o dono do Dendê se aproximou e disse baixo no meu ouvido:
— R7, não faz besteira aqui, cê sabe como funciona... E outra... o caso da Morena com o Caveira vem de longa data, irmão. Não mete o louco.

Fiquei travado.
“Caso antigo?”
Comecei a matutar. Será que esse bagulho deles vem de antes de mim? Será que ela já tava nesse rolo e eu fui só um passatempo?

Essa dúvida me destruiu por dentro. Fiquei em silêncio, só observando de longe. Me afastei devagar, com a mente rodando e o peito apertado.

Amar, eu amei. De verdade. Talvez ainda ame.
Mas naquele momento… a única coisa que eu quero dela… é o meu filho.
Mais nada.

Morena

Sério… eu não aguentava mais aquele bafo de cachaça do Caveira colado em mim. O cheiro tava me dando ânsia de vômito real, ainda mais com a gravidez me deixando sensível pra tudo. Ele falava no meu ouvido, agarrando no meu braço, como se fosse meu dono. Tava sufocante.

Aí ele soltou logo uma:
— Para de olhar praquele otário do R7... se eu pegar tu encarando ele de novo, quebr tua cara* assim que a gente sair daqui.

Olhei pra ele com nojo, engoli seco e fiquei na minha, mas por dentro eu tava fervendo. Tava cansada de viver com medo, de fingir. E foi por isso que… eu contei pro R7.

Preferi soltar logo a real — o filho é dele, sim. Não queria que ele achasse que eu tava com o Caveira antes, que o bebê podia ser dele ou que eu era mais uma qualquer. Não sou. R7 tinha o direito de saber a verdade.

E depois disso, ali no meio do pagode, o coração disparado e o estômago revirando, eu ainda sentia o olhar do R7 em mim. Mesmo de longe, mesmo quieto… ele tava lá. Me vendo. Me lendo inteira.

Tentei não olhar de volta, tentei resistir, fingir costume… mas era inevitável. Meu olhar sempre acabava buscando o dele, mesmo com o Caveira do meu lado me puxando pra perto, me prendendo como se eu fosse dele.

Mas a real é que... meu coração nunca foi do Caveira.
E agora, nem só meu coração —
Tô carregando dentro de mim uma parte do R7.
E isso... ninguém tira.








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