forças

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clima no pagode parecia prestes a explodir. Caveira sentia o corpo tenso, o rosto fechado, enquanto R7 observava de longe, olhos queimando com uma mistura de surpresa e uma raiva silenciosa. A morena, no meio dos dois, sentia o peso da tensão como uma nuvem pesada prestes a desabar.

Caveira apertou mais o braço dela, num gesto que queria ser posse, mas que só parecia um aviso de ameaça.

- Eu já disse, não fica olhando pra ele, ouviu? - rosnou Caveira, o tom baixo, carregado de ameaça.

Ela engoliu em seco, o medo crescendo no peito. Olhou pro R7, que estava parado alguns passos adiante, com as mãos fechadas em punhos, respirando fundo pra não perder o controle ali mesmo.

- Eu... eu quero ir embora - disse ela, voz trêmula, tentando afastar a pressão nos ombros.

Caveira ergueu a sobrancelha, desconfiado. - Ir embora? Agora? Achando que a gente vai deixar barato?

R7 deu um passo na direção deles, a voz firme, controlada, mas cheia de uma tensão mal contida:

- Deixa ela ir. Ela não precisa desse clima.

O olhar da morena se encheu de um misto de alívio e nervosismo. Ela não queria mais briga, não queria mais medo. Só queria sair dali, respirar em paz.

- Por favor - sussurrou, quase implorando, puxando o braço de Caveira, tentando se soltar.

Por um instante, Caveira hesitou, a raiva dando lugar a algo mais complexo. Mas o olhar de R7, firme e decidido, fez ele recuar, só um pouco.

- Vai, então - Caveira murmurou, os dentes cerrados. - Mas fica longe do meu caminho.

A morena nem precisou pensar duas vezes. Virou de costas, acelerou o passo pra fora daquele lugar carregado demais de tensão e medo.

Atrás dela, os dois ficaram, a atmosfera densa, pronta pra explodir, mas por enquanto, contida pela escolha dela - e pela vontade de não fazer dela mais um motivo pra briga.

Morena

Pelo menos consegui falar pro R7 que ele é o pai. Isso já era um peso a menos no meu peito, mesmo que a tensão continuasse martelando na minha cabeça.

Mal consegui respirar direito quando entrei no carro. O corpo parecia que ia desabar, a cabeça rodando e o estômago embrulhado. O vapor quente do motor só me fez lembrar daquela casa fria e sombria no Alemão - aquele lugar que sempre me dava calafrios, sabe?

Cheguei lá, cambaleando, e fui direto pra cama. Deitei, fechando os olhos por um instante, tentando afastar aquele medo que me dominava. Minha mão foi instintivamente até minha mini barriguinha, acariciando devagar, como se quisesse proteger aquilo que ali crescia.

Aquele bebê era minha força - a única coisa real e minha de verdade, no meio de toda essa confusão. Respirei fundo, sentindo o coração batendo acelerado, mas um fio de esperança nascendo junto com o medo.

Eu precisava me cuidar. Precisava ser forte. Porque, mesmo com tudo, aquela vida que eu carregava era minha promessa de um futuro diferente.
Mas e os fantasmas do passado? Eles ainda estavam bem ali, me olhando de perto...
E eu não podia fugir pra sempre.

R7
Dia seguinte

Eu tava no QG, mas minha mente não desgrudava da morena. A cena dela pedindo pro Caveira deixar ela ir embora rodava no meu peito feito um filme ruim. Queria entender o que rolou, por que ela tava naquele sufoco, naquela prisão disfarçada de relacionamento. Tava desconfiado, queria investigar tudo pra proteger ela do que viesse.

Aí, no meio do corre, um dos vapores chegou com o celular na mão, jogando na minha cara uma publicação do Caveira. Era uma foto dos dois - ele com a mão na barriga dela, todo sorridente, tipo "agradecendo a Deus pelo presente que é o bebê".

Meu filho.

Me bateu forte no peito, misto de raiva, medo e esperança. Como é que o Caveira podia se fingir de bom pai assim, se ele tava fazendo ela sofrer? Se ontem mesmo, segundo o que eu soube, ele bateu na morena, soltou ameaça que nem homem merece fazer: disse que, se ela fugisse, ia espalhar fotos dela nua na internet.

Pô, isso não é vida, não. Vi as lágrimas dela, o desespero no olhar...

Ela chorava, com medo, com vergonha, e eu aqui, querendo chegar junto, proteger, salvar ela desse inferno.

Mas a verdade é que eu não podia chegar lá e simplesmente pegar ela, não era assim que funcionava. Tinha que ser esperto, tinha que bolar um plano pra tirar ela daquele sufoco sem piorar a situação.

Fiquei ali, olhando a foto, sentindo a responsabilidade crescer dentro do peito. Meu filho tá naquela barriga, e minha missão agora é garantir que ele cresça longe desse veneno que o Caveira espalha.

- Mano, isso aqui tá feio demais - falei baixo, mais pra mim mesmo. - Mas eu vou tirar essa mina dessa roubada. Nem que eu tenha que quebrar tudo.

Quer que eu continue daqui, ou quer que eu faça na voz da morena agora?

Dia seguinte - R7 narrando

Tava no QG, mas a morena não saia da minha cabeça. A cena dela pedindo pro Caveira deixar ela ir embora não saía do meu peito, e eu queria entender melhor o que tava acontecendo pra ela tá daquele jeito, tão presa, tão assustada.

No meio do corre, um dos vapores chegou com o celular na mão, jogando na minha cara uma publicação do Caveira. Era uma foto dos dois - ele com a mão na barriga dela, todo sorridente, agradecendo a Deus pelo "presente" que era o bebê.

Meu filho.

Fiquei ali parado, sentindo uma mistura doida de raiva e preocupação. O Caveira tava fazendo a maior pose de pai perfeito nas redes, mas a real é que a morena parecia presa naquele mundo, cheia de medo, e eu nem sabia exatamente o que rolava.

Eu via nos olhos dela uma coisa que não combinava com aquela foto bonita que o Caveira postava. Ela tava sofrendo, e isso me cortava por dentro.

- Mano, isso aqui tá muito errado - falei baixo pra mim mesmo. - Tenho que sacar direito o que tá pegando, e tirar ela dessa.

Não podia deixar meu filho crescer num lugar cheio de medo e mentira.

- Eu vou proteger ela. Nem que eu tenha que virar o jogo todo.

Continua...

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