Maldito buquê

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A manhã tava tranquila demais. Silêncio pela casa, o bebê dormindo no bercinho do lado da sala e Morena aproveitando pra ajeitar umas roupas no sofá. O som da rua mal chegava ali dentro, até que a campainha tocou.

Deve ser alguma encomenda do R7… — pensou, limpando as mãos no pano e indo atender.

Quando abriu a porta, um carteiro entregou um buquê de rosas vermelhas enormes, envoltas num papel fino e perfumado. Havia um cartão, mas estava em branco.

— Pra você, dona Morena. Assinar aqui, por favor. — disse o carteiro.

Ela assinou distraída, ainda olhando pro buquê com surpresa e um sorriso no rosto.

— Nossa... que lindas. — murmurou, levando as flores até o rosto e inspirando o cheiro doce.

O aroma era diferente… meio forte. Mas ela não se importou.

— Ai, R7... cê ainda me quebra com essas surpresas. — falou sozinha, com o coração bobo.

Deixou o buquê na mesinha da sala, conferiu o bebê, que ainda dormia tranquilo, e foi pro quarto ajeitar o cabelo. Um tempinho depois, ouviu o barulho da porta abrindo. Era R7, voltando.

Morena desceu animada, largou tudo e correu até ele, deixando o bebê no bercinho.

— Amor… obrigada! — disse com um sorriso apaixonado, abraçando ele apertado, o rosto encostado no peito dele.

R7 franziu o cenho, confuso.

— Obrigada pelo quê?

— Pelas flores… são lindas. Tô até emocionada. Não precisava, amor…

Ele ficou parado por um segundo, processando.

— Que flores, Morena?

Ela recuou devagar, confusa.

— Ué… o buquê que o carteiro entregou agora há pouco. Tá ali na sala…

R7 ficou sério na hora. O semblante mudou completamente. Ele atravessou a sala, viu o buquê em cima da mesa. Caminhou até lá devagar.

— Morena… você cheirou essas flores?

— Sim, ué. Por quê? Tavam tão cheirosas, diferentes…

R7 não respondeu de imediato. Ele já conhecia aquele truque. Olhou pro buquê de novo, os olhos analisando cada detalhe. Quando voltou o olhar pra Morena, ela cambaleou um pouco.

— Qual foi? — ela murmurou, piscando devagar.

R7 correu e segurou ela nos braços antes que caísse.

Merda... — ele murmurou. — Morena... fica comigo. Fica acordada.

— Tá... tudo... rodando... — ela sussurrou, a voz falhando, os olhos pesados.

— Merda, merda, merda! — R7 gritou, colocando ela devagar no sofá e pegando o celular no bolso. — É o Caveira… esse maldito tá tentando pegar ela pelas beiradas.

Enquanto isso, o bebê começou a choramingar no berço, sentindo a ausência da mãe.

R7 pegou a manta, cobriu Morena e correu até o berço.

— Calma, filhão… papai tá aqui. Ninguém vai tocar em vocês.

Ele olhou pra janela, depois de volta pro buquê. A fúria nos olhos dele era nítida. Pegou as flores com cuidado usando um pano, já imaginando o que tinha ali.

— Você quer brincar de guerra psicológica, né, Caveira?

R7 pegou o celular e mandou mensagem pros manos do bonde:

Alerta máximo. Alguém entregou um buquê adulterado aqui em casa. Quero câmeras da rua agora. Quem entregou. Quem passou perto. Vão atrás desse carteiro. Rastreia tudo. NÃO É BRINCADEIRA.

A guerra tinha acabado de mudar de nível.
Agora…
Era pessoal.

Continua...

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