Mente barulhenta

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No dia anterior...

O R7 chegou no apê com o Arthur pendurado no braço, o moleque rindo todo bobo.
- Olha quem veio ver a Mamãe - ele falou, abrindo a porta.

- Meu príncipe! - eu já abri um sorrisão, agachando pra abraçar o Arthur. - Tava com saudade de você, sabia?

- Eu também, mãe - ele respondeu, me apertando.

A gente ficou um tempinho na sala, o Arthur falando sem parar, contando coisa da escola, do videogame, dessas coisas de criança. Eu olhava e sentia aquele calor no peito... porque, no fundo, ele sempre foi meu menino também, mesmo sendo filho de criação.

Depois de um tempo, soltei:
- R7... o Arthur pode dormir aqui comigo hoje?

Ele parou, ficou sério.
- Então... ainda tenho que trocar uma ideia com a vó dele sobre isso.

Dei uma murchada na hora.
- Poxa, só hoje...

- Morena, calma... não é que não pode. É que eu quero resolver do jeito certo. - Ele passou a mão na minha cabeça. - Relaxa.

Respirei fundo, sem querer forçar.
- Tá, vai... então leva o danadinho antes que ele me faça chorar.

Me despedi do Arthur com um beijo e um abraço apertado, e ele saiu dando tchau com a mãozinha.

O R7 já tava na porta quando soltou:
- Mais tarde eu vou brotar aqui.

Cruzei os braços, toda marrenta.
- Pra quê?

Ele deu aquele sorriso de canto.
- Pra ver o bebê.

Revirei os olhos.
- O bebê tá na barriga, R7. Não vai fugir.

- E daí? - Ele deu de ombros. - Quero ver assim mesmo.

Eu só balancei a cabeça, rindo de leve, mas por dentro já sabia... ele vinha mesmo. E quando o R7 falava que ia brotar, podia contar que era certeza.

A minha cabeça ainda tava organizando as coisas estou bem pensativa hoje.Logo veio na minha cabeça o Caic estou preocupada com ele

Já era de noite quando resolvi mandar mensagem pro R7:

- R7, tu sabe de alguma coisa do Caic? Tô tentando falar com ele desde cedo.

A resposta veio rápido:
- Um dos meus vapores disse que viu ele pegando umas paradas e saindo da Rocinha... depois sumiu.

Meu coração afundou.
- Só isso? Não sabe pra onde ele foi? Nem com quem?

- Não, morena. Só sei que saiu rápido, parecia até que tava evitando ser visto.

Me encostei na parede, sentindo a respiração pesar.
A última vez que eu tinha notícia do Caic, ele tava meio enrolado com uns moleques errados.
E agora... essa história de sumir assim? Não cheirava nada bem.

Segurei o celular com força e digitei de novo:
- Se tu souber de qualquer coisa, R7... qualquer coisa mesmo... me avisa.

Ele respondeu curto, mas firme:
- Relaxa. Eu vou achar esse moleque.

Mesmo assim, o peso no peito não passou.
E naquela noite, eu sabia que o sono não ia chegar fácil.

NARRADORA

rua tava silenciosa, mas a mente do R7 era barulhenta. Ele olhava pro celular ainda aceso com a última mensagem da morena...
"Me avisa se souber de qualquer coisa, sério."

Ele resmungou baixo, jogando o corpo pra trás no sofá improvisado do QG.

- Esse Caic... que merda tu se meteu, moleque?

Do lado de fora, o som abafado dos motores dos vapores cortava a madrugada. R7 acendeu um cigarro, os olhos perdidos na fumaça. Mas nem o cigarro tava dando aquele alívio que costumava dar.

O pensamento dele voltava sempre pra ela.

A morena.

Aquela carinha marrenta, o jeitinho manhoso de falar, e agora... ela tava grávida.
E era dele.

De repente, o celular vibrou.
Era ela.

Morena: "R7... tô meio mal aqui 😞 meu estômago tá ruim, acho que foi o lanche que comi 😵‍💫"

Ele nem pensou duas vezes. Pegou a jaqueta jogada na cadeira, falou rápido com um dos vapores:

- Bota a moto pra rodar. Vou ver a morena. Agora.

Na casa dela...

Morena tava sentada no chão do banheiro, abraçada nas pernas, suando frio. A testa molhada, a boca seca, e uma vontade de chorar misturada com um medo que apertava tudo por dentro.

Ela ouviu o portão bater, e a voz dele logo em seguida:

- Morena! Ô morena, cadê tu?!

Ela nem teve forças pra responder. Só deu um gemido baixinho:

- Aqui... no banheiro...

R7 entrou apressado, os olhos arregalados quando viu ela daquele jeito.

- Carai, morena! Por que tu não me ligou antes? Tá branca igual parede!

Ele se abaixou, pegando o rosto dela com cuidado. O toque dele era firme, mas carinhoso.

- É só enjoo... eu acho... - ela murmurou, quase chorando. - Tô com medo, R7... medo de perder esse neném...

Ele engoliu seco. Aquilo bateu nele diferente.
Ficou ali, ajoelhado ao lado dela, sem máscara, sem marra.

- Tu não vai perder nada. Tu vai ficar bem. O bebê também.

Ela encostou a testa no ombro dele, tremendo.

- Fica comigo hoje?

- Fico o tempo que tu quiser... marrenta.

Mais tarde, com ela dormindo já mais calma no sofá, encolhidinha, ele foi até a varanda e chamou dois vapores de confiança no rádio.

- Se liga... vamo ter que agir logo. O Caveira tá abusando. Tá ameaçando ela, e ainda por cima sumiu com o Caic.

- Tu acha que ele tá por trás?

- Eu tenho quase certeza. Só que agora não é mais só questão de orgulho. A morena tá grávida... e esse desgraçado não vai botar medo nela nunca mais.

Um dos vapores olhou sério:

- Tu quer que a gente derrube ele?

R7 respirou fundo, os olhos cortando a noite.

- Eu quero é acabar com ele. Mas sem barulho. Vai ser no cálculo.
Amanhã, vamo rastrear os passos do Caic. E se essa história tiver dedo do Caveira... ele vai cair.
Do meu jeito.

CONTINUA...

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