Depois daquele café da manhã cheio de amor e daquele buquê maravilhoso, eu jurava que o dia ia ser só aquilo. Um carinho aqui, um descanso ali... Nada demais.
Mas o R7 tava com aquele olhar estranho, meio misterioso. Ficou o dia inteiro me paparicando, mas sem desgrudar do celular, trocando mensagens baixinho, saindo pra atender ligações no corredor. Quando deu umas sete da noite, ele me chamou:
- Vai se arrumar. Quero te levar pra dar uma volta.
- Pra onde, homem? Tô cansada.
- Confia em mim, Morena... Só vai.
Bufei, mas fui. Botei um vestido soltinho, confortável, e deixei o cabelo solto. Quando voltei pra sala, ele já me esperava de pé, chave do carro na mão e aquele sorriso maroto no canto da boca.
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Entramos no carro e seguimos pelo asfalto. Eu até tentei adivinhar pra onde a gente ia, mas ele se manteve em silêncio, só com a mão na minha coxa e o olhar firme na estrada.
Paramos na frente de uma mansão. Sim, uma mansão mesmo, daquelas de filme. Eu olhei pra ele confusa.
- Que lugar é esse, R7?
Ele só abriu a porta pra mim e estendeu a mão.
- Vem. Você vai ver.
Entrei desconfiada, com o coração acelerado. O lugar era enorme, iluminado, com uma vibe chique e aconchegante. Dei mais alguns passos e, de repente...
- SURPRESAAAAA!!!
Levei um susto tão grande que levei a mão direto na barriga! Todo mundo tava ali! A Sasa gritando como sempre, a Cláudia com um copo na mão e um vestido colado, o GuiGui - meu viado favorito - com brilho nos olhos e babados na roupa, a Carina sorrindo igual criança, minha mãe emocionada, a Maria me chamando de "mamãe do ano", e até uns vapores amigos do R7.
A decoração era linda! Balões dourados e brancos, luzes piscando, um painel com meu nome escrito em letras douradas e uma mesa farta de doces - bolo de três andares, brigadeiro, beijinho, torta de limão... E outra mesa lotada de salgados: coxinha, empadinha, mini hambúrguer... Um sonho!
Me emocionei. Abracei cada um, mas fui direto agradecer quem mais fez tudo isso por mim.
- Obrigada, amor. Você não existe. - Você merece o mundo, Morena. E agora vai ter.
Beijei ele ali mesmo, com todo mundo olhando. Dane-se. Sentei numa mesa só com minhas faixas - as que me aguentam, me zoam, mas me amam.
Começamos a conversar, dar risada, fofocar, é claro.
- Agora me conta, GuiGui... - falei já sabendo que vinha bomba - é verdade que cê tá pegando um dos vapores do Caveira?!
Ele arregalou os olhos e levou a mão no peito.
- Morena! Me respeita que eu sou uma dama! - e já caiu na gargalhada, como sempre. - Mas é verdade? - Sasa já se meteu, segurando uma coxinha. - É verdade. Mas ele é diferente, meninas. Ele é tipo... um bandido sensível. - Sensível?! - Cláudia já caiu na risada - Ele que chorou ou você que fez ele chorar, Gui?!
- Ele que chorou! - GuiGui respondeu com orgulho - Depois que eu dei pra ele... o coração, quer dizer.
Todo mundo riu alto. A festa tava leve, engraçada, com amor de sobra no ar. Mas lá no fundo, eu sentia... Alguma coisa ainda vai acontecer. Porque na nossa vida, quando tudo tá bom demais, é aí que a guerra bate na porta.
(...)
A festa tava tudo! Risos, música boa rolando - um funk leve misturado com pagode - e as luzes coloridas refletindo nos balões. Eu me sentia especial, pela primeira vez em muito tempo. Era o meu dia, e mesmo carregando uma barriga redonda e pesada, eu tava leve.
Depois da fofoca com GuiGui, Sasa me puxou pra pista:
- **Levanta, Morena! Grávida dança também, bora requebrar essa barriga!**
- **Tu que vai segurar minha lombar depois, hein!** - brinquei, levantando com dificuldade.
As meninas me cercaram e logo eu tava ali, de leve, mexendo os ombros, balançando a cintura. Me sentia viva. As pessoas batiam palma, sorrindo, e o R7 me olhava de longe, apoiado na parede com aquele sorriso orgulhoso de "minha mulher".
A gente dançou, comeu mais um pouco (ok, muito mais), tiramos fotos e até teve um "Parabéns pra você" com direito a vela faísca e tudo. Eu fiquei emocionada vendo minha mãe sorrindo, cercada de gente boa, e minha família improvisada ali: amigas, aliados e até os vapores mais calados me chamando de "rainha do morro".
Mais pro fim da noite, sentei de novo. As costas doíam, mas meu coração tava leve.
De repente, R7 veio até mim, pegou minha mão e disse:
- **Tenho mais uma coisa pra te mostrar.**
- **Mais, R7? Já me deu o mundo hoje.**
- **Fica calma, é coisa boa.**
Ele me guiou até a sacada da mansão. Lá fora, o céu tava limpo e estrelado. De repente, fogos de artifício estouraram no céu. Vários. Coloridos, iluminando tudo. Todo mundo saiu correndo pra ver, filmar, gritar.
Na hora que os fogos formaram um coração no céu, R7 se virou pra mim, olhou nos meus olhos e falou:
- **Essa aqui é a nova fase da nossa vida. Chega de correr só de arma na mão, Morena. Agora quero correr atrás de paz, de futuro. Por você. Por nosso filho.**
Eu não consegui responder. Só abracei ele com força, tentando segurar as lágrimas.
- **Você é tudo que eu precisava**, sussurrei.
Mas claro... como toda festa boa no morro, **nem tudo dura perfeito.**
Enquanto a galera ainda comemorava os fogos, o celular do R7 começou a tocar no bolso. Ele atendeu na hora, sério.
Ele desligou, olhou pra mim com aquele semblante duro que eu conheço bem.
- **Problema na base da Vila Baixa. Um dos nossos sumiu. Pode ser o Caveira.**
Meu coração apertou.
- **Vai, R7... mas se cuida. Pelo amor de Deus.**
- **Sempre. Por vocês.**
Ele me beijou rápido, passou a mão na barriga mais uma vez e saiu, seguido de dois vapores que já estavam de prontidão.
A festa ainda rolava... mas eu já não conseguia sorrir do mesmo jeito.
Porque quando se ama um homem como o R7, a gente aprende a comemorar com o coração em alerta. E naquela noite, no meio dos fogos e dos abraços, uma nova guerra já se armava do lado de fora.