Paz

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No QG• Rocinha📍
A chuva fina batia no telhado de zinco, cada gota marcando o compasso de uma noite sem volta.
O galpão fedia a óleo velho, sangue seco e pólvora. No centro, uma cadeira de ferro enferrujada.
Nela, **Caveira**, amarrado. Coberto apenas por um pano sujo jogado sobre o corpo nu.
R7 caminhava em círculos, devagar, com uma corrente de ferro numa mão… e o olhar vazio de sentimentos.

Caveira cuspia sangue e ódio, a respiração ofegante, o rosto todo roxo de tanta porrada.

— *R7… tenha piedade, filha da puta…* — murmurou, cuspindo sangue pelo canto da boca.
— *Eu sei que errei… mas a gente resolve isso como homem…*

R7 parou atrás da cadeira, se abaixou até o ouvido dele, e respondeu com frieza:

— *Você acha que eu te trouxe até aqui por causa de território?* — ele deu uma risada seca.
— *Território é só consequência. O que você fez com a minha mulher… isso sim é o verdadeiro motivo de você estar respirando sangue agora.*

Caveira tentou balbuciar algo, mas R7 puxou a corrente e **bateu com tudo na perna dele**. O grito ecoou no galpão.

— *VOCÊ DROGOU ELA, SEU VERME! Fez minha mulher desmaiar na frente do nosso filho! Poderia ter matado os dois!*
— *Sabe o que isso me dá o direito de fazer? Tudo.*

**PÁ!**
Um soco seco no estômago.
**CRACK!**
Um chute no joelho, deslocando com estalo.

Caveira gritava. Chorava. Implorava.

— *R7, para… por favor… eu amo ela, eu SEMPRE amei a Morena… não era pra ser assim… era só um susto…*

— *Você acha que isso aqui é brincadeira?*
R7 puxou o cabelo de Caveira e fez ele encarar o celular ligado, mostrando uma foto de **Morena com o bebê no colo, sorrindo.**

— *Olha bem pra isso aqui. É isso que você tentou destruir. É isso que você queria tirar de mim. E agora… é isso que você nunca mais vai ver.*

Caveira tentou responder, mas foi interrompido por **um último soco, direto no nariz**, que quebrou de vez.

R7 se afastou, respirando fundo, tirou a arma da cintura, e mirou na testa dele.
Sem gritar. Sem pressa. Só com a certeza no olhar.

— *Isso aqui… é pela Morena. Pelo meu filho. Por tudo que você fez.*
— *E principalmente… porque você não merecia nem ter nascido.*

**PUM!**
O tiro ecoou no galpão.
**Silêncio.**

O corpo de Caveira caiu pra frente, amarrado, morto.
O sangue escorreu pelo chão de concreto, como um fim anunciado.

R7 ficou parado por alguns segundos.
Guardou a arma. Respirou.
Depois, pegou o rádio e avisou:

— *Alvo finalizado. A guerra acabou.*

Saiu do galpão em silêncio, sob a chuva que caía mais forte agora, como se lavasse o mundo da sujeira deixada por Caveira.

**Fim de uma era. Início da paz.**

*algumas horas depois**
A madrugada avançava, mas o coração de R7 só queria saber de uma coisa:
**Voltar pra casa. Voltar pra ela.**

As botas ainda sujas de barro entraram devagar pela porta da frente. O silêncio da casa foi quebrado pelo som suave do bebê ressonando ao fundo.

Na sala, **Morena** já estava de pé, esperando.
Assim que viu R7, correu até ele e o abraçou forte.
Ele largou tudo — a arma, a jaqueta, o peso do mundo — e a envolveu com os braços como quem encontra o próprio lar.

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