vacilei

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R7

O asfalto tava tranquilo... até que **não tava mais**.

Viramos a esquina ali no Centro e dei de cara com uma **blitz da polícia**.
Parei na hora, coração na boca.
**Policial fez sinal pra encostar.**

- *"Ferrou... puta que pariu..."* - murmurei, tenso, com o sangue gelando.

A mão foi direto pro painel.
**A pistola.**
**Esqueci ela ali.**

Olhei pra **Morena** no banco do carona.
Ela me olhou de volta, séria, desconfiada.

- **"Tá tudo certo, R7? Tu não trouxe nada, né?"**

Respirei fundo, engoli seco.

- **"Pow, eu tive que trazer a pistola... sabe como é, favela ainda é quente. Só por precaução."**

Ela arregalou os olhos, soltou um **palavrão alto**:

- **"TU É BURRO, R7? TU TÁ COM UMA CRIANÇA NO CARRO, DESGRAÇA!"**

Antes que eu falasse qualquer coisa, **ela pegou a arma com rapidez**, virou de costas, abriu a bolsa do bebê e **escondeu a pistola entre as fraldas e as roupinhas**, com um cuidado de quem sabia exatamente o que tava fazendo.
Fechou a bolsa com calma, jogou no ombro e olhou pra mim com nojo.

- **"Se der merda, não fala comigo nunca mais."**

**Saímos do carro.**

Dois policiais vieram em nossa direção.
Um já falando grosso:

- **"Encosta no carro. Mão pra cima."**

Fiz o que mandaram. Encostei no capô, respirei fundo.
Começaram a me revistar. O clima tava pesado, mas até aí tudo certo - até que...

**Um dos policiais olha pra Morena. E manda:**

- **"Que mulher, hein..."**

**Meu sangue ferveu.**
Na hora virei o rosto e falei seco:

- **"É **minha mulher**."**

Ele riu de canto, cínico.

- **"Só pelo teu abuso, agora eu vou revistar ela também."**

**O QUÊ?**

A Morena se afastou um pouco, indo pra perto de mim, já tensa, com os olhos arregalados.
O policial deu um passo na direção dela.

- **"Bora, moça. Mão pra cima e abre as pernas."**

**Não pensei duas vezes.**

Olhei pro outro policial - o parceiro dele - que já tava com cara de que **não curtia aquilo**.
Empurrei o cara com o peito:

- **"Tá maluco? Homem não pode revistar mulher, não. Tu não toca nela, ouviu?!"**

O policial partiu pra cima de mim.
Mesmo com o braço enfaixado, me preparei pro pior.

Mas o outro interveio na hora, segurou o parceiro pelo ombro e falou alto:

- **"Chega, cara. Eles tão limpos. Pode seguir, senhor."**

Fiquei olhando pros dois, ainda com a pulsação nas alturas.
Peguei a chave, abri o carro, e **entramos em silêncio**.

Morena tava branca. Séria.
O bebê dormia, alheio a tudo.

Eu dirigi uns metros antes de falar alguma coisa.
Mas ela foi mais rápida.

- **"Tu não tem juízo, R7. Eu com um recém-nascido no colo e tu me mete numa dessa? Se tu fosse preso, se achassem a arma... E EU? E NOSSO FILHO?"**

Eu sabia.
**Tava errado. Vacilei.**

Fiquei em silêncio, só segurando o volante com a mão boa, desviando o olhar dela.

- **"Tô bolada contigo. Muito. Você me bota em cada uma, R7..."** - ela murmurou, olhando pela janela, com os olhos marejando.

E ali, dentro daquele carro de luxo, na estrada limpa do asfalto, eu senti de novo:
**o peso de carregar duas realidades.**

Uma onde eu sou o chefe do morro.
Outra, onde eu só queria ser o homem da Morena.
O pai do nosso filho.
**E não errar com eles. Nunca mais.**

> Mas eu errei.
> E agora vou ter que reconquistar essa confiança que quase perdi - de novo.
> Porque uma coisa é segurar o fuzil...
> Outra é segurar uma **família.**
> E isso, meu irmão... é guerra todo dia.

**\[Narração da Morena]**

Eu tava **realmente bolada com ele**.
Não era só o risco da pistola no carro, não era só o susto com os policiais... era **tudo junto**.
A sensação de que ele ainda podia tomar decisões sozinho, sem pensar na gente, me deixou nervosa.

Pelo menos... aquele policial que me olhou com malícia **não passou a mão em mim**.
Isso me deu um pouco de alívio, mas ainda assim, o coração ainda batia rápido, a raiva queimava dentro de mim.

Chegamos no restaurante, que era lindo. Uma decoração elegante, mesas espaçadas, música ambiente suave.
Tive que dar **mama pro bebê** rapidinho antes de pedir alguma coisa, porque ele começou a reclamar.
R7 ficou olhando, preocupado, enquanto eu cuidava do nosso príncipe.

Logo depois, conseguimos pedir a comida. O aroma do restaurante misturava-se com o cheiro de perfume dele, e por um instante... tudo parecia menos pesado.

Ele olhou pra mim com aquele olhar arrependido, sério, e disse baixinho:

- **"Me perdoa, amor. Eu simplesmente esqueci lá, não foi por mal... vocês são as coisas mais importantes pra mim. Tudo pra mim."**

Suspirei fundo.
Ele falava sério. Eu via a sinceridade no rosto dele, nos olhos.
E, mesmo ainda bolada, uma parte de mim começou a **derreter**, lembrando de todo o amor que nos une, de tudo que a gente passou e construiu juntos.

Segurei o bebê no colo e olhei pra ele.
- **"Tá... vou perdoar. Mas presta atenção, R7. Por nós, pelo bebê. Sem vacilos, tá?"**

Ele assentiu, segurando minha mão com cuidado, como se tivesse entendido cada palavra.
E por alguns segundos, entre o aroma da comida e o calor do sol entrando pelas janelas do restaurante, **a paz voltou a nos envolver**.

> Mesmo com raiva, eu sabia: ele é meu. E o nosso filho... é nossa prioridade. Sempre.

Continua...

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