Morena
A gente mal encostou o carro e o Caveira já me puxou com brutalidade. Me empurrou pra dentro da casa dele com tanta força que quase tropecei na entrada. Antes que eu pudesse entender o que tava acontecendo, senti o tapa seco na minha bunda.
— Agora tu vai aprender quem é homem de verdade — ele falou com aquele tom frio, sujo, que me fez arrepiar dos pés à cabeça.
Meu coração disparou. O medo tomou conta. Corri instintivamente pro único lugar da casa que parecia me dar algum abrigo: o quarto. Entrei em desespero, tentei fechar a porta com tudo, mas não adiantou.
Ele arrombou com o ombro, entrou com fúria no olhar e me lançou na cama. A partir dali, tudo virou um borrão de dor, desespero e lágrimas. Meus gritos se misturavam com os xingamentos dele. Eu lutava como podia, mordia, empurrava, chorava... mas ele era mais forte.
Eu só queria sumir. Só queria que aquilo acabasse. O mundo parecia longe, apagado. E o pior de tudo... era lembrar do R7. Do jeito que ele me olhou como se eu fosse nada. Eu já tava destruída por dentro. Mas ali... ali eu me quebrei de verdade.
Quando tudo terminou, eu fiquei ali, jogada, como um corpo sem alma. As lágrimas continuavam caindo, mesmo quando não tinha mais som. Só silêncio. Um silêncio pesado, sufocante.
Naquele momento, eu soube: nada ia ser como antes.
E se eu quisesse sair viva... eu ia ter que me levantar.
Nem que fosse do fundo do poço.
Com R7
Tava no QG largado no sofá, só o pó da rabiola. O clima lá dentro tava pesado, igual tempo antes de tempestade. A mente não parava… rodava igual pião. A cena da Morena na minha frente, chorando, implorando, e eu… eu só despejando tudo em cima dela. Não consegui segurar. O orgulho falou mais alto. A decepção queimava.
Fazia tempo que eu não encostava num baseado, mas dessa vez foi inevitável. Traguei fundo, olhando pro teto, tentando anestesiar a alma. Mas não adiantava. A brisa batia, mas a culpa batia mais.
De repente, a porta se abriu com tudo.
— R7! — a voz da Cláudia entrou rasgando o ar, doida, esbaforida. — Que porra foi aquela que tu fez com a Morena?!
Me levantei devagar, só soltei a fumaça e olhei pra ela com desprezo.
— Fiz o que ela mereceu. E ainda foi pouco.
— Tu é um idiota, mano! — ela gritou, com os olhos marejando. — Tu não viu a cara dela quando o Caveira apareceu?! Aquilo ali não era escolha… ela tava apavorada! Parecia que tavam levando ela à força!
Aquilo me deu um baque. Mas fingi que não. Virei o rosto, dei um passo pra longe dela.
— Sai daqui, Cláudia. Já falei demais hoje.
— Tu vai se arrepender, R7. Acorda antes que seja tarde demais — ela disse antes de bater a porta com força e sair.
Fiquei ali parado. A fumaça subindo devagar no ar, mas na mente, o caos.
As palavras dela começaram a martelar na minha cabeça, como se fosse tambor no dia de guerra.
“Tava apavorada… levando à força…”
E se ela tava mesmo tentando me avisar?
E se eu joguei fora a única pessoa que nunca me traiu?
Sentei de novo, passei a mão na cara. O coração começou a bater diferente.
Uma sensação estranha… tipo um aviso.
Será que eu errei?
Ou pior… será que eu deixei ela na mão no pior momento da vida dela?
continua...
VOCÊ ESTÁ LENDO
Vivendo
عاطفيةEntre favelas rivais,Tudo pode acontecer Cada um com a sua história Personagem principal Morena
