Depois que Vanessa chegou, o clima deu uma leve azedada, mas eu respirei fundo e fui manter a pose.
Sentei de novo com a Bruna, a Sasa e o GuiGui, que estavam atentos em tudo.
— “Gente, vou falar logo: ela só tá aqui porque veio com o Deco. Não convidei, nem queria ela aqui, mas o R7 quis evitar briga.”
Sabrina fez cara feia e resmungou:
— “Essa mulher é cheia de atitude errada, hein…”
GuiGui, com aquele jeitinho debochado, completou:
— “Aquela ali não combina com festa infantil, combina com rodinha de funk atrás de bar.”
Rimos, tentando descontrair. Mas eu já tava perdendo a paciência.
Levantei e fui pra outra mesa, onde R7 tava com Luan no colo, brincando com ele e dando comidinha.
Ver aquela cena me deu um alívio no peito.
Sentei ao lado dele, encostando minha cabeça no ombro do meu marido. Luan deu um gritinho de alegria e bateu palminha. Aquele era o nosso momento. A gente. Nossa família.
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Mas aí...
O cheiro veio.
Cheiro forte. De cigarro.
Me endireitei devagar, sentindo o ranço subir pelo nariz. Olhei discretamente pra trás, e lá estava ela.
Vanessa, em plena festa de criança, fumando como se estivesse num boteco.
Não deu.
— “Tem que ter muita paciência...” — murmurei, me levantando.
R7 colocou a mão no meu braço, tentando conter:
— “Deixa que eu vou lá, amor.”
— “Não, eu vou.”
Fui.
Passo firme. Sem pressa. Mas com destino certo.
Cheguei nela, que nem disfarçou. Soltou a fumaça pra cima e ficou olhando pro celular.
— “Você é sem noção mesmo, né?” — falei, cruzando os braços.
Ela virou devagar, com aquele deboche colado no rosto:
— “Tá falando comigo?”
— “Apaga esse cigarro. Não tá vendo que aqui é lugar fechado, cheio de criança?”
Ela riu de canto:
— “Eu fumo na hora que eu quiser.”
Ali acabou minha paciência.
Segurei ela pelos cabelos — e nem me orgulho, mas foi no impulso — ela gritou, tentou me arranhar, mas eu já tava levando ela na direção do portão.
Todo mundo da festa levantou.
Ela se debatia, berrava:
— “SOLTA! SUA LOUCA!”
Mas eu tava cega.
Cheguei no portão, abri com uma mão só e joguei ela pra fora.
Ela caiu do lado de fora, ainda gritando:
— “VOCÊ É MALUCA! VAI SE ARREPENDER!”
Eu bati o portão com força e travei.
Respirei fundo, ajeitei o vestido que tinha subido um pouco na confusão, virei de frente pra galera da festa — todo mundo parado, olhando.
Sorri.
— “A festa continua, foi só um breve imprevisto.”
E voltei andando como se nada tivesse acontecido.
GuiGui apareceu do meu lado na hora, rindo baixinho:
— “Se eu te contar que filmei tudo, cê briga comigo?”
— “Se você postar, eu te mato.” — respondi, rindo.
Bruna bateu palma devagar e falou:
— “É isso, mulher. Tu é mãe, mas continua sendo você.”
R7 me olhou com um misto de orgulho e medo:
— “Lembrete mental: nunca te deixar brava.”
Sentei de novo, beijei o Luan que agora brincava com um balão, e olhei ao redor.
A festa seguiu.
Porque nada, nem ninguém, ia estragar o dia do meu filho.