Meu filho

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Morena 📍

Depois que Vanessa chegou, o clima deu uma leve azedada, mas eu respirei fundo e fui manter a pose.

Sentei de novo com a Bruna, a Sasa e o GuiGui, que estavam atentos em tudo.

“Gente, vou falar logo: ela só tá aqui porque veio com o Deco. Não convidei, nem queria ela aqui, mas o R7 quis evitar briga.”

Sabrina fez cara feia e resmungou:

“Essa mulher é cheia de atitude errada, hein…”

GuiGui, com aquele jeitinho debochado, completou:

“Aquela ali não combina com festa infantil, combina com rodinha de funk atrás de bar.”

Rimos, tentando descontrair. Mas eu já tava perdendo a paciência.

Levantei e fui pra outra mesa, onde R7 tava com Luan no colo, brincando com ele e dando comidinha.

Ver aquela cena me deu um alívio no peito.

Sentei ao lado dele, encostando minha cabeça no ombro do meu marido. Luan deu um gritinho de alegria e bateu palminha. Aquele era o nosso momento. A gente. Nossa família.

 Nossa família

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Mas aí...

O cheiro veio.

Cheiro forte. De cigarro.

Me endireitei devagar, sentindo o ranço subir pelo nariz. Olhei discretamente pra trás, e lá estava ela.

Vanessa, em plena festa de criança, fumando como se estivesse num boteco.

Não deu.

“Tem que ter muita paciência...” — murmurei, me levantando.

R7 colocou a mão no meu braço, tentando conter:

“Deixa que eu vou lá, amor.”

“Não, eu vou.”

Fui.

Passo firme. Sem pressa. Mas com destino certo.

Cheguei nela, que nem disfarçou. Soltou a fumaça pra cima e ficou olhando pro celular.

“Você é sem noção mesmo, né?” — falei, cruzando os braços.

Ela virou devagar, com aquele deboche colado no rosto:

“Tá falando comigo?”

“Apaga esse cigarro. Não tá vendo que aqui é lugar fechado, cheio de criança?”

Ela riu de canto:

“Eu fumo na hora que eu quiser.”

Ali acabou minha paciência.

Segurei ela pelos cabelos — e nem me orgulho, mas foi no impulso — ela gritou, tentou me arranhar, mas eu já tava levando ela na direção do portão.

Todo mundo da festa levantou.

Ela se debatia, berrava:

“SOLTA! SUA LOUCA!”

Mas eu tava cega.

Cheguei no portão, abri com uma mão só e joguei ela pra fora.

Ela caiu do lado de fora, ainda gritando:

“VOCÊ É MALUCA! VAI SE ARREPENDER!”

Eu bati o portão com força e travei.

Respirei fundo, ajeitei o vestido que tinha subido um pouco na confusão, virei de frente pra galera da festa — todo mundo parado, olhando.

Sorri.

“A festa continua, foi só um breve imprevisto.”

E voltei andando como se nada tivesse acontecido.

GuiGui apareceu do meu lado na hora, rindo baixinho:

“Se eu te contar que filmei tudo, cê briga comigo?”

“Se você postar, eu te mato.” — respondi, rindo.

Bruna bateu palma devagar e falou:

“É isso, mulher. Tu é mãe, mas continua sendo você.”

R7 me olhou com um misto de orgulho e medo:

“Lembrete mental: nunca te deixar brava.”

Sentei de novo, beijei o Luan que agora brincava com um balão, e olhei ao redor.

A festa seguiu.

Porque nada, nem ninguém, ia estragar o dia do meu filho.

Continua...

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