Caveira narrando:
Fiquei lá no rolê, tranquilo... ou pelo menos parecendo.
A Vanessa, aquela que vive se jogando no meu colo, hoje teve utilidade.
Me aproveitei do fogo dela, dei uns amassos só pra manter o controle. Enquanto ela ria das minhas gracinhas, já fui direto:
- Faz um corre pra mim. Quero que tu siga a Morena, vê onde ela vai, e me manda tudo. Tudo mesmo, entendeu? Tô falando de foto... e não é selfie de rosto, não. Quero ela peladinha. Quero ver o que ainda é meu.
Ela me olhou meio chocada, mas bastou eu chegar mais perto, sussurrar no ouvido e lembrar quem manda aqui.
- Tu quer continuar andando com segurança nessa quebrada, né? Então me obedece.
Ela nem pestanejou. Levantou do meu colo e saiu na miúda, rebolando, achando que tava abafando.
Mal sabe ela que só serve pra isso: serviço sujo.
Fiquei ali, de boa, bebendo meu whisky, trocando ideia com os aliados, fingindo que nem sabia de nada.
Mas por dentro? O sangue fervendo.
R7 lá no canto, achando que é dono da porra toda, e a Any, minha ex, minha mulher, minha posse... tentando se afastar de mim como se fosse fácil. Ela pode até fingir que esqueceu, mas o corpo dela lembra de tudo.
O celular vibrou no bolso.
Primeira notificação.
"Cheguei aqui. Ela tá na casa da Cláudia. Sozinha."
Segundos depois...
Outra mensagem.
E aí vieram elas...
As fotos.
Primeira: ela deitada no sofá, meio largada, o vestido já subindo na perna.
Segunda: topinho de fora, o sutiã jogado no chão.
Terceira... ah, moleque. Aquela ali me fez rir de canto, morder o beiço.
- Que mulher gostosa do caralho.
Passei a língua nos lábios, segurei o celular com força.
- Tu continua sendo minha, Any. Mesmo que não queira. Mesmo que nem saiba.
O plano já tava em movimento. E ninguém - nem o R7, nem a Vanessa, nem ela mesma - ia escapar do que eu tinha armado.
Aqui é Caveira, parceiro.
E no meu jogo, ninguém joga de graça.
Morena
Acordei ainda meio grogue daquele apagão esquisito lá na casa da Cláudia, mas sacudi a poeira. Fui pra casa, tomei um banho gelado pra acordar de vez, arrumei as coisas, dei um grau nos corres e parti pro trampo.
Cheguei no bar no horário, como sempre. Vassoura numa mão, pano na outra, e bora meter marcha. Limpei tudo bonitinho, chão brilhando, balcão no grau... deixei o ambiente tinindo pra começar o dia.
Daqui a pouco a Cláudia chegou, já jogando aquele sorriso:
- Bora que hoje o movimento vai ser brabo.
- Tô pronta, filha. Vem quente que eu tô fervendo.
A gente começou a atender geral, o bar lotando devagar, clima de dia normal na quebrada. Tudo fluindo.
No intervalo entre um pedido e outro, abri o celular e PÁ!
Mensagem do R7.
"Cola comigo pra almoçar? Quero trocar uma ideia contigo, só nós dois."
Fiquei um tempo encarando a tela, coração deu aquela leve acelerada.
Sorri de canto, mordi o beiço. Aquele safado sabe como mexer comigo.
Virei pra Cláudia, que tava limpando uns copos:
- Ô Clau, posso dar uma escapadinha rapidinho? R7 me chamou pra almoçar. Deixa eu ir, vai... Prometo que volto rapidinho.
Ela nem fez cena, só levantou uma sobrancelha e deu aquela risadinha marota.
- Vai lá, sua danadinha. Mas se ele te atrasar, tu tá fodida comigo.
Soltei um risinho, corri pro banheiro, dei um tapa no visual. Retoquei o batom, soltei o cabelo, joguei uma colônia que tinha na bolsa e vapo.
Saí toda faceira.
Porque quando R7 chama, eu vou.
Mas dessa vez...
Eu também quero resposta.
R7 narrando:
Parei a moto em frente ao bar onde a Morena trampava, encostado no guidão, óculos escuro e aquele jeitão marrento que é meu de fábrica.
Vi ela sair, toda bonitinha, com aquele andar que faz até o vento virar fã.
- Sobe aí, princesa. - soltei com um sorriso safado, batendo no banco de trás.
Ela riu e subiu sem pensar duas vezes, colando o corpo no meu, braço firme na minha cintura.
Acelerei, e vapo... cortando a pista, deixando a quebrada pra trás, só nós dois no rolê.
Levei ela num restaurante que conheço, de frente pra praia, vibe tranquila, som ambiente e comida boa. Lugar que quase ninguém da área conhece - discreto, do jeitinho que eu gosto.
Sentamos numa mesa perto da varanda, com o mar ali no fundo batendo de leve. Pedi dois pratos logo de cara, sem frescura.
- Tu tá bem mesmo, Morena? - perguntei, tentando ser romântico, mas sabe como é... não é muito minha praia essa parada melosa. Mesmo assim, eu tava tentando.
Ela me olhou com aquele olhar meio doce, meio perdido.
- A real? Eu sumi do pagode porque... apaguei lá na casa da Cláudia. Fui só fazer um xixi e... puff. Não lembro de mais nada. Acordei só no outro dia, de lingerie no sofá.
Fiz cara de espanto, mas por dentro o bagulho me travou. Como assim ela apagou assim do nada?
- Como assim tu não lembra de nada? Nem de ter deitado?
- Nada, R7... parece que minha mente apagou geral. Tô com isso na cabeça até agora.
Fiquei cabreiro. Isso não era normal.
Mas também não queria deixar o clima pesado.
Assenti com a cabeça, mas meu cérebro já trabalhava igual central do tráfico - mil pensamento por segundo.
- Relaxa, cê tá comigo agora. A gente vai descobrir se alguém tentou te passar a perna. - falei olhando firme, segurando a mão dela por cima da mesa.
Ela sorriu, meio sem graça, e voltou os olhos pro mar.
E eu? Fiquei ali, com o garfo na mão, mas a fome já tinha ido embora.
Porque se alguém fez alguma fita com a minha Morena, vai ter que se acertar comigo e com o morro inteiro.
Continua...
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Vivendo
RomanceEntre favelas rivais,Tudo pode acontecer Cada um com a sua história Personagem principal Morena
