Perca a linha

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R7 foi atravessando o baile igual um touro solto.

O olhar dele era puro ódio, puro ciúme, puro "é minha e ponto".

A galera abriu espaço.
Quem conhecia ele sabia - quando o R7 fechava a cara daquele jeito, não era pra brincadeira.

Chegou nela sem nem pensar duas vezes.

- "Vamo embora."

- "Cê tá maluco, R7? Tá doido?" - Morena gritou por cima do som, ainda dançando de leve, rindo debochada.

Ele não riu.
Pegou no braço dela de leve, mas firme.

- "Tu é minha mulher, porra. E tá grávida, não tem que tá nesse tipo de lugar não!"

- "Solta, R7! A gravidez é minha, o corpo é meu! E se eu quiser dançar, eu vou dançar!"

A discussão começou ali no meio da roda.
A galera parou pra ver o barraco.

Cláudia tentou intervir:
- "Ô R7, pega leve, ela só tá se distraindo..."

Mas ele ignorou geral.
Olhou fundo nos olhos da Morena e falou baixo, mas com uma firmeza que arrepiava:

- "Você vai comigo agora. Antes que eu perca a linha nesse baile."

Ela bufou, revirou os olhos, mas foi.
Não por ele.
Mas porque sabia que se ficasse, o clima ia azedar de vez.

NA CASA DO R7...

Ele trancou o portão com força.
Morena entrou já armada no deboche.

- "Pode tirar o cavalinho da chuva que eu não vou ficar aqui."

- "Vai sim. Cê quer perder esse bebê, é? Ficando na rua igual doida? Acha que isso é vida pra quem tá esperando filho?"

- "Cê nem deixou eu escolher! Só me arrastou igual um troféu que tu quer esconder dos outros!"

Ele passou a mão no rosto, impaciente.

- "Eu não quero te esconder, porra. Eu quero te proteger. Mas tu é teimosa demais."

Ela cruzou os braços.

- "Proteção não é prisão, R7."

Silêncio.
O clima tava tenso, denso, pesado.
Ela foi pro banheiro, batendo porta.
Mas lá dentro, segurava a barriga com uma das mãos.
A verdade?
Tava com dor nas costas, os pés latejando.
Mas o orgulho... falava mais alto.

R7 encostou na porta.

- "Quer ajuda pra tomar banho?"

- "Quero distância."

- "Tu mal tá conseguindo ficar em pé..."

- "E ainda assim prefiro o chão do que tua mão."

Ele respirou fundo.

- "Tu é foda, hein. Só abre a boca pra me cutucar."

Ela abriu a porta de supetão, só de toalha, pingando.

- "E tu só aparece quando é pra mandar em mim! Me deixou sozinha esse tempo todo e agora quer pagar de salvador?"

Ele encarou.
Os olhos colados nos dela.
O corpo molhado dela ali, tão perto...
O peito subindo e descendo de raiva... e de desejo.

- "Tu ainda me ama, Morena?" - ele perguntou de repente, voz baixa, rouca.

Ela engoliu seco.

- "Vai se foder, R7."

Ele deu um passo.
Ela deu dois pra trás.

- "Fala. Tu ainda sente algo por mim?"

Ela tentou fugir... mas ele segurou pela cintura.
A toalha quase escorregando.

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