R7..
Cheguei no QG sem nem desligar o carro direito. Saí e fui pro lado dela, abrindo a porta com cuidado.
- Vem, eu te ajudo. - falei, estendendo a mão.
Ela segurou como se tivesse medo de eu sumir. Caminhamos devagar pelo corredor, meus vapores abrindo caminho. Todo mundo olhava, mas ninguém falava nada - sabiam que não era hora de gracinha.
- Traz água e comida pra ela, agora. - mandei seco pra um dos moleques. - Não me vem com besteira, quero comida de verdade.
Morena se sentou no sofá, meio encolhida. Eu me agachei na frente dela.
- Tá segura aqui. Ninguém vai encostar em você.
Ela respirou fundo, mas os olhos não desgrudavam dos meus, como se quisesse acreditar no que eu dizia.
Pouco depois, trouxeram uma bandeja: arroz, feijão, frango e suco. Ela olhou desconfiada, como se não soubesse se podia mesmo comer.
- Pode comer, é pra você. - falei, empurrando o prato na direção dela. - Aqui ninguém vai te negar comida, nunca mais.
Ela começou devagar, mas logo a fome falou mais alto. Eu fiquei só observando, a raiva voltando cada vez que eu lembrava do motivo dela tá naquele estado.
- Isso que ele fez contigo... - falei baixo, mas firme. - Vai ter volta. Ele mexeu com a mulher errada.
Ela parou de mastigar por um segundo, os olhos brilhando, como se uma parte dela estivesse começando a acreditar que tudo podia mudar.
Dentro de mim, a certeza só crescia: agora que tava comigo, eu ia proteger ela custasse o que custasse. Caveira podia se preparar, porque essa história ainda não tinha acabado.
Morena narrando
Eu não sei se vou conseguir perdoar o R7 tão fácil...
Lembro direitinho daquele dia que ele me esculachou no meio da rua, na frente de todo mundo, sem nem deixar eu abrir a boca pra explicar o que tava rolando. Aquilo me doeu mais que qualquer tapa do Caveira.
E agora... ele tá aqui, me tirando do inferno, cuidando de mim como se nada tivesse acontecido. É difícil. Meu coração tá uma bagunça.
Eu amo ele, disso eu não tenho dúvida. Mas também amo minha dignidade, e ela ainda tá machucada demais.
Talvez eu só precise de um tempo... tempo pra raciocinar tudo que aconteceu, pra entender se esse amor ainda vale a pena ou se é só mais uma prisão com outro tipo de corrente.
Olhei pro lado, ele tava ali, encostado na parede, me observando comer, como se quisesse ter certeza que eu ia ficar bem. Aquele olhar dele sempre me desmontou... e isso me irrita.
- Come mais, cê tá muito fraca... - ele disse, num tom que era quase um carinho.
Eu engoli seco, sem responder, mas por dentro queria gritar: "Por que você não acreditou em mim antes, caralho?"
Só que as palavras ficaram presas na garganta.
O que eu sei é que... por mais que eu tente me afastar, uma parte minha sempre vai correr na direção dele. E isso me assusta mais do que qualquer coisa que o Caveira já fez.
CONTINUA...
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Vivendo
RomanceEntre favelas rivais,Tudo pode acontecer Cada um com a sua história Personagem principal Morena
