Complexo do alemão.
As vielas pareciam prender a respiração.
De repente, os sons chegaram — primeiro o ronco abafado das motos dos vapores, depois o estouro seco das portas sendo arrombadas.
R7 vinha na frente, olhos frios, arma firme, os passos decididos como de um predador em caça.
Atrás dele, os vapores — armados, organizados, prontos pra guerra.
— VAI! VAI! ENTRA! LIMPA TUDO! — R7 gritou no rádio.
As bocas de fumo foram invadidas, os pontos dominados, um a um. Não teve conversa. Quem tentou levantar arma, caiu. Quem correu, foi cercado.
Em uma das vielas, um vapor foi pego tentando fugir pela lateral. Logo estava no chão, com dois no cangote e R7 parado na frente, encarando.
— Onde tá o Caveira?! — R7 perguntou, a voz grave e direta.
— E-eu não sei… — o vapor tentou disfarçar.
R7 tirou a arma e apontou pro joelho dele sem hesitar.
— Vou perguntar só mais uma vez.
— Tá em casa! Tá em casa! Juro, chefe! Ele subiu mais cedo! Levo vocês lá!
R7 o empurrou pro lado.
— Não preciso que me leve. Preciso que suma daqui.
O vapor saiu rastejando. R7 se virou pros seus.
— A partir daqui, ninguém entra mais. Só nós.
Ele começou a subir o morro, passo por passo, cada beco ecoando seus passos.
Puxou o rádio novamente:
— Atenção, moradores. Aqui é R7. Fiquem dentro de casa. Protejam suas famílias. Hoje vai ter acerto. Hoje vai ter sangue. Quem não deve, não teme. Mas quem tá no corre do Caveira… vai cair junto.
As luzes nas casas se apagaram rapidamente. Portas se trancaram.
O silêncio agora era de medo.
O morro sabia.
Quando R7 avisava… era porque o inferno vinha junto com ele.
Casa do Caveira**
No topo do morro, uma mansão improvisada, cercada de grades e câmeras.
Lá dentro, **Caveira** vagava perdido dentro da própria mente.
O cigarro na mão queimava devagar, enquanto a fumaça se misturava com o suor da raiva.
O corpo ainda nu, molhado do banho, os olhos vermelhos de tanto fumar e pensar.
**Caveira falava sozinho, voz baixa, pesada de frustração:**
— Depois de tudo que eu fiz pela Morena... ainda correu pra ele. Não foi o suficiente, né? R7 não te merece, quem merece sou eu.
— Aquele filho que ela teve... é meu. Só pode ser meu. Sempre sonhei em ser pai, ela sabia... e nunca engravidou de mim.
— Já com ele foi rapidinho... isso me destrói por dentro.
A raiva crescia no peito dele como uma chama descontrolada.
Do lado de fora, o som dos rádios, passos abafados e comandos curtos eram ignorados. Caveira estava cego pela paranoia e pelo ego ferido.
— Tá tudo errado aqui no morro. Dinheiro sumindo, as contas não fecham, gente me traindo… desde que ele levou a Morena, parece que tudo desandou.
Ele riu sozinho, sem humor, encarando o chão.
Na tentativa de aliviar a mente, **fumou até os olhos queimarem.**
Logo depois, uma garota que ele chamava de “Job” apareceu, fazendo o que ele achava que ajudava a esquecer — mas nem aquilo preenchia mais o vazio.
— Pode ir. Some. — ele disse, frio, depois de terminar com ela.
Sozinho de novo, foi pro banho. A água descia sobre o corpo coberto de tatuagens.
A cabeça encostada na parede. Os olhos fechados. Respirando fundo.
**Até que... BOOM.**
Um estrondo ecoou pela casa.
Barulho de porta arrombada. Passos pesados invadindo a sala.
**Caveira abriu o box com tudo, ainda molhado, e deu de cara com ele: R7.**
Frio. Armado. Olhar de quem já tava ali pra terminar o que começou.
— *Mão pra cima, filho da puta.* — R7 disse, a voz mais gelada que o aço.
Caveira nem teve tempo de reagir. Dois vapores já estavam nas costas dele.
O puxaram com brutalidade, o jogaram no chão, o amarraram com corda grossa.
**Nu. Encharcado. Humilhado.**
— *VOCÊ TÁ LOUCO?! ME SOLTA! EU SOU O DONO DISSO AQUI!*
— Era. — respondeu R7, encarando com desprezo. — Hoje, tu só é mais um verme.
Do lado de fora, os moradores assistiam das janelas, calados, surpresos.
O todo-poderoso **Caveira**, que aterrorizava o morro, agora sendo arrastado **nu**, preso, e calado, pro porta-malas de uma SUV preta.
Uma senhora chegou a sussurrar:
— Até que enfim…
**Caveira gritava:**
— FILHO DA PUTA! ISSO VAI TER VOLTA! EU VOU SAIR DESSA! EU VOU VOLTAR!
R7 nem olhou pra trás.
Abriu a porta, entrou no banco da frente e deu o recado final pro rádio:
— *Alvo capturado. Leva pro galpão. Hoje ele vai falar. Hoje ele vai sentir tudo que fez a Morena sentir. E depois… nunca mais.*
O carro arrancou, sumindo pelas vielas escuras do Complexo.
Lá dentro, **o fim de uma era**.
Continua...
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Vivendo
RomanceEntre favelas rivais,Tudo pode acontecer Cada um com a sua história Personagem principal Morena
