Já se passaram algumas semanas... E apesar de tudo que a gente vive, posso dizer que está tudo bem comigo e com a minha gravidez. O bebê tá crescendo direitinho, eu sinto ele mexer cada vez mais, como se já tivesse pressa de conhecer o mundo - ou de botar ordem nele, igual o pai.
O R7... Ele tá sendo um ótimo pai, de verdade. Cuida de mim com um carinho que eu nunca imaginei que ele fosse capaz de ter. É aquele cuidado bruto, mas doce. Me acorda com café, me cobre quando eu durmo no sofá, não me deixa carregar nada pesado. Só que, mesmo sendo esse homem presente, ele ainda precisa dividir o tempo dele entre mim... e a favela.
Sempre tem um B.O diferente pra ele resolver. Uma treta entre os vapores, polícia dando batida, ou até fofoca entre aliados. Eu entendo, de verdade. Ele não é só meu - ele é do morro também. Mas uma coisa que eu consegui tirar da cabeça dele, pelo menos por enquanto, foi essa ideia de se vingar do Caveira. Eu não quero sangue, não agora. Quero paz. Quero segurança pro nosso filho. E ele me prometeu que ia pensar nisso.
Hoje é meu aniversário. Eu nem queria fazer nada... Preferia passar batido, ficar deitada, descansar. Mas logo de manhã, quando abri os olhos, vi uma bandeja enorme do lado da cama, cheia de frutas cortadinhas, pão quente, bolo de pote, suco de maracujá (do jeito que eu gosto). Em cima, um bilhete escrito com a letra dele:
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**"Feliz aniversário, com amor - R7."**
Sorri sozinha. E quando dei o primeiro gole no suco, ele entrou no quarto devagar, com um buquê de flores lindíssimas nas mãos. Rosas brancas, margaridas, e uma rosa vermelha no meio. Eu nem sei onde ele arranjou isso no meio do caos que a gente vive.
- **Parabéns, minha preta.** - ele falou com aquele olhar que sempre me desmonta.
Levantou o buquê
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, me deu um beijo demorado e encostou a testa na minha, sorrindo. A mão dele desceu com calma até a minha barriga já bem redonda, e ele acariciou com todo o cuidado do mundo.
- **Tá ficando linda... mais linda ainda**, ele sussurrou. - **Você que tá me fazendo ficar assim**, respondi sorrindo.
A gente ficou ali, naquele momento só nosso. Sem barulho de tiro, sem rádio da boca apitando, sem desconfiança, sem peso. Só amor. E por um segundo, eu acreditei que o mundo podia parar ali. Que aquele era o presente mais bonito que eu podia ganhar.
Mas com o R7, eu sei... A paz nunca dura muito tempo.