☆ Capítulo 01 ☆

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Acordo com o despertador avisando que já são 08h00min. Ainda sonolenta, me levanto da cama e caminho em direção ao banheiro. Fiz minha higiene matinal, incluindo um banho para que eu pudesse me despertar totalmente. Assim que terminei, voltei para o quarto enrolada na toalha e comecei a me trocar. Coloquei um short soltinho e uma regata branca, nos pés calcei uma melissa. 

Depois de pronta, desci as escadas e vi minha mãe sentada á mesa tomando o seu café da manhã.

— Bom dia, mamãe. — Deposito um beijo em seu rosto.

— Bom dia, filha! Dormiu bem?

— Melhor impossível. — Sorrio. — Não vai para a empresa hoje, mãe?

— Vou sim, querida. Mas, antes preciso revolver um problema que ficou pendente em São Paulo.

— Posso saber qual é? — Pergunto curiosa.

— Claro, seu pai e eu vamos assinar as papeladas do divórcio.

— Ah, entendi. — Digo, sem muito entusiasmo.

— Filha, não fique assim. Fernando e eu não demos certo como casal, mas ele vai continuar sendo seu pai.

— Ah, claro! — Dou de ombros.

Meu pai sempre foi maravilhoso e muito presente em minha vida, mas desde que minha mãe e eu nos mudamos para cá, ele nunca mais se importou. Já se passaram seis meses e ele não veio me visitar uma vez se quer, sempre que ligo é a mesma desculpa: Estou ocupado com o trabalho Rayanne, talvez no próximo final de semana.

E nesse próximo final de semana já se passaram seis meses. É a vida.

Assim que termino de tomar meu café da manhã, me levanto da cadeira e caminho até a sala. Jogo-me no sofá, com o celular em mãos, entro no Facebook e posto uma frase: 

"Saudade é o que fica de quem não ficou."

— Filha, eu estou indo para a empresa. — Minha mãe se aproxima.—  Preciso ir para São Paulo hoje à noite, volto daqui dois dias.

— Posso ir com você? — Me levantei animada.

— Melhor não, fica em casa que eu preciso resolver isso, filha.

— Tudo bem, mamãe. Bom serviço e faça uma boa viajem! — Demos um abraço bem apertado e ela me encheu de beijos.

Minha mãe havia acabado de sair e eu já estava morrendo de saudades dela. Acredito que seja normal, afinal, nós nunca ficamos um dia longe uma da outra.

Minha tarde estava sendo um tédio. Eu me virava de um lado para o outro no sofá e nada estava bom. Liguei a TV e fiquei procurando algum canal descente para assistir, hoje era sexta-feira e provavelmente não estaria passando nada que preste na TV. Após alguns minutos procurando, deixei num filme qualquer.

Estava distraída olhando para o teto quando ouço meu celular tocar, olhei no visor e vi que era minha melhor amiga Carla.

Início da ligação:

— Fala ruiva!

— Ray, o que tu vai fazer hoje à noite?

— Além de dormir?

— Estou falando sério amiga, hoje é o aniversário do meu irmão.

— Parabéns pra ele, que por sinal você ainda não me apresentou.

— Meu irmão e meu primo vão dar uma festa aqui na comunidade. Você vem né?

— Carlinha, não é uma boa!

— Não começa patricinha! Por que não é uma boa?

— Minha mãe foi viajar agora a pouco. Mas beleza, que horas vai rolar a festa?

— Passo ai às 22h00min.

— Ok, beijos vaca.

— Beijinhos, amiga.

Fim da ligação.

Carla é moradora de uma favela chamada Rocinha. Conhecemo-nos na escola onde eu estudo há pouco tempo. Ela é um amor de pessoa, mesmo morando num lugar tão simples, ela é minha melhor amiga.

***

No relógio marcava 20h00min. Peguei minha toalha indo em direção ao banheiro. Despi-me, liguei o chuveiro e deixei que a água caísse sobre mim. Após terminar, sai do banheiro enrolada na toalha e fui direto para o meu quarto me arrumar.

Optei por usar um vestido azul claro, ele era curtinho e bem justo ao meu corpo. Calcei minha sandália de salto alto, na cor preta. Passei uma make básica no rosto, apenas focando na sombra que realçou bem meus olhos verdes. Esborrifei um pouco de perfume no meu pescoço, penteei meus cabelos e já estava pronta. Dei uma olhada no espelho, já diva e magnífica, sai do meu quarto apagando as luzes.

Dei uma olhada na minha bolsa e vi se tinha tudo que eu precisava. Carteira com documentos e dinheiro, batom, e meu celular.

Ao chegar à sala, encontro Judith atendendo a porta.

— Visita para você, sua amiga Carla. — Judi indaga.

— Obrigada, vou sair hoje e irei voltar tarde, Judi. — Ela assente e depois se retira.

Judith trabalha para nós desde que eu me entendo por gente, então, ela é como se fosse da família.

— Vamos, Ray? — Carla pergunta e eu assinto.


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