Isso só pode ser um pesadelo. Meu pai é um empresário rico e não um policial. Foi por isso que ele me abandonou e não se preocupou comigo ? Para que no fim ele mesmo encomendasse minha morte ?
— Filha! - Ele vem até a mim. — Pegaram a menina errada! - Ele grita para o policial que me bateu a alguns segundos atrás.
— Não chefe! Essa é a patroa do morro. - O policial diz e meu pai me olha assustado.
— Filha,me diz que isso não é verdade.
— Foi essa a garota que o senhor mandou matar a alguns meses atrás. Deram um tiro nela, mas pelo visto ela sobreviveu. - O mesmo policial diz com ódio nos olhos.
— Cala boca seu merda! Essa é a minha filha. - O homem se cala e se retira.
Como? Então foi ele?
— O que você faz com essa farda? Foi por isso que você me abandonou, para mandar matar sua própria filha? - Começo a chorar. — Você é um empresário e não um policial. E respondendo sua pergunta, sim eu sou a patroa desse morro. Mulher do dono!
— Rayanne você vai voltar comigo. Isso aqui não é para você! Eu não sei como eu não fiquei sabendo, que era você a mulher desse bandido. Se você tivesse morrido com aquele tiro, eu não iria me perdoar nunca. Eu sumi, porque sabia que você nunca iria aceitar a minha profissão. Foi por isso que sua mãe se separou de mim, ela não aceitou minha escolha.
— Você chama o Maycon de bandido ? Ele ao menos não manda matar inocentes, como você! - Grito. — Mandou matar a mulher dele, que não tinha nada haver com a história. Sem ao menos se importar com a dor dos outros. Você se considera como?Justo?.
— Eu não sabia que era você! Filha, eu te amo. Olha só essas marcas em seu rosto, está toda machucada! - Seus olhos transbordam de lágrimas.
— Maycon nunca relou a mão em mim. Isso aqui em meu rosto, foi seu amiguinho. Aquele que diz andar na lei, o que mais ele faz?
— Você está tão fria. No que você se tornou filha?
Isso é tão estranho para mim. Um dia eu sou apenas uma garota comum, no outro me torno a patroa de um morro. Meu pai um dia é um empresário, no outro ele é um policial que me colocou diante a morte. Meu coração está despedaçado, o que será daqui em diante? Ele me perseguindo o resto da vida? Não, isso tem que acabar aqui.
— Você tem ideia do quanto você me fez falta? De todas as vezes que eu tentei falar contigo, mas você sempre estava ocupado? Não, não tem. Eu continuo sendo a mesma Rayanne de sempre, eu não me tornei em nada, apenas me treinei para a vida. Eu até entendo que tu não sabia quem eu era, mas a minha raiva é da sua injustiça de mandar matar alguém, só para feri-lo. Eu amo o Maycon, daqui eu não vou sair, essa é a minha casa. - Respiro fundo. — E agora? Você vai viver me perseguindo? Vai viver perseguindo a minha família? Por que é isso que eles são, minha família!
— Eu não vou deixar que nada aconteça com você filha, ninguém vai relar a mão em ti. - Ele me puxa para um abraço. Tento recuar mas não consigo, afinal ele é o meu pai e eu o amo.
— Eu te amo tanto pai! Por favor, não deixe que ninguém fira o Maycon. - Soluço em seus braços.
— Quanto a isso eu não posso te prometer. Estamos tentando capturar ele a tempo, hoje enfim será o grande dia. Eu posso te prometer, que não serei eu. Mas outro policial poderá fazer isso.
— Vocês não podem ferir o pai do meu filho! - Me separo de seus braços.— Agora eu preciso ir ajuda-lo. - Me levanto.
— Você está grávida Rayanne?
— To!
Caminho até a porta e percebo que estou desarmada, vou até meu pai que me olha com um olhar triste. Dou-lhe mais um abraço apertado, mas rapidamente me solto. Pego uma de suas armas e saio.
Começo a procurar Maycon. Avisto alguns policiais mirando em Douglas que parece estar distraído. Sem ao menos esperar, engatilho e atiro. Douglas se assusta, mas fica feliz ao me ver. Vou até em sua direção, quando ele me olha assustado. Vou me virar, mas sinto um impacto.
Fico fraca, olho de onde veio. Apenas consigo ver Douglas e o outro policial trocando tiro. Minha pele arde, por sorte foi no meu ombro. Então consigo correr para me proteger, Douglas logo vem até a mim. Tira sua camiseta e a rasga no meio, posso notar que ele também está ferido. Douglas pede para eu me vire de lado, pega o pedaço da sua camiseta e amarra com força, para estancar o sangue.
— Você viu o Maycon? - Pergunto e logo faço uma cara de dor.
— Vi! Ele me disse que tu estava aqui. Tu é valente menina! - Douglas sorri.— Bom, temos que ir. Ele precisa de nós, já que ele é o alvo.
— Douglas! - O chamo.— O chefe do esquadrão é o meu pai!
— O que? E porque tu não disse nada? - Ele me olha assustado.
— Eu não sabia, até vê-lo aqui.
— Já é patroa! Fica em paz, mas tu tá ligada que o patrão não terá piedade. - Apenas assinto.
— Vamos, Douglas!
Nos levantamos e fomos andando, a rua por incrível que pareça estava vazia. Até pensei que meu amor já havia conseguido terminar com essa guerra mundial, mas eu estava enganada!
— NÃOOOO! - Grito desesperada e saio correndo.
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A força do amor
Novela JuvenilUma história de romance, onde mostra que o amor supera qualquer dificuldade e barreiras que a vida coloca em seu caminho. Maycon e Rayanne, duas pessoas completamente diferentes, onde o destino mostra que são capazes de amar um ao outro, sem que nad...
