Me aproximo de minha mãe, vou cumprimenta-lá com um beijo no rosto, mas ela me impede. Então resolvo entrar para dentro de casa, Judith está na sala e assim que me vê me olha com um olhar triste, não consigo entender o porque.
— Oi Jud, aconteceu alguma coisa? Fora minha mãe estar uma fera comigo.
— Oi minha menina, ela não te disse nada?
— Não. O que está acontecendo Jud, você está me assustando. - Coloco a bolsa no sofá.
— Você vai morar com o seu pai Rayanne, suas malas já estão feitas. - Minha mãe diz ao entrar na sala.
— Mas, porque mãe? Você não pode fazer isso comigo, sabe muito bem que ele pouco liga para mim. - Digo chorando.
— Isso não vem ao caso agora, eu te dei uma ordem e você me desobedeceu. Ficou um dia e meio sem me dar notícias sua, pensei que tivesse acontecido o pior. Depois que você começou a andar com aquela trambiqueira da Carla, você virou uma rebelde. Já comprei sua passagem e seu pai já está avisado, seu voo sai daqui a duas horas.
— Mas já? Mãe por favor, não faz isso comigo!
— Não tem mas Rayanne, você vai e não discute comigo. - Minha mãe nesse momento gritava muito.
— Eu não vou para lugar algum, nem que eu tenha que ir para rua.
Nesse momento já não consigo mais me controlar, choro descontroladamente. Como ela pode ? Não moro a tanto tempo assim aqui no RJ, mas o meu mundo está aqui.
— E como você iria se manter? - Minha mãe pergunta dando uma risada irônica.
— Nem que eu tenha que trabalhar, mas do RJ eu não saio. Já tenho idade suficiente para escolher com quem eu quero morar. Minha decisão também já está tomada mãe, eu não posso ir para SP.
— Você tem que ter um motivo muito grande pra continuar me desafiando a ficar.
— E eu tenho mãe! - Indago com mais calma.
— Não vai me dizer, que é por causa daquela favelinha?
— É por causa das pessoas que vivem lá.
— Eu não criei filha minha pra ser mulher de traficante, tá pensando que seu futuro vai ser mil maravilhas? Você vai mesmo querer viver apanhando de bandido? Pensa bem filha!
Minha mãe olhava no fundo dos meus olhos e isso me tocou bastante, deixei novamente uma lágrima cair.
— Você vai me deixar ficar mãe?
— Não, você vai voltar para SP. Anda, vamos eu te levo no aeroporto.
— Mãe eu não vou para SP, eu já disse. Tenta me entender, poxa!
— Rayanne, eu cansei, pega suas coisas e some daqui!
Eu sinceramente não queria ir para SP, mas eu também não gostaria de sair da minha casa.
— Mãe, não faz isso por favor. - Choro muito.
— Deixa que o mundo te ensina. Você não quer desapegar daquele povinho nojento, então você não é mais bem vinda aqui.
— Tudo bem!
Pego minhas malas e não são poucas, levo até a varanda. Entro novamente dentro de casa e dou um abraço bem forte na Jud. Nós duas choramos muito, eu amo demais essa mulher.
— Vou sentir sua falta Jud.
— Eu também vou meu amor, se cuida. Se você precisar, me liga.
— Pode deixar, sabe meu número?
— Sim minha menina, vou te ligar sempre.
Novamente nos abraçamos e eu sai pela porta, sem rumo. Com aquele monte de malas.
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A força do amor
Teen FictionUma história de romance, onde mostra que o amor supera qualquer dificuldade e barreiras que a vida coloca em seu caminho. Maycon e Rayanne, duas pessoas completamente diferentes, onde o destino mostra que são capazes de amar um ao outro, sem que nad...
