Capítulo 32

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A música enchia-me os ouvidos e as luzes cegavam-me. Nunca me tinha sentido tão fora do meu próprio controlo como agora. Infelizmente esse sentimento durou pouco tempo pois comecei a sentir-me sufocada pelas pessoas e intoxicada com a quantidade de álcool que tinha ingerido. 

O melhor era acabar a noite por agora.

Aproximo-me da Mia e tento falar pelas pausas da música.

"Mia! Não me estou a sentir bem, acho que me vou embora!" Grito até sentir as minhas cordas vocais a vibrarem.

"Já?! Queres levar o carro ou preferes apanhar um táxi?" Ela questiona-me entre risos devido aos beijos que algum desconhecido estava a depositar no seu pescoço.

"Eu apanho um táxi." Respondo-lhe e afasto-me do centro da pista e da confusão.

Quando finalmente consigo sair do clube o ar fresco entra nos meus pulmões congelando-os de imediato. Nunca desejei tanto pelo ar frio de Toronto como neste preciso momento, no clube mal se conseguia respirar.

À frente da porta do clube está uma praça de táxi com, felizmente, cinco táxis amarelos parados. Entro no primeiro da fila e dou-lhe a morada da faculdade. 

Durante a viagem inteira tentei manter-me o mais normal e correctamente sentada possível, para não parecer tão intoxicada como estava e não ser levada pelo taxista para algum beco escuro e acabar violada, algo que já não seria nada de novo. Abano a cabeça para afastar os maus pensamentos e quando finalmente chegamos à faculdade pago o valor estabelecido pelo taxímetro. Sempre achei que o valor era absolutamente elevado para a quantidade de quilómetros mas como era a única forma de voltar para casa eu preferia não me queixar. 

Em vez de ir para o edifício onde o meu dormitório está localizado dei por mim a ir para outro.

...

Bato à porta com uma mão firme e ritmo constante, e não demora muito tempo a esta abrir-se. Um corpo semi-nu, com o cabelo despenteado e com as mãos a esfregar os olhos, aparece por trás da porta e logo os seus olhos arregalam-se ao ver-me.

"Anna? O que estás aqui a fazer? O que se passa?" 

Demasiadas perguntas para o meu estado embriagado. 

Os meus lábios colam-se aos de Cameron em poucos segundos. Definitivamente já não estou em mim. Os dele demoram milissegundos até se aperceberem do meu toque e acompanham o beijo. As minhas mãos estão a segurar o seu pescoço e as dele estão nos meus braços. 

"Tu estás bêbada." Ele afasta-nos interrompendo o beijo.

"O que é que interessa?" Reviro os olhos.

"Interessa que amanhã vais-te arrepender muito disto, ou então nem te vais lembrar e vais-te arrepender de ter traído o Nathan." Definitivamente o Cameron é irritante quando é racional e tem razão.

"Não estou com o Nathan, não me interessa." Ataco-o fechando o espaço que havia entre nós e empurrando-o para dentro do quarto. 

"Anna..." Ele geme entre o beijo e eu esboço um sorriso. 

Ele volta a afastar-nos e eu amuou. De seguida ele pega-me e coloca-me em cima do seu ombro e leva-me até ao quarto dele onde finalmente me põe no chão. O Cameron dirige-se até ao seu armário de onde tira uma camisa larga azul escura com umas calças de fato-treino cinzentas.

"Tens aqui roupas para te trocares. Eu vou à cozinha para te deixar à vontade." Ele coloca as roupas na cama e sai do quarto.

Trocar o meu vestido pelo pijama quando se está intoxicada com alcool foi um desafio mas passando uns quinze minutos finalmente completei a tarefa. Dobrei o vestido e coloquei na cadeira que se encontrava à frente da secretária. Por cima do vestido deixei a minha clutch e os meus acessórios, e ao lado da cadeira coloquei os sapatos. Após isto dirigi-me à sala e verifiquei as horas na televisão. Eram quatro e seis da manhã e eu tinha aparecido embriagada e desesperada no quarto do Cameron. 

"Preparei-te panquecas, espero que gostes." Ele entrega-me um prato com duas panquecas e xarope de açúcar. Não tinha propriamente fome mas depois de ter ingerido tanto álcool o meu corpo necessita de alguma comida. 

"Obrigada." Agradeço-lhe e como uma das panquecas, colocando de seguida o prato em cima da mesa de café.

"De nada, baby girl." Responde-me sentando-se ao meu lado no sofá. 

Aproximo-me dele e encosto a minha cabeça no seu ombro. Com isto ele encosta-se no sofá permitindo-me deitar no seu peito e poucos segundos depois a minha dor de cabeça conquista-me por completo e os meus olhos fecham-se. 

...


Espero que tenham gostado do capítulo! Desculpem pela demora mas desde a cirurgia que tenho andado perdida com o tempo e parece que foi ontem que publiquei o outro capítulo. O próximo deve ser publicado daqui a três dias!



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