Capítulo 40

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Não me lembro da última vez que ouvi falar do meu pai, a minha mãe não se importava de falar sobre ele mas ela também não sabia ao certo do que me contar, ele desapareceu mal eu nasci. A questão imponha-se em saber se eu queria conhecê-lo ou não, e sempre que pensei no assunto a resposta automática era sempre não. Porque haveria de querer conhecer alguém que não me quis conhecer?

"Ele sabe." O Cameron arranca-me dos meus pensamentos só com duas palavras. Ele sabe? Como?

"O quê?! Como?" Os meus olhos vacilam entre memórias e acontecimentos.

"Ele começou à tua procura depois de saber o que ocorreu, mas antes disso ele já tinha andado à tua procura, depois parou."

"Estou confusa. Vieste para confirmar a minha identidade mas ele já sabia quem eu era?" As suas perguntas estão a meter o meu cérebro zonzo.

"A última vez que ele procurou por ti eras crianças, isto pelo aqui que li no ficheiro." Ele informa-me e fita o chão.

"Há um ficheiro sobre mim?" Cada pergunta leva a uma resposta mais assustadora que eu prefiro cada vez mais não ter que escutar.

"Não sei muito mais Anna, foi-me dado uma missão e fornecido as informações mas não tive autorização para pesquisar mais do que me foi dado. Por isso acho que devias confrontá-lo e expor todas as questões que tens."

"Confrontá-lo?! Pelos vistos ele sabe mais de mim sobre eu dele! Talvez o certo seria ele próprio me vir procurar e conhecer-me." Murmuro por entre os dentes.

Viro costas aos dois rapazes e afasto-me da fraternidade.

Nunca pensei muito sobre o meu pai, ou progenitor como sempre lhe chamei, após a minha mãe me ter confessado que ele na realidade tinha-se ido embora e nunca iria voltar. Num lugar obscuro da minha mente sempre tivera muitas questões mas optava sempre por não insistir em procurar respostas, acho que uma parte de mim sabia que não me ia levar a lado nenhum ou a uma resposta suficiente satisfatória ou dramática para o meu abandono.

Divaguei pelas ruas do campus até perder noção do tempo e espaço, apenas observava os faróis dos carros que passavam na minha direcção, estava mais perdida naquele momento do que estava no funeral da minha mãe. Aceitar que a minha mãe tinha morrido não fora tão complicado como aceitar que o meu progenitor masculino andara à minha procura.

Quando finalmente cheguei aos dormitórios aninhei-me na minha cama, por muito que agora quisesse o conforto do Nathan, ou até do Cameron, era certo que não ia pedir a nenhum. Nunca devemos implorar por amor. Chorei por tempo indeterminado, não pelo meu pai, mas pela verdade sobre o Cameron e eu. Ele era algo como um "detective" que a única razão de se aproximar de mim foi para concluir um trabalho que lhe foi dado. O Cameron jurou-me que o seu interesse por mim não acontecera devido a ele ter que me encontrar mas depois de um choque emocional como a verdade pura e dura é difícil acreditar em qualquer outro pensamento se não o pior.

Um estrondo familiar na minha porta faz com que a minha atenção seja focada no barulho.

"Anna, por favor abre a porta." Uma voz familiar e implorante acompanha o batimento.

O meu corpo não se mobiliza, ficando na mesma posição aninhada aos cobertores que antes.

"Por favor." A voz quase toma o lugar de um suspiro.

Levanto-me do meu ninho e vou até à maçaneta rodando-a.

"Anna..." Os mesmos olhos familiares vão de encontro aos meus. "Eu-"

"Não." Levanto a mão cortando o seu discurso. "Não agora."

Os seus olhos azuis observam a minha feição destroçada e ele engole em seco.

"Lamento imenso." Ele afirma.

"Pelo quê? Por me teres ignorado e arrancado da tua vida em dias ou por descobrires que a minha vida é ainda mais patética do que já era?" Um riso sarcástico escapa dos meus lábios.

"Eu pensei-"

"O mal é esse Nathan, sempre que pensas em algo que achas que está correcto não pensas nas consequências. Não consigo lidar com isto" Articulo entre nós os dois. "ou seja o que for agora."

Ele olha para mim e inesperadamente envolve-me nos seus braços, com a minha face e as minhas mãos no seu peito. O meu primeiro instinto foi tentar afastá-lo, mas como tinha imaginado foi inútil e finalmente cedo e lágrimas escorrem-me dos olhos, molhando a sua camisa branca.

...


Comentários negativos não são bem-vindos, não por não conseguir aguentar uma crítica não construtiva mas pois estes causam uma vontade de deixar de escrever. Tenham cuidado com o que escrevem, tal como as palavras podem ser usados para fazer uma pessoa sentir-se bem também têm a força de esmagar um escritor.

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