Capítulo 20

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Durante o tempo da viagem de carro até ao meu dormitório estivemos ambos em silêncio. Sei que o Nathan está preocupado e quer que eu me abra com ele mas tenho a cabeça às rodas e sinto o meu cérebro a latejar. Quando chegamos o Nate estaciona o carro no parque e saímos. Ele dá a volta e vem ter comigo, prendendo-me entre o seu corpo e o carro.

"Fala comigo baby girl." Ele pede-me e eu continuou com os olhos fixos no chão.

"Acho que perdi um amigo." Conto-lhe num suspiro.

"Não perdeste nada ao livrares-te daquele otário." Os meus olhos fixam automaticamente os do Nathan. Odeio quando ele maltrata alguém de quem eu gosto, ainda por cima o Matt que não foi nada menos do que meu amigo desde que cheguei aqui. "Pronto, não fiques assim, retiro o que disse." Ele revira os olhos.

"Não sejas idiota Nathan." Eu resmungo com ele.

"Não gosto de te ver triste por um idiota qualquer te ter magoado."

"Tu já foste esse idiota algumas vezes." Eu vejo que as minhas palavras o magoaram.

"Eu sei disso." Ele sussurra, fazendo-me sentir ainda pior.

"És o meu idiota." Eu esboço-lhe um sorriso e vejo outro a formar-se no seu rosto.

"Queres ir a algum lado?"

"Sim."

"Onde?"

"Gostava de ir à casa da tua mãe, sendo que ela quer-me ver." Eu sorrio-lhe enquanto lhe relembro da informação que ele me deu de manhã.

"Não tens trabalho hoje?" Ele arqueia a sobrancelha.

"Hoje é a minha folga." Eu levanto as minhas sobrancelhas tentado o persuadir.

"Se tem mesmo que ser..." Ele revira os olhos.

"Não sejas assim, a tua mãe adora-te." Resmungo-lhe.

"Quem é que não me adora?" Ele mordisca o lábio inferior e brinca com o seu piercing. Já tinha saudades do seu ar convencido. 

Sorrio-lhe e volto a entrar para o seu carro, ele faz o mesmo e liga a ignição. 

...

Após vinte minutos vejo outra vez a enorme vivenda que já apelidei de mansão devido às suas gigantescas dimensões. O Nathan dá-me a mão e abre a porta da casa, levando-nos para a sala. Mal a Elizabeth me vê os seus olhos começam a reluzir e um sorriso rasgado aparece na sua cara, dando para notar os seus dentes perfeitamente brancos. Sem dúvida que é uma mulher belíssima que mete inveja a muitas outras.

"Anna!" Ela grita de felicidade e vem a meu encontro, abrançando-me cuidadosamente.

"O-Olá Elizabeth." Eu cumprimento-a um pouco nervosa. Se soubesse o seu último nome, supondo que é casada com o padrasto do Nathan, cumprimentaria dessa forma mas não cheguei a perguntar ao Nathan.

"Não fiques nervosa Anna! Estava ansiosa por voltar-te a ver. Tens que provar um dos cupcakes que acabei de fazer!" Ela arrasta-me pelo braço até à cozinha e o Nathan revira os olhos.

Ela pede-me para escolher um e pego no que possui cobertura branca. Dou uma dentada e o sabor a baunilha instala-se no meu paladar, é delicioso. A Elizabeth continua parada à minha frente com um sorriso enorme esperando a minha opinião.

"Está delicioso!" Eu afirmo e ela esboça um sorriso ainda maior.

"Ainda bem que gostas querida, as minhas filhas recusaram-se a provar porque tem muitas calorias." Referido as últimas duas palavras com uma ponta de troça e utilizando os dedos para fazer um gesto correspondente a aspas. Pensei que elas só eram arrogantes comigo e com o Nathan, mas afinal também o são com a própria madrasta. Não sei como o conseguem, a Elizabeth é uma pessoa tão dócil, simpática e alegre, transmite uma sensação de conforto enorme.

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