Quando Anna chega a Toronto, com o objectivo de começar uma vida nova, depara-se com Nathaniel, um rapaz desprezível e sombrio, que logo ganha interesse em Anna e no seu desprezo ao toque humano, encurralando-a com perguntas e tentando desvendar as...
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Duas semanas passaram-se após aquela noite, não voltei a ver o Nate ou a saber algo da sua existência. Tem sido como se ele nunca tivesse existido na minha vida, e dói, mais do que o esperado, muito mais.
Os meus dias têm-se resumido a atender o máximo de aulas, fazer resumos dessas aulas, ler e reler "Anna Karenina" e sair com o Cameron. Algo totalmente inesperado e criticado pelo meu subconsciente, mas para além do Richard, o Cameron é o único amigo que tenho no campus. O Matthew não voltou a falar comigo desde a visita no hospital, nem eu com ele, não porque ele voltou ao estado de ignorar a minha existência e evitar-me, mas sim porque eu não o quero magoar de qualquer forma humanamente possível, mais do que o que já fiz de forma não intencional. Uma das minhas qualidades provavelmente é magoar as pessoas sem ter noção disso.
"Anna, vais ficar a olhar para o ar ou ajudar-me nesta pergunta?" A voz do Cameron puxa-me dos meus pensamentos.
Franzo uma sobrancelha, sento-me ao seu lado no sofá do seu dormitório e concentro-me na caligrafia à máquina na folha que ele possui na sua mão. Era uma pergunta sobre a obra "Hamlet" de Shakespeare, uma das mais complicadas para qualquer estudante de literatura para ser honesta.
Consigo sentir os olhos do Cameron postos no meu pescoço, possivelmente a observar a minha cicatriz, tal como o Nathan fez outrora.
"É mal educação olhar fixamente para as cicatrizes de uma pessoa." Afirmo ainda com os meus olhos fixos no papel e um pouco debruçada para a frente.
"Peço desculpa." Ele abana a cabeça como se tivesse estado hipnotizado na minha cicatriz. "Estava a pensar que podias ser um X-Men." Ele esboça um sorriso enorme fazendo soltar uma gargalhada.
"Um X-Men?! Sou assim tão anormal?!"
"Não mas podias ter um nome super cool. Tipo a Mystic!" Ele continua a rir-se só pela ideia de eu puder ser um mutante.
"E tu podias ser o geek que é um macaco azul! Têm tanto em comum." Troço com o Cameron e este finge-se amuada pelo meu comentário.
"Não sejas má para mim baby girl, não tenho nada a ver com a personagem ou o mutante."
"Hum.. tens razão, se fosses um mutante ias ser algo parecido com a cabeça de um ananás!"
Volto a troçar dele e este vinga-se de mim fazendo-me cócegas até estar por cima de mim no sofá enquanto eu imploro para parar. O Cameron cede ao meu pedido e fixa o seu olhar no meu. Estávamos tão um do outro que conseguia sentir a sua respiração acelerada. Ele esboça um sorriso e baixa a cabeça apoiando-a no meu ombro, mantendo o seu corpo sem tocar no meu graças aos seus braços estarem-no a apoiar. Por fim ele sai de cima de mim e fica em pé no sofá.
"Queres comer alguma coisa? Posso cozinhar qualquer coisa, se te apetecer." Quem diria que alguém que eu achava desprezível podia em tão pouco tempo tornar-se uma constante na minha vida.
"Não, obrigada." Agradeço e esboço-lhe um sorriso genuíno pela sua amabilidade. "Tenho que ir andando." Afirmo e o Cameron aproxima-se de mim enquanto eu agarro na minha mala e no meu casaco.
"Hey Anna, eu sei que prometi não falar nisso, mas como estão as coisas?" O Cameron pergunta e morde o lábio inferior.
"Não faço ideia, nunca mais o vi." Respondo honestamente e uma pequena parte de mim entristece por me aperceber que ele não tentou falar comigo.
Eu sei que fui eu que achei que era melhor estarmos afastados durante um tempo mas não esperava que a atitude do Nathan fosse ser indiferente e fazer-me sentir indiferente.
"Oh... Lamento isso." Consigo ver que o Cameron instantaneamente arrependeu-se por ter abordado este assunto.
"Não faz mal." Sorrio e dou-lhe um beijo na bochecha. "Falamos depois." Afasto-me dele e fecho a porta do seu dormitório.
...
Antes de ir para o meu dormitório, passo pelo café do campus para comer algo em vez de voltar logo a focar a minha mente no estudo.
Quando finalmente chego ao edifício do meu dormitório oiço uma voz familiar.
"Anna!" A voz chama-me.
Olho para trás e uma rapariga saí de um Audi apressando-se para chegar perto de mim.
Mia.
"Estava à espera de te encontrar." Ela confessa e abraça-me apressadamente.
"Mia... Olá." O choque e a surpresa de ver Mia à minha atrapalha a minha fala.
"Desculpa aparecer assim de repente, sem avisar, mas precisava imenso de falar contigo." Uma ponta de preocupação atinge-me. Espero que o Nathan esteja bem.
"É sobre o Nathaniel." Mal ela termina a frase sinto a minha respiração a acelerar e o meu coração a um ritmo descontrolado. Outra vez não. "Ele não está bem." Ela confirma os meus medos e os meus olhos dilatam.