Mal bato à porta esta abre-se mostrando uma Elizabeth chorona, com a máscara de pestanas borradas e os olhos inchados de chorar. Soube naquele momento que algo grave se tinha passado com o Nathan.
"Onde está ele?" Pergunto directamente. Não era minha intenção ser rude mas a minha preocupação passava por cima de qualquer tipo de boa educação.
"Ele... Ele está no h-hospital... Coma." Ela desmancha-se em lágrimas quando se refere ao grande "C".
A Emma dirige o seu olhar para mim e eu desvio o meu de voltar para a Elizabeth e ajudo-a a ir até ao sofá para se sentar e regular a sua respiração.
Quando ela se acalma consigo finalmente falar com ela.
"O que se passou?" Tento manter a calma mas a minha vontade é apenas estar ao lado dele.
"Acidente de viação. Um camião foi contra ele e a viatura ficou esmagada. O Nathaniel perdeu demasiado sangue e depois da cirurgia entrou em coma. O médico afirmou que havia uma elevada probabilidade dele acordar mas..." A Elizabeth volta a refugiar-se nas suas lágrimas e eu engulo em seco.
Afinal alguns pesadelos não são apenas sonhos, são realidades disfarçadas de premonições.
Após me despedir da Elizabeth, que não suportava estar no hospital, dirigi-me para o hospital na companhia da Emma, que mantinha uma expressão facial imparcial tal como eu. O silêncio instalou-se durante a viagem toda permitindo ao meu subconsciente atacar-me uma e outra vez. Nada disto teria acontecido se eu tivesse conversado decentemente com ele e não afastá-lo sem o ouvir.
...
Quando chego à porta do quarto do Nathan deixo a Emma ir visitá-lo primeiro, enquanto fico na sala de espera. Não por achar que ela tem prioridade, nem por a perdoar ou achar que o Nathan está apaixonado por ela e não por mim, mas por não ter coragem suficiente para o encarar naquele estado. Ele vai estar algures entre a linha que separada a vida da morte, e não consigo suportar perdê-lo, mesmo que me tenha traído e seja um completo filho da puta.
"Vou ao bar." A voz da Emma interrompe os meus pensamentos e eu aceno.
Passado alguns minutos e muitos pensamentos tristes e negativos, levanto-me do meu assento e vou até à porta do quarto. Os meus olhos são invadidos por uma barreira de lágrimas ao vê-lo numa cama, ligado a várias máquinas que o mantêm vivo. Sento-me na cadeira ao lado da cabeceira da cama a pouso a minha mão por cima da sua.
"Arranjas sempre uma forma de eu voltar para ti..."
Suspiro ao observar a sua cara pálida e sem expressão alguma.
"Não te atrevas a deixar-me. Não te atrevas a abandonar-me e deixar-me sozinha no mundo. És tudo o que tenho e não suporto perder outra pessoa. Não te atrevas a ser egoísta e a deixar-me lidar com a tua morte." Aperto-lhe a mão com força e sinto lágrimas a escorrer. "Perdoa-me por ter sido tão fria contigo. Não me deixes por favor."
O meu choro inunda o silêncio do quarto e nada mais se ouve. Ele não vai voltar desta vez.
...
Passei os últimos dias ao lado da sua cama no hospital. Devo ter recebido umas dez chamadas e nenhuma delas ter atendido, acabando por ficar sem bateria e provavelmente sem emprego também. Os médicos informaram-me que existe uma grande probabilidade dele conseguir me ouvir enquanto está em coma, por isso tenho falado com ele como se ele ainda cá estivesse, presente, vivo.
Não houve nenhum sinal dele estar para acordar em breve, ao contrário do que me tinha sido informado anteriormente. Típico do Nathan, ir contra todas as probabilidades e ser a ínfima parte. Infelizmente desta vez essa ínfima parte era a de não voltar.
A Elizabeth tem vindo visitá-lo algumas vezes, mas nunca entra no quarto, fica sempre a observá-lo do corredor. Vem sempre de branco, ela afirma que é para manter a esperança porque ele ainda está vivo, ele ainda está entre nós e ela acredita que ele vai voltar. Ela tem de acreditar. Pior que perder uma mãe deve ser perder um filho.
Tirando a Elizabeth e a Emma mais ninguém o veio visitar. Parte disso provavelmente é por eu ter pedido a Emma para não trazer ninguém, não quero que isto pareça uma despedida enquanto todos esperam que ele morra. Não consigo imaginar-me sem ele. Ele é como se fosse o Sol e eu a Terra, não existe uma Karenina sem um Vronsky, não existe vida sem luz. Estou viva, mas não estou. É como se tudo andasse a uma velocidade acelerada e eu em câmara lenta, vendo a vida a continuar e eu a ficar para trás.
...
Faz hoje uma semana que tenho vindo ao hospital, sem sinal de melhorias. Ontem foi o primeiro dia que fui a casa desde que descobri que o Nathan estava no hospital, tive de tomar um duche e mudar de roupas, organizar matérias da faculdade e voltar outra vez para o hospital.
Quando chego ao quinto andar, onde o Nate estava internado, vejo as enfermeiras a correr apressadamente e alguém a gritar código vermelho. Dirijo-me imediatamente para o quarto do Nathan e vejo que o barulho vinha dali, estavam a reanimá-lo, tinha tido uma paragem cardíaca.
Uma dor atinge-me o peito e uma película de água turva-me a visão. Ele está a desistir.
As enfermeiras continuavam a tentar reanimá-lo mas sem êxito e declararam a hora de morte. O mundo todo parou de rodar por momentos e dou por mim a correr em direcção ao Nathan e a implorar-lhe para não desistir enquanto dou socos no seu peito. As enfermeiras tentaram-me afastar mas sem sucesso, sacudi-as, e continuei a gritar e a esmurrá-lo.
Quando finalmente desisto e pouso a minha cabeça no seu peito enquanto choro, o monitor cardíaco muda de ritmo e as enfermeiras ficam paralisadas a olhar para o que tinha acontecido. Foi nesse momento que ouvi a respiração do Nathan a voltar ao normal.
...
Nota: Peço desculpa se fiz alguém chorar ou ter um mini ataque cardíaco, também foi emocionante para mim.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Madness
Novela JuvenilQuando Anna chega a Toronto, com o objectivo de começar uma vida nova, depara-se com Nathaniel, um rapaz desprezível e sombrio, que logo ganha interesse em Anna e no seu desprezo ao toque humano, encurralando-a com perguntas e tentando desvendar as...
