- Josh, Liz sumiu.
De todas as maneiras que eu pude pensar em começar um dia, essa com certeza era a última opção.
Na verdade já era de tarde e eu havia voltado para casa depois de acordar todo quebrado no quarto da Liz. Passei para dormir na minha própria cama e tomar um banho, separar outra muda de roupa e voltar para o apartamento dela porque ainda precisávamos continuar com a música. Entretanto, parece que meus planos foram frustrados porque quando a Liz sumia, não voltava a dar as caras tão cedo.
Isa me ligar e dizer que Liz havia sumido, não era novidade nenhuma. Ela fazia isso com tanta frequência que já cansei de perguntar ou tentar entender por que. Às vezes ela estava precisando de um tempo para si mesma ou só esquecia de avisar mesmo - o que era frequente pela facilidade que ela tem de se desligar e esquecer das coisas.
Mas a voz da Isa dessa vez era muito mais alarmante do que um simples desaparecimento de alguém com a memória tão curta quanto da Dory, de "Procurando Nemo".
- O que houve dessa vez? - perguntei de volta no telefone.
- Ela... ela surtou... quero dizer... - a voz de Isa era tão baixa que eu mal podia ouvir, mas o suspiro foi tão alto que parecia ter soprado no telefone - Olha, Josh, a coisa foi séria e esse é o máximo que eu posso te dizer agora, ok? Vocês é o melhor amigo dela, sabe onde ela deve estar, não sabe?
- Tenho uma suspeita, mas...
- Vá atrás dela, por favor? Ela não atende as minhas ligações, nem responde minhas mensagens. Talvez já tenha algo na internet, mas as coisas aqui estão um pouco... bem, complicadas, então não posso olhar.
- Isa...
- Por favor, Josh. Eu realmente estou preocupada, as coisas não estão boas.
- Tudo bem, eu vou atrás dela.
- Obrigada. Agora eu preciso desligar, mas qualquer coisa me mande mensagem.
- Tudo bem, Isa.
- Obrigada, Josh.
Ela desligou o telefone antes mesmo que eu pudesse dizer "de nada", ou algo parecido.
Voltei para a cozinha, onde minha mãe esperava a minha volta com sua xícara de chá mate na mão praticamente vazia e os olhos apreensivos.
- Liz sumiu.
- De novo? - assenti brincando com o celular nas mãos.
- E parece que aconteceu algo bem sério dessa vez, mas Isa não quis me contar o que.
- Meu santo Deus... mas você sabe onde ela está?
- Imagino que sim. - o silêncio permaneceu por um tempo.
Minha mãe me encarava enquanto as engrenagens do meu cérebro tentavam funcionar, mas por mais que Liz fosse previsível nos seus hábitos, não era nos seus atos.
- Bem, mãe, vou atrás daquela maluca e não tenho hora para voltar, mas qualquer novidade te aviso.
Fui até ela e depositei um beijo na testa cansada da Dona Ciça. Uma mulher de quase 50 anos, com a pele cor de bronze e cabelos negros, tão dócil e amável que era quase impossível imaginar que foi casada por tanto tempo com um homem frio e calculista como meu pai.
Quem olha para mim jamais perceberia que eu sou justamente filho de um dos empresários mais ricos de Nova York, caso não fosse o sobrenome e semelhança física. George Hartley é investidor da bolsa, dono de empresa e imóveis por todo o estado de Nova York, egoísta, amargo, infeliz e tem um prazer sádico em deixar as pessoas ao seu redor infelizes também. Josh Hartley é músico, baterista, aprecia arte e contribui para o Greenpeace, procura tratar bem as pessoas que se importa e jamais passaria por cima dos outros a todo custo por simples prazer.
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18 [Suspenso]
Teen FictionEstar no foco da atenção da mídia, revistas, jornais e sites de fofocas pelo seu grande sucesso no auge de seus 18 anos parece melhor do que qualquer conto de fadas da Disney. Afinal, o show business é, de fato, um mundo tentador, mas também é cruel...
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