As pessoas costumam achar que por você ser famoso, está com a vida ganha. Está tudo maravilhoso e que ninguém tem o que reclamar. Isso, obviamente, é uma grande mentira.
Piora ainda se você é um artista, porque se tem alguma coisa que dói é ser um artista. Dor de amor? Dor da perda? Multiplica isso por mil que talvez entenda.
É uma vida complicada, às vezes você sente as coisas além do que devia e, não há como extravasar isso, então surge às músicas, os quadros, as esculturas. Surge à vontade e necessidade de por isso tudo para fora, não de expor, mas de tirar esses sentimentos de você antes que isso te sufoque, antes que te perturbe. Mas às vezes não é o suficiente.
Fama te consome. Te corrói.
Muitas pessoas usam drogas, se afogam no álcool, deixam se levar por amizades erradas e são simplesmente gênios de alguma arte, ou talvez nem tanto. É uma saída covarde, porém compreensível. É necessário ter um jeito para aguentar tudo o que está acontecendo dentro de você. A dor de ser artista, o sufoco da fama. As noites sem dormir, o estresse, as críticas...
E se você mostrar fraqueza... Ah! Se mostrar fraqueza, você simplesmente cai.
É um mundo fodido, desesperador, perdido.
- É assim que você se sente?
Pus meus pés no sofá e abracei minhas pernas tentando manter tudo dentro de mim. A pergunta da Rebecca me atingiu em cheio.
- Talvez - me limitei a dizer, afinal, não tinha muitas certezas.
- Liz...
Encarei Becca, era difícil olhar para ela. Eu sentia que ela podia arrancar tudo de mim, apenas de me olhar nos olhos, assim como Josh fazia, mas Becca era pior. Perto dela eu me sentia exposta, frágil e inferior porque era difícil ter problemas de autoestima e ainda se consultar com uma pessoa como ela. Por Deus! Olhar para Rebecca era como ter um quadro impressionista ao alcance dos olhos, é ter uma obra de Renoir próxima, visível, tocável.
- Isso não tem a ver com a questão do contrato?
- Não quero falar sobre isso - desviei os olhos, agarrando minhas pernas com mais força.
Eu realmente não queria falar, algo dentro de mim dizia que era mais do que isso.
- Você precisa falar, Liz.
- Não, Becca. Não é só isso, ok? Tem algo além, mas não tem como eu te dizer, eu não sei o que ta acontecendo comigo! Não sei o que to sentindo. Não acho que aconteceu alguma coisa, mas to sentindo que... To me sentindo como se... eu não sei!
Agarrei meu cabelo, cravando minhas unhas curtas no couro cabeludo, e comecei a hiperventilar. Para completar a crise, apoiei meus cotovelos na minha coxa e comecei a me balançar para frente e para trás, enquanto as lágrimas começavam a encharcar o meu rosto.
Eu estava perdendo o controle, como há tempos não fazia. Eu não havia nenhum descontrole apesar de todo o desconforto emocional que rodeava a minha vida nas últimas semanas. Eu estava bem, estava lidando. Mas então, lá estava eu, em prantos.
Becca estava acostumada a me ver em completo desespero, era comum nas vezes que eu acabava tendo que a visitar. Como eu disse, era difícil olhar para ela sem que me fizesse expor todos os sentimentos, até mesmo os que eu tentava controlar, ou os que eu não sabia que estavam lá. Por isso eu estava naquele estado e, por isso também, que ela continuou no lugar dela, sentada e com toda a paciência esperando que eu me acalmasse.
Quando comecei a me sentir melhor e o choro a cessar, Rebecca veio até mim e me ofereceu um copo de água. Aceitei e fui tomando alguns goles até voltar a respirar normalmente.
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18 [Suspenso]
JugendliteraturEstar no foco da atenção da mídia, revistas, jornais e sites de fofocas pelo seu grande sucesso no auge de seus 18 anos parece melhor do que qualquer conto de fadas da Disney. Afinal, o show business é, de fato, um mundo tentador, mas também é cruel...
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